O interior promete

A realidade é que os automóveis estão ficando maiores a toda nova geração. Um Golf, por exemplo, tem quase o mesmo espaço interno de um Santana
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Fernando Calmon
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- Ninguém tem dúvida: vamos permanecer mais tempo dentro dos carros. A frota aumenta e, especificamente no Brasil, pouco se investe em melhoria e controle do trânsito. Sem contar o atraso histórico do País na ampliação do meio de transporte urbano mais eficiente, o metrô. Em razão disso, os engenheiros se preocupam em aperfeiçoar as condições de habitabilidade do interior dos automóveis.
Hoje existe um abismo em termos de conforto e qualidade dos materiais entre um carro barato e um topo de linha. A diferença de custo chega a ser de dez vezes. Ainda assim, é possível – mas nada fácil – utilizar revestimentos amigáveis ao tato, criar inúmeros porta-objetos, bancos anatômicos, superfícies sem cantos vivos e o preço se manter dentro do alcance do comprador médio.
Há outras premissas também importantes ao se projetar o interior de um carro. Talvez a principal seja atender as condições de reciclagem ao final da vida útil do veículo, exigência que se aprofundará nos próximos anos. Substituir botões por comandos sensíveis ao toque é outra tendência para o futuro. E nem pensar em surgirem fontes de ruído que exigiriam material fonoabsorvente à custa de peso e preço.
A realidade de hoje é que os automóveis estão ficando maiores a toda nova geração. Um Golf, por exemplo, tem quase o mesmo espaço interno de um Santana e os dois estão separados por pouco além de uma década. Existe um limite para tanto: espaço maior não pode significar aumento indefinido de peso, porque dificulta a diminuição de consumo de combustível. A solução é partir para assentos e encostos de bancos cada vez mais estreitos finos, incluindo painéis e consoles horizontal e vertical.
O desafio é grande. O habitáculo de um automóvel médio atual utiliza 30 kg de plástico, 10 m² de revestimento têxtil, 5 m² de superfícies plásticas tocáveis. Um banco chega a pesar 50 kg, incluindo 10 a 20 kg do sistema elétrico de regulagem. Painel completo vai de 80 a 100 kg, sem computar estruturas pesadas como coluna de direção. O peso total de um interior alcança entre 150 e 300 kg e terá de diminuir até 30%.
A Faurecia, fabricante francês de autopeças e especialista em painéis e quadros de instrumentos, tem avançado no aperfeiçoamento de interiores. Em estudos, encostos de cabeça que sobem apenas quando alguém senta no banco, aumentando a sensação de espaço. Idem para encosto de braço central auto-rebatível do banco traseiro. Ao utilizar reforço de plástico e madeira de reflorestamento é possível produzir bancos bem mais finos. Para evitar o desgaste das bordas dos assentos, o banco pode se elevar por meio de um mecanismo ligado à abertura das portas.
Entre outras idéias estão o painel em peça única sem console, eliminação de grelhas de saída de ar, airbags para passageiro de dimensões menores sem comprometer a segurança para economizar espaço sobre o painel e saídas de ar laterais do tipo aeronáutico, mais eficientes e silenciosas.
Horas perdidas no trânsito certamente trazem muitos prejuízos. A melhor maneira de atenuar é um interior bem projetado, aconchegante e seguro, além de recursos incrementais de conforto, espaço, entretenimento e informação.

RODA VIVA

EMBORA as vendas de minivans médios estejam estagnadas, há espaço para novidades. Tanto a Renault como a Citroën estão importando modelos de sete lugares. E a GM parece se inclinar agora pela evolução da Zafira, no lugar da cogitada versão station do Vectra. Aliás, as stations, apesar do crescimento, ainda estão longe dos minivans: 19.000 unidades e 26.000 unidades, respectivamente, em 2007.

MARK Fields, presidente da Ford para as Américas, foi diplomático em visita ao Brasil. “O novo Fiesta sedã será vendido nos EUA, mas não decidimos ainda onde produzi-lo.” O fato é que menor distância, ausência de impostos entre EUA e México, além da diferença cambial, deram vantagem aos mexicanos. Admitiu que a engenharia brasileira está envolvida no projeto americano. De tabela, também no novo Fiesta nacional...

APESAR da aceleração de vendas, que deixará para trás em 2008 França, Inglaterra e Itália, o Brasil tem outro país na cola, querendo pedir passagem. Até 2010, Rússia ultrapassaria Alemanha e seria o maior mercado europeu: previsão de crescer 60%, em três anos, para 3,7 milhões de veículos/ano. Razões: população grande, baixa taxa de motorização e petróleo de sobra.
SUPERINTENDÊNCIA de Seguros Privados autorizou que as companhias se recusem a indenizar acidentes provocados por motoristas bêbados ou drogados. A prova, no entanto, precisa ser cabal, inclusive exame de sangue. Providência importante ao se considerar que metade das mortes no trânsito envolve pessoas alcoolizadas.

NAVEGADORES GPS estão cada vez mais úteis. Projeto de lei na Câmara dos Deputados prevê obrigatoriedade do uso na frota dos órgãos fcaptionais de segurança pública. Além de maior eficiência, trata-se de fator fundamental em situações inesperadas e emergenciais, segundo o deputado Ratinho Júnior PSC-PR.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 44 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just Auto Inglaterra.

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