A piloto ou a pilota?

Evolução das mulheres justifica gênero feminino do substantivo
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Ana Beatriz
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- Outro dia li no blog Victal, do jornalista Victor Martins, que o professor Pasquale, nossa autoridade mais popular em língua portuguesa, afirmou que atualmente já é correto se utilizar o substantivo pilota, no feminino, ao se falar de uma profissional cuja responsabilidade é pilotar. Antes não era.

No automobilismo, a explicação é que como antigamente não existiam mulheres correndo, só se usava esse substantivo no masculino. Como as mulheres estão entrando forte em todas os mercados de trabalho, inclusive nas competições automotivas, o termo pilota foi adicionado ao nosso vocabulário.

Em inglês, "driver" é um gênero único, assim como “tennis player”. Em português é que diferenciam jogador de jogadora ou nadador de nadadora e assim vai. No Brasil, as pessoas sempre tiveram dúvida sobre como me chamar.

Como a palavra pilota soava estranho, quem não é do ramo das corridas sempre veio checar comigo a maneira certa de se referir a mim. Nunca liguei para isso. Depois de tantos anos correndo, me acostumei a ser tratada como a piloto, por mais esquisito que isso também soe.

Já houve e há várias pilotas de corrida de carros fórmula. Internacionalmente, conheço nomes como Janet Guthrie, a primeira mulher a disputar as 500 milhas de Indianápolis, Lyn St. James, Divina Galica, Giovana Amati, Katherine Legge, Sarah Fisher, Milka Duno, Danica Patrick, a primeira mulher a vencer na Indy, Cindy Allemann e Pippa Mann, que correram comigo na Firestone Indy Lights. Nacionalmente, conheço a Suzane Carvalho, a Christina Rosito, a Leticia Zanette, atualmente em turismo, e a Débora Rodrigues, na Fórmula Truck.

Há outras cujo nome não sei ou não me lembro, mas, de qualquer maneira, essa lista inteira é muito pequena diante da lista de pilotos nesse pouco mais de um século de história das corridas de carro.

Acho que essa quantidade tende a aumentar, principalmente se houver mulheres com sucesso nessa área, embora, ainda assim, eu imagine que vá ser sempre mais fácil que homens gostem de velocidade do que mulheres.

Lembro que quando era criança, depois que já havia começado no kart, descobri que a Suzane Carvalho corria na Fórmula 3 Sul-Americana e fiquei superimpressionada e feliz com isso.

Agora, me sinto honrada por ser a primeira mulher do mundo a vencer na Fórmula Renault e na Firestone Indy Lights e estou trabalhando duro para na próxima temporada ser a primeira pilota brasileira a correr em uma categoria top do automobilismo mundial.

Para ser sincera, e isso pode parecer até engraçado, agora, o que me soa estranho é ser chamada de pilota, embora essa nova situação reflita a evolução da mulher no automobilismo e para mim seja um imenso prazer fazer parte desta história.

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Ana Beatriz contato@biaracing.com – a primeira mulher do mundo a vencer na Firestone Indy Lights e Fórmula Renault, prepara-se para estrear em 2010 na Fórmula Indy, após duas temporadas e duas vitórias na Lights. Patrocinada por Healthy Choice, Nova Schin, Bardahl e PowerZol, a piloto brasileira tem o ex-piloto e empresário André Ribeiro e Augusto Cesário, ex-piloto e dono da Equipe Cesário Fórmula, como gestores de sua carreira. www.biaracing.com

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