Não dá mais pra segurar!

Há 32 meses que o carro não tinha uma alta mensal tão elevada
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Auto Informe
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- Os números revelados por dois estudos da AutoInforme em abril são sintomáticos: mostram que o grande aumento do consumo que ocorre no mercado brasileiro nos últimos dois anos começa a se refletir nos preços para o consumidor. Demorou, o mercado até que resistiu bem, mas agora parece que o consumidor vai começar a pagar mais caro pelo produto.

O levantamento feito no setor de carros novos, cotados pela Molicar, mostra que abril registrou a maior alta de preços desde julho de 2005, quer dizer: há 32 meses que o carro não tinha uma alta mensal tão elevada. Com esse resultado, o preço do carro zero já está 2,32% mais caro este ano, quer dizer: em apenas quatro meses, o aumento já é quase igual o registrado em todo o ano passado 2,61%.

Claro que esse aumento é resultado do aumento da procura, ou melhor, da dissonância entre a procura e a oferta. Animados com o extraordinário crescimento de vendas, fabricantes e importadores estão se desdobrando para aproveitar a onda positiva e atender a demanda, mas investimento em ampliação de produção não é feito num piscar de olhos. É preciso disponibilidade, planejamento e tempo.

A situação ainda está sob controle graças à folga de capacidade de produção que as montadoras tinham por conta de investimentos feitos na década passada e que estava sendo subutilizada. Mas com um aumento de vendas de 27% em 2007 e mais 35% este ano por enquanto! está prestes a se esgotar.

Investimentos estão sendo feitos, mas os resultados demoram a chegar. Algumas montadoras estão usando a capacidade instalada na Argentina - que não é totalmente utilizada para o mercado local - mas não está sendo suficiente, pois o consumo cresce também na Argentina e em outros países da América Latina que são abastecidos pelas unidades brasileiras e argentinas.

Outro sintoma de mudança no mercado é o balanço de carros usados, feito mensalmente também com os números cotados pela Molicar. Os usados tiveram o terceiro aumento de preço consecutivo em abril, + 0,7%, a maior do ano. O aumento já é de 1% este ano e embora nominalmente esses números pareçam insignificantes, mostram uma reversão radical da tendência verificada nos últimos cinco anos.

Desde 2003 que o usado não tinha aumento de preço. No ano passado, por exemplo, houve queda do preço médio praticado no mercado, e não foi pequena: os carros usados ficaram 5,2% mais baratos.

Há mais um agravante: os carros importados é que derrubam o preço médio. O índice de aumento é bem maior se consideramos apenas os carros fabricados no Brasil, que é o grosso do mercado. Nos quatro meses deste ano os preços dos importados caíram 5,3%, enquanto os nacionais tiveram um aumento de 1,75%.

Os dirigentes da indústria estão “espantados com o crescimento”, para usar as palavras de Sérgio Habib, até o dia 30 presidente da Citroën do Brasil. Nem ele, homem atento ao comportamento do mercado de carros, previu tamanho aumento de vendas. Mesmo assim, teve agilidade para atender à forte demanda e está levando mais uma vez a Citroën ao título de marca que mais cresce no Brasil, o que aconteceu em 2005, 2006 e no ano passado dividiu a liderança de crescimento com a Renault. Neste ano, a Citroën cresceu 87%, mais do que o dobro do mercado. Sem esse poder de oferta e com a manutenção do ritmo de crescimento, a maioria das montadoras vai formar filas nas concessionárias e então essa tendência de aumento de preços vai se acentuar.


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Joel Leite joelleite@autoinforme.com.br é diretor da agência de notícias especializada no setor automotivo AutoInforme. Produz e apresenta o quadro sobre automóveis no programa Shop Tour e fornece informações para vários veículos de comunicação. É especialista no mercado de automóveis desde 1984, quando começou no Jornal do Carro do Jornal da Tarde. Joel é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduado em Comunicação e Semiótica.

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