Proconve: o programa que deu certo

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Fernando Calmon
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- O Governo Fcaptional historicamente tem deixado muito a desejar na área de regulamentação do setor automobilístico, em especial na área de segurança. As normas técnicas continuam muito defasadas, quando, na maioria dos casos, bastaria seguir as diretrizes da Europa já estudadas em profundidade. Como mais de 90% dos modelos brasileiros são de origem européia, bastariam adaptações cosméticas. Há, no entanto, uma exceção.

Trabalhando em silêncio, o Ministério do Meio Ambiente criou em 1986 o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores Proconve. Ao completar 20 anos em 6 de maio próximo, transforma-se na única iniciativa de sucesso total e um exemplo de como o governo pode e deve regulamentar assuntos técnicos com competência e espírito público. Um dos acertos foi estabelecer cronogramas viáveis, além de deixar a coordenação sob os cuidados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente Ibama e atribuir à Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental Cetesb de São Paulo a homologação de veículos em âmbito nacional. Todas as metas foram cumpridas e, às vezes, antecipadas.

A Associação Brasileira de Engenharia Automotiva organizou um seminário recente em São Paulo SP para um balanço de duas décadas do Proconve e discutir futuras legislações, pois este é um programa permanente. A capital paulista tornou-se o melhor exemplo dos bons resultados pelas reduções drásticas de monóxido de carbono, apesar de a frota ter dobrado. O médico Paulo Saldiva, pesquisador dos efeitos da poluição sobre a saúde pública, pediu maior atenção a substâncias como óxidos de nitrogênio e material particulado, cujos maiores emissores são os motores a diesel. Ricardo Linke, da Cetesb, acrescentou a preocupante emissão de aldeídos fórmicos por parte de motores a diesel desregulados.

Gabriel Branco, da consultoria Enviromentality, lembrou que a formação de ozônio no nível do solo, embora estabilizada, precisa de maior controle. O coordenador do Proconve, Paulo Macedo, do Ibama, realçou o sucesso também do Promot, destinado às motocicletas, que em apenas seis anos cumprirão os objetivos. Macedo externou a preocupação com uma liminar que há três anos dispensa, na prática, os instaladores de kits de GNV do Estado do Rio de Janeiro de cumprir a legislação ambiental. A disputa judicial aberta pelo Sindirepa-RJ sindicato de oficinas foi tentada pelo Sindirepa-SP, mas neste caso não obteve êxito. Lamentável que o potencial inibidor de poluição do gás natural seja simplesmente descartado por mesquinharias de categorias profissionais.

Até o momento apenas os fabricantes de veículos mostraram esforços tecnológicos, mas agora a evolução depende mais da qualidade dos combustíveis. Essa é obrigação da Petrobrás e a empresa está atrasada no cronograma. Sua participação no seminário frustrou os presentes. O representante da estatal, Frcaptionico Kremer, apresentou uma queixa — discreta, porém descabida — sobre dificuldades de planejamento trazidas pelo advento dos motores flex. Com as vantagens ambientais do álcool no lugar da gasolina, não era o fórum adequado para estratégias de negócios.

RODA VIVA

PEUGEOT 307 hatch, com a nova frente que o deixou igual ao modelo francês, está sendo apresentado esta semana na Argentina e dentro de um mês deve chegar ao Brasil. Versão sedã prevista para junho, também é fabricada em Palomar Buenos Aires. Acabou atrasando porque a fábrica não desejava lançar o carro com o estilo atual, como ocorre no 307 sedã produzido na China.

POR falar em China, houve recuo de executivos que andavam exortando fornecedores de autopeças a importar mais, aproveitando o real valorizado. Amenizaram os discursos levemente ameaçadores porque precisam dos parceiros e sabem dos problemas logísticos. Mas a GM já está trazendo pneus chineses para complementar a produção do Celta.

CHRYSLER 300 C oferece vantagens em relação a outros importados por R$ 180.000,00. Suspensões, transmissão e controles eletrônicos de origem Mercedes-Benz formam um conjunto coerente com o motor V8 Hemi de 340 cv tipicamente americano. O carro esbanja espaço e equipamentos. Acelerações empolgam, porém a suspensão é macia demais quando exigido em curvas.

TRAÇÃO 4x4 e motor 4-cilindros agora com 203 cv aumentam a competitividade da pickup pesada F-250, única fabricada aqui. A Ford optou pelo motor Cummins de injeção eletrônica, 30 kg mais pesado que o 6-cilindros anterior, para melhorar o desempenho sem grandes reflexos no consumo de diesel. O resultado final ficou muito bom, especialmente em retomadas na mesma marcha.

LEITORES se manifestam contra e a favor do uso de engates de enfeite ou “esportivo”, como um deles se referiu. Houve até quem caísse na brincadeira de 1 de abril da marca inglesa Lotus. Ela distribuiu desenhos de computador de uma pickup derivada do modelo esporte Elise, exibindo barras no teto e um vistoso engate-bola na traseira. Era só mais uma demonstração do refinado humor inglês...
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

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