Novo Vectra trará saldo favorável à GM

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Fernando Calmon
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- Pode-se afirmar que a engenharia brasileira atingiu a maioridade com o projeto e desenvolvimento do novo Vectra, introduzido esta semana no mercado. Antes, a GM do Brasil já havia mostrado sua capacidade ao idealizar o Meriva, a partir da arquitetura do Corsa, atraindo a Opel que abraçou a idéia e participou ativamente. O desafio, agora, era encontrar um sucessor para o Vectra que tinha chegado à terceira geração na Europa em 2002, mas exigiria investimentos pesados para reproduzi-lo aqui. Resultou em um carro de desenho contemporâneo, combinando a parte traseira mais clássica a uma frente e desenho do teto e da coluna traseira com alguma ousadia.

A fórmula foi utilizar a arquitetura do monovolume Zafira, derivada do Astra, aproveitando sua generosa distância entre eixos de 2,70 m, fundamental para garantir bom espaço interno. Por coincidência, é o mesmo entreeixos do Vectra alemão, terminando aí a semelhança, pois o médio-grande da Opel tem 7 cm a mais de largura. Ainda assim, o modelo brasileiro é 2 cm mais largo que o Astra. Curioso o projeto ter sido cogitado como nova geração deste modelo, tanto que será exportado para o México com o nome de Astra Maxx.

A GM utilizou a mesma tática da Toyota ao conceber o Corolla atual, encompridado na parte frontal para parecer um carro de maior porte e se apresentar como concorrente do antigo Vectra. Basta observar o grande vão entre o radiador e a grade. Agora, porém, leva vantagem no comprimento e no porta-malas de 526 litros, além de igualar a garantia total de três anos. A fábrica oferece duas revisões gratuitas, mas a primeira, aos 1.500 km, não tem sentido, pois o tempo das pessoas é escasso para uma visita tão prematura à concessionária.

As duas versões do novo automóvel, Elegance a partir de R$ 60 mil e Elite começa em R$ 80 mil, proporcionam um ataque simultâneo à concorrência interna japonesa Corolla e o Civic novo, em 2006 e a alguns importados como Passat, Citroën C5, Peugeot 407 e Accord. Contam a seu favor os motores flex e com maior cilindrada de 2 litros 128 cv e 2,4 litros 150 cv. O tanque de combustível é o do Astra, de 52 litros, quando deveria ser o do Zafira, de 58 litros.

A lista de opcionais bastante completa inclui, entre outros, tocador de DVD tela removível de 10 pol no teto, rastreador, kit de celular com viva-voz sem fio e geladeira embutida no apoio de braço traseiro. Itens interessantes, a exemplo dos retrovisores escamoteáveis eletricamente e das saídas de ar-condicionado para o banco traseiro, convivem com ausências sentidas de apoio de braço e para o pé esquerdo do motorista.

A GM ousou ao oferecer a opção dos pneus de perfil mais baixo série 45 entre os modelos nacionais. Em Brasília, onde o carro foi avaliado, o piso favorece, mas deu para sentir a aspereza típica, apesar do bom trabalho na suspensão. Árvores balanceadoras garantem suavidade ao motor de maior cilindrada, mas o ruído de aspiração está bem presente quando se pisa fundo no acelerador. Mesmo à custa de canibalização certa do Astra sedã, o novo Vectra vai deixar um saldo favorável para a marca, refletindo de modo positivo na participação de mercado.

RODA VIVA

PROJETO do carro sem sofisticação e preço baixo continua nos planos da GMB, apesar da Volkswagen ter desistido por falta de rentabilidade. Com novos materiais e simplificações visíveis e não-visíveis ao usuário, um modelo assim - se tudo der certo - poderia ser vendido, hoje, por pouco menos de R$ 20.000 no Brasil. Ou abaixo disso, em países de carga fiscal menor.

SETEMBRO marcou o segundo mês consecutivo com exportações acima de US$ 1 bilhão. Caminhões, ônibus e máquinas agrícolas, de maior valor agregado, compensam alguns mercados perdidos para veículos leves. A produção diária manteve-se em patamares próximos da média deste ano recorde. Os motores flex atingiram dois terços do mercado pela primeira vez.

APESAR da defasagem cambial, a VW pretende exportar quase 20.000 unidades do Golf para EUA e Canadá em 2005. O carro é oferecido lá por preço bom e as vendas podem crescer perto de 2%, em relação a 2004. No México e em outros países há pequenas quedas, amplamente superadas pelo sucesso do Fox no exterior. O real forte, portanto, derruba algumas marcas mais do que outras...

FALTANDO três meses para o final do ano, a Anfavea manteve sua previsão de 5% de crescimento no mercado interno. Mas a LCA Consultores aposta em crescimento maior, na casa dos 11%, o que não é pouca diferença. O economista da empresa Bráulio Borges destaca que até 2006 a indústria alcançará cerca de 20% de ociosidade, "nível relativamente baixo".

BMW está cuidando do projeto final do interior dos novos jatos executivos da Embraer das categorias Light e Very Light. A empresa alemã tem um estúdio especializado nos EUA e foi escolhida por combinar, com maestria, estilo e funcionalidade. Como no automóvel, um avião executivo precisa garantir uma atmosfera de aconchego e de elegância já na primeira impressão.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection

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