Preço do usado tem a maior queda em oito anos

Redução de 2,14% no preço é a maior desde 2000, quando foi iniciada a pesquisa AutoInforme/Molicar.
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O impacto da crise no setor de usados foi fulminante. Os preços despencaram nos últimos dois meses e com a perda do valor do bem, muita gente deixou de trocar o usado pelo novo, desaquecendo ainda mais o movimento do setor. A pesquisa Autoinforme/Molicar, feita com base em onze mil anos-modelos carros usados fabricados de 1999 a 2008, mostrou uma queda de preços de 2,14%, a maior desde que os estudos foram iniciados, em 2000.

Há casos de quedas mais expressivas, de até 20% em apenas um mês. Foi o caso do Mercedes Benz SLK 230 Kompressor, ano 2003, que era cotado por R$ 150 mil em outubro e teve o preço reduzido para R$ 120 mil. O Fiat Marea Turbo 2.0, ano 1999 ficou 19,6% mais barato, com seu preço caindo de R$ 20,4 mil para R$ 16,4 mil.

O preço do Hyundai Tucson 2.7 GLS 4x4, ano 2007, caiu de R$ 81.880 para R$ 68 mil, uma redução de 16,9%. O Toyota Corolla XLI 1.8, ano 2001, ficou 16,2% mais barato. Cotado por R$ 23.880,00 no fim de outubro foi encontrado por R$ 20 mil em novembro.

A pesquisa detectou queda de mais de 10% em mais de 200 modelos. Mesmo carros que são muito procurados, como Gol, Palio e Corsa ficaram mais baratos. A queda foi generalizada.

Os carros usados de 2003 foram os que mais caíram de preço no mês. A variação por ano de fabricação oscilou entre 1,79% 2008 a 2,46% 2003. Veja o quadro.

Desde 2006 que o preço do caro usado vem caindo. O aumento expressivo na venda de carros novos dos últimos anos aumentou a oferta no setor de usados e conseqüentemente o preço caiu.

A pesquisa apurou uma leve alta de 0,36% no preço do usado durante todo o ano de 2005. Em 2006 a queda foi brusca: - 7,2% e no ano passado outra queda significativa, de 5,3%.
Neste ano a queda de preço vinha sendo bem mais branda, por conta da grande demanda no setor por causa do aumento do poder aquisitivo da classe média e das facilidades de financiamento. Tanto que mesmo considerando a queda de 2,14% registrada em novembro o carro usado perdeu apenas 2,3% nos onze meses do ano.

A queda de preços em novembro dificilmente será revertida. A tendência é de novas desvalorizações nos próximos meses, mesmo que o mercado de novos se recupere. Isso porque há temor entre os comerciantes de investir no estoque, por causa da instalibidade internacional. As concessionárias só aceitam o usado como parte de pagamento se o preço for bem abaixo das cotações do mercado, caso contrário não conseguem girar o estoque.

Os lojistas independentes não estão comprando. Só arriscam em carros de alto giro, mesmo assim jogam o preço lá em baixo.

Por enquanto o consumidor resiste a entregar o seu valioso bem por preço tão baixo, mas quem quiser trocar o usado pelo zero terá que aceitar as miseráveis ofertas feitas pelas concessionárias

Alessandro Teixeira, 36 anos, de São Paulo, tentou negociar o seu Fiesta Personalite 2003, com motor 1.0 numa troca com um Civic. Fez uma pesquisa e o menor preço que encontrou no seu Fiesta foi R 18 mil. Pediu R$ 17 mil como parte de pagamento em um Civic LX automático, que custa R$ 62 mil. A concessionária Honda ofereceu R$ 13 mil e não aceitou contra-oferta. Alessandro não fez o negócio.

Por marca, os carros da Honda foram os que mais caíram de preço, 4,05% seguidos pelos da Audi, 3,97%. Os carros da Citroën foram os que menos caíram de preço, 1,08%.
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Joel Leite joelleite@autoinforme.com.br é diretor da agência de notícias especializada no setor automotivo AutoInforme. Produz e apresenta o quadro sobre automóveis no programa Shop Tour e fornece informações para vários veículos de comunicação. É especialista no mercado de automóveis desde 1984, quando começou no Jornal do Carro do Jornal da Tarde. Joel é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduado em Comunicação e Semiótica.


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