Potencial para afetar a indústria mundial

Entre as incertezas atuais destaca-se a Opel, subsidiária alemã da GM
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Fernando Calmon
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- A confirmação do pedido de concordata da GM nos EUA e Canadá, em 1º de junho último, e o surgimento da “Nova GM” apenas 40 dias depois na forma de uma empresa estatizada já eram acontecimentos esperados. No entanto, ainda há movimentos por acontecer com potencial de afetar a indústria mundial, em médio prazo, inclusive no Brasil.

Quem se surpreendeu ao ver o governo americano assumir 60% do capital da GM, como garantia dos empréstimos efetuados, precisa consultar fatos históricos. É inédito nos EUA, mas, na Europa, a Renault, a Alfa Romeo e praticamente toda a indústria inglesa inclusive os ícones Mini, Jaguar e Land Rover sofreram estatização em momentos sem a profundidade da crise econômica atual. Mesmo a Volkswagen, talvez o mais saudável dos grandes grupos no momento, até hoje tem 20% de seu capital controlado pelo estado alemão da Baixa Saxônia com poder de veto. À exceção da VW, todas voltaram ao domínio privado e, certamente, a GM também – em prazo imprevisível.

Entre as incertezas atuais destaca-se a Opel, subsidiária alemã da GM, que é a origem de 90% dos Chevrolets feitos aqui. Tudo indicava que a empresa de componentes Magna e a Fábrica de Automóveis Gorky GAZ, em russo ficariam com 65% das ações. No entanto, o novo fôlego financeiro levou a GM a preferir a proposta do grupo financeiro belga RHJ por restar a possibilidade de comprar de volta, adiante, a participação. O governo alemão não concorda, pois financiará a operação com fundos públicos. Já a Fiat negociou mal e perdeu o negócio. Chineses da BAIC correm por fora sem muita chance.

O final incerto da novela Opel não impediu a GM do Brasil de anunciar o investimento de US$ 1 bilhão para ampliar a fábrica de Gravataí RS e desenvolver os sucessores de Celta/Prisma. A situação nos EUA, no entanto, atrasou em mais de um ano os planos da filial, o que pode afetar resultados futuros.

Outra situação esquisita é a do Grupo Porsche-VW. Ainda dona de 51% das ações do gigante alemão, o pequeno fabricante perdeu seu fôlego financeiro com a crise mundial e a luta para afastar a influência estatal na companhia. A VW, então, anexaria a Porsche, mas se torna uma operação cara demais em termos fiscais. Imbróglio a resolver, inclusive a participação de um grupo financeiro árabe do Qatar.

O cenário final da indústria mundial passa pelo que acontecerá no mercado americano. A antes inabalável Toyota terá tempos difíceis, pois de lá vem a maior parte dos lucros. Espera-se que, com maior ou menor força, Ford, GM e Chrysler – nessa ordem – terão produtos mais baratos e rentáveis com potencial de recuperar participação em médio prazo.

A recente pesquisa da J.D. Power apontou as marcas mais desejáveis pelo consumidor dos EUA. Esse ranking não se confunde com o de satisfação inicial com o produto. A Porsche venceu pelo quinto ano consecutivo e a Lexus marca de prestígio da Toyota foi a sétima. Já Volkswagen aparece em 13º e Toyota, em 33º. Claro, interessa que a Toyota vende muito mais, porém uma sintonia fina Porsche-VW tem potencial de, aos poucos, corroer lucros dos outros e, em consequência, capacidade de investir e de manter posições confortáveis no mercado.


RODA VIVA


APESAR das rusgas recentes entre GM e Fiat, fora do Brasil, a Fiat deve prorrogar o contrato de compra dos motores Chevrolet, Família 1, de 1,8 litro. Previsto para terminar em março próximo, Betim tem interesse em continuar oferecendo esse motor por seu custo inferior a outros de menor cilindrada. Para a GM, na situação atual, também não é mau negócio.

SAIU o ranking europeu dos modelos mais vendidos, no primeiro semestre, compilado pela consultoria Jato. Com o recuo da comercialização de veículos em quase todos os 28 países pesquisados, modelos mais caros, como o Passat, perderam espaço. O Golf manteve a liderança, seguido por Fiesta, Peugeot 207/206, Corsa, Punto, Focus, Panda, Clio e Astra.

TOUAREG, graças à oferta maior e à atuação coordenada fábrica-concessionárias, cresceu 125% em vendas no primeiro semestre de 2009 contra 2008. Trafegando na faixa de R$ 180 mil V-6 a R$ 270 mil V-8, a versão mais cara destaca-se pela oferta de equipamentos. Fora a diferença de potência 310 cv x 385 cv, comporta-se dinamicamente como o Cayenne, projeto conjunto Porsche-VW que deu certo.

PROLIFERAÇÃO de lançamentos no mundo levou à escassez de combinações de letras nos novos modelos. É comum a confusão, porém os fabricantes preferem manter o prestígio das letras, algumas de longa tradição. Exemplos mais recentes: os cupês Peugeot RCZ e Honda CR-Z. Ambos muito bonitos, mereceriam nomes no lugar de siglas repetitivas..

APÓS três anos de interrupção, voltam em agosto os testes de certificação de profissionais da reparação automobilística. Os padrões são iguais aos da entidade americana especializada ASE. Mais de 70.000 brasileiros foram aprovados em dez anos, com nítida melhora de qualidade dos serviços em oficinas.


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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors e em uma rede nacional de 63 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto Inglaterra.

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