Planejar ou improvisar?

  1. Home
  2. Pit-Stop
  3. Planejar ou improvisar?
Fernando Calmon
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- O poder de improvisação do brasileiro, contada em prosa e verso, pode muitas vezes atrapalhar mais do que trazer benefícios. E há exemplos que confirmam a regra. Os graves problemas de congestionamentos das grandes e médias cidades são sempre atribuídos ao excesso de carros e não à falta de ruas ou de transporte subterrâneo sobre trilhos. Enquanto a equação deixa de ser resolvida, surge a idéia de dar um “jeitinho”.

Na maior metrópole do país inventou-se o rodízio por placas, durante seis horas por dia, para aliviar o trânsito. Independentemente de se aplicar a um mal traçado centro expandido, de estimular a volta de veículos poluentes para o dia do rodízio e que enguiçam criando novos congestionamentos..., além de tornar insuportáveis as sextas-feiras recusa de finais 9 e 0 nas placas, está em desacordo com o Código de Trânsito Brasileiro por ausência de sinalização. Ao mesmo tempo, uma urbe do porte de São Paulo deveria ter bem mais do que as 160 câmeras de monitoramento de ruas e avenidas e uma rede de semáforos inteligentes muito maior. A imprevisão — irmã da improvisação —, no entanto, deixou 100 câmaras apagadas por falta de manutenção e de atualização, embora a rede de radares continue a se expandir celeremente, e os motoristas paguem impostos para ter o direito de rodar.

Gerenciar melhor, com a ajuda da tecnologia, deveria estar acima do improvisado rodízio. Por que, nas concorrências, não se faz um pacote que inclua para cada radar um número proporcional de câmaras e sua manutenção? Numa cidade grande poderiam ser 2 ou 3 câmaras por radar; numa cidade média, uma câmara para cada 3 ou 4 radares. Poderiam adicionar, ainda, pórticos eletrônicos com avisos em tempo real das condições à frente. Trata-se de planejamento inteligente, existente no exterior.

Como não custa sonhar, na Europa fábricas como DC, VW, Audi, BMW, Fiat e Renault reuniram-se num consórcio para impulsionar um sistema de comunicação de carro para carro. Automóveis trocarão, em futuro breve, informações por radiofreqüência entre si, de forma automática, num raio de 500 metros, sem necessidade de infra-estrutura externa e uso pago da rede de telefonia celular. Um dos parâmetros seria baixa velocidade média, indicativa de congestionamentos, o que permitiria a escolha de rotas alternativas prematuramente.

Navegadores de bordo deveriam, também, ser estimulados no Brasil a fim de facilitar o fluxo nas cidades. Ao contrário, o excesso de regras — ramo tosco da improvisação geral — impede que estejam colocados no painel, gerando imagens de mapas digitais com o veículo em movimento. Isso é permitido no resto do mundo, enquanto aqui o motorista será obrigado a parar para consultar a tela. Mas dispositivos portáteis existem e não têm como ser fiscalizados com facilidade, transformando a regulamentação em letra-morta. A Delphi lança o primeiro navegador portátil, especialmente desenvolvido para essa função com comandos por toque na tela, até novembro. Entre as vantagens está a de poder retirar e levar de um carro para outro.

Improvisar deveria apenas rimar com planejar, e ser o menos importante nos assuntos de trânsito.

RODA VIVA

ATENDER o mercado crescente de câmbios automáticos está por trás da decisão da Ford de lançar em outubro, no Salão do Automóvel de São Paulo, o EcoSport com opção desse equipamento, na versão 4x2. Fábrica visa também às exportações, em especial ao México, onde já existe Fiesta brasileiro rodando com esse tipo de câmbio. Engenheiros mexicanos desenvolveram a aplicação.

PREVISÕES de Letícia Costa, da consultoria Booz Allen Hamilton, no seminário Budget 2007, da Autodata: preços de ferro e aço encerraram o ciclo de aumentos. Tendem a começar a cair já no próximo ano. Espera-se que fabricantes de veículos recuperem o fôlego e mantenham a profusão de promoções encadeadas, nos últimos tempos. Para alegria dos compradores.

TESTES de visibilidade traseira, boa iniciativa do Centro de Experimentação e Sgurança Viária Cesvi, deixaram mal os veículos que utilizam estepes externos pendurados na tampa. Cesvi trabalha para seguradoras. Pode ser indicativo de que, cedo ou tarde, apólices para modelos ostentando o discutível apêndice, por simples modismo, acabem ficando mais caras. Idea Adventure também vai nessa onda.

CONTINUA em forte queda a venda de pickups e utilitários nos EUA por razão dos aumentos de preço da gasolina. Marcas americanas colhem o resultado de pressões, em tempos passados, sobre regulamentos de consumo. Automóveis tiveram agudos apertos e prazos muito mais curtos para economizar combustível, enquanto os demais — e lucrativos — modelos continuavam na farra. Resultado: alto prejuízo e desgaste de imagem.

COURO já não é o único material apreciado para revestimento de bancos, em opção aos tecidos tradicionais. Bantec Recaro detectou que o neoprene sobe na preferência, em linhas esportivas de automóveis, porque, além da impermeabilidade, transmite sensação bastante ao toque.
_______________________________
E-mail: Comente esta coluna

Envie essa coluna para uma amigoa

Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors