Opinião: Roberto Nasser

Arrumado, elegante, personalista, o Citroën C3 Picasso
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Roberto Nasser
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Bom trabalho. É a natural conclusão de quem vir o Citroën C3 Picasso, com vendas ora iniciadas. Segundo lançamento sobre a plataforma do C3 esticada 8 cm em entre-eixos, pouco parece com o bem sucedido Aircross, seu antecessor, versão nascida na operação Brasil-Argentina do grupo Peugeot-Citroën.

Diferentes acertos estéticos e de componentes na dianteira e traseira, sugerem individualidade pela identificação visual, nova logo do quase secular Chevron – o perfil de engrenagem dupla às vezes entendida como divisas de cabo do Exército. Para vendê-lo, trilha própria, sem competir com o Aircross direcionado a aventuras comportadas, ou com o sempre agradável C3, cuidados internos e identificação ao uso familiar, realçados na campanha de publicidade onde identifica o espaço interno com um cubo e a imagem de modernidade.

Mantém a estrutura mecânica comum aos irmãos, motor 1.6, 16V, flex, 113 cv se a álcool, transmissão mecânica com 5M ou automática com 4M. Suspensão frontal Mc Pherson e traseira por eixo rígido deformável. Freios a disco apenas na dianteira. Pelo aumento de peso e para agilidade no uso urbano, seu cenário de maior uso, reduziu o diferencial em 5% relativamente ao Aircross.

Volta rápida e urbana exibiu indecisão e sofreguidão do câmbio automático no mudar as marchas, suscitando dúvidas quanto ao consumo, não medido, mas talvez explicadas pelo aumento da capacidade do tanque para 55 litros. Outras questões: o porquê do uso do sistema hidráulico de assistência na direção, quando a Citroën já utilizou a adjutório elétrico, de menor consumo de combustível e melhor disposição; e da supressão das saídas do ar condicionado para os passageiros do banco traseiro, argumento diferencial no C3?

Quer concorrer com GM Meriva, Fiat Idea, VW SpaceFox, Nissan Livina, vindo em três versões – veja o quadro. Segurança e preocupação com a incolumidade dos passageiros não foi foco no projeto. Os freios a disco resumem-se à dianteira; as almofadas de ar não são disponíveis na versão GL, sendo opcionais a R$ 1.400 para o GLX. E os freios com ABS, equipam apenas o GLX se casados com a transmissão automática. Apoio de cabeça para o passageiro do centro do banco traseiro, só no Exclusive. Para carro familiar é parâmetro no mínimo estranho.

Qual é?

Caro? Barato? Justo? Ninguém sabe o porquê, mas os brasileiros continuam comprando veículos em números recordes, pagando preços muito superiores aos mesmos, às vezes melhor equipados, feitos aqui e enviados a outros países. A enorme carga tributária é sempre confortável justificativa para fabricantes, importadores e governo, mas, mesmo retirando-a, ainda assim o valor é elevadíssimo. Como não há queda de consumo ou reclamação, os preços são marcados para cima. Se as vendas caírem, os preços diminuirão. Regra de mercado, o justo é o que o cliente concorda em pagar.

RODA-A-RODA

Questão – A demora brasileira para emitir guias de importação aos produtos argentinos gerou ações no vizinho: acordos para maior nacionalização. Nove empresas já se comprometeram.

Então? – Anunciou o governo argentino avença com a Ford para nacionalizar o motor de quatro cilindros 2.5 do Ranger, e lançar o modelo 2012 no primeiro semestre do próximo ano.

Assim – Lorotas de marketing político. A Ford não tem fábrica de motores na Argentina e a quantidade não justifica investir, lá ou aqui, onde produz 1.0 e 1.6. O Ranger 2012 está programado no período, com ou sem acordo governamental, sendo apresentado no Salão do Automóvel de Buenos Aires, em junho.

No tema – Com a Volkswagen o compromisso é para aumentar produção e exportações mundiais do picape Amarok. Assim, transferirá a produção do SpaceFox para fábrica VW no Paraná.

MINI – Inscrições abertas nas revendas Caltabiano para a versão One, de entrada. Motor 1.6, 16v, modestos 98 cv de potencia, câmbio com 6V, rodas leves, seis almofadas de ar, freios ABS. Os concorrestes deste nicho baixam preço, e há réplica chinesa Lifan no para choques. R$ 69.900.

Enfim – Lançado no Salão do Automóvel, a chinesa MG Motors, abrirá sua primeira revenda da dezena prevista para vender dois modelos: sedan MG550 e fastback MG6. Mecânica idêntica: motor 4 cilindros, 1,8 litro 16v, bloco em alumínio, turbo, 170cv, câmbio automático, 5V, Tiptronic e borboletas de acionamento. Curiosidade, o hatch mais caro que o sedan, respectivos R$ 94.789 e R$ 99.789. Para chinês, caros.

Criatividade – A Audi desafiou alunos do 2º ano de Comunicação da Escola Superior de Propaganda e Marketing a criar anúncio para o recém-lançado A1. Prêmio? Nada de carro, mas publicar a peça em revista de circulação nacional. Criativa.

Mais um – Os picapes Nissan aderiram à atual síndrome de despersonalização no mercado nacional, e antes do meio do ano corrente, já pulou para o seguinte. No caso, mudanças cosméticas: XE menos potente, 144 cv, vidros elétricos, direção hidráulica – sem ar condicionado. No topo, a LE: 172 cv, 41,1 kgmf de torque, transmissão automática de 5M ou manual com 6, e confortos. De R$ 85.390,00 a R$ 122.890,00.

Prêmio – O motor Twin-Air, bicilíndrico com o exclusivo cabeçote Multi-Air, foi primeiro lugar em quatro categorias, e o Prêmio de Motor do Ano, pela revista inglesa EngineTechnology e júri de 76 jornalistas.

Caminho - O Multi-Air, a ser produzido no Brasil, muda parâmetros seculares. Antes os motores apenas otimizavam a parte líquida do combustível. Ele é o primeiro a administrar o ar, aumentando potência, reduzindo consumo e emissões, tem menores peso e volume.

Nossa moda – O suporte do estepe externo do Citroën Aircross recebeu o Grande Prêmio Mundial de Inventores de 2011 do Grupo Peugeot-Citroën. Criação local, consumiu um ano de projeto e exercícios.

Especial – Para insuflar vendas a Agrale criou a série “Brasileirinho” em seu caminhão 8500 E-Mec. Sem custos adicionais porta calhas de chuva, película, calotas e capas de parafusos cromados, e pequenos itens.

Especial – Por acordo com a Moto Honda, a Ipiranga de petróleo produz e distribui óleo específico para motos. Semissintético, tem aditivo desenvolvido pela japonesa Idemitsu, já vendeu mais de 500 mil litros desde o lançamento em janeiro.

Outra – O mercado nacional atrai fornecedores estrangeiros, por exportações, compra das autopartistas nacionais, ou investimento local. Neste caminho a AGC, fornecedora de vidro, investirá R$ 750M em fábrica na paulista Guaratinguetá.

Ecologia – Na China, onde a motorização ecológica será por carros elétricos, a Volkswagen e sócia FAW farão tais veículos sob a marca Kaili.

Efeito-demonstração – A Fiat patrocina viagem com Palio Weekend Elétrico de seu projeto Zero Emissão. Saiu de Los Angeles, CA, EUA, capital mundial das restrições em emissões veiculares poluentes e volta ao Brasil. Roda 300 km ao dia, limitado por autonomia e tempo de recarga das baterias, atração por onde passa. Mais? www.zero-emission.com.br

Antigos – A 3M, promovendo os produtos Meguiar’s de embelezamento automobilístico,levará dono e carro escolhido como melhor no Encontro de Lindóia a participar do SEMA, em Las Vegas. Não é encontro com ênfase em originalidade, mas em aparência.

Gente – Jackson Schneider, 46, advogado, novo voo. Decolou da vice-presidência da Mercedes-Benz, pousou na Embraer como novo articulador legal e institucional. Mais salário, menos trabalho. * José Rezende Filho, Mahar, 60, editor do Blog Mundo Locomóvel do Mahar, vencendo. Desatencioso com saúde por enquanto desmoraliza Deus e a ciência. Pelo dono, o blog deveria ser Mundo Loucomóvel.


As opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.

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Roberto Nasser edita@rnasser.com.br , residente em Brasília, é advogado, especializado em indústria automobilística. Dentre suas ações de utilidade social se destacam a defesa para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e as propostas da criação da categoria do veículo de coleção, da dispensa de equipamentos modernos pelos carros antigos, da mudança de óptica sobre os colecionadores, da permissão de importação de veículos antigos, além da criação do Museu do Automóvel, na Capital Fcaptional, do qual é curador. Escreve sobre automóveis semanal e ininterruptamente há 41 anos e trata este ofício como diversão e lazer. Sua coluna “De Carro por Aí” é publicada em 15 mídias.

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