Queda: Fiat, Volks e Ford

Grandes montadoras não acompanham crescimento do mercado
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– Quando o consumidor tem só R$ 30 mil para comprar um carro zero, não tem escolha: vai levar pra casa um popular 1.0 com, no máximo, direção hidráulica. Quem sabe o ar-condicionado. E muito provavelmente de uma das quatro marcas tradicionais, pois além delas somente a Renault e Peugeot só venda pela internet têm carros nessa faixa de preço.

A rigor, com menos de R$ 30 mil o consumidor tem apenas oito entre as 186 opções que o mercado brasileiro oferece: Celta, Mille, Ka, Clio, Gol City, Peugeot 206, Corsa Classic e Palio Fire, sendo que as quatro últimas são versões de modelos que já foram reformulados mas usam a carroceria velha.

Mas se o sujeito melhorou o padrão de vida, pode investir R$ 40 mil, R$ 50 mil ou mais num automóvel, as suas opções aumentam muito: estamos falando de quase duas centenas de carros de marcas e estilos bem diferentes daqueles que o novo consumidor médio brasileiro estava acostumado a comprar.

O balanço do semestre mostra com clareza a busca desse novo consumidor por um carro diferenciado: mais equipado, mais confortável, mais potente, maior, mas, sobretudo diferenciado. Tecnicamente, ele sabe, as diferenças são poucas entre uma marca e outra. Mas no mercado de consumo a griffe também conta. A busca do status é o passo seguinte à necessidade.

Com exceção da GM, que cresceu 31,9% no semestre, todas as outras marcas tradicionais – Volks, Fiat e Ford – não acompanharam o aumento do mercado este ano, que foi de 30,06%.

Das marcas de automóveis que mais cresceram, apenas a Renault tem versões 1.0. A Nissan apostou no setor de hatchs e sedãs médios, com o Tiida e o Sentra, carros que custam entre R$ 53 mil e R$ 63 mil. Foi a marca que mais cresceu este ano. É verdade que ela partiu de um patamar muito baixo: 4.251 unidades no primeiro semestre de 2007, mas teve um crescimento espetacular, 130,32%, vendeu 9.791 unidades este ano.

Marcas que mais cresceram

A Renault vendeu 58.613 unidades, sua melhor performance desde que iniciou a produção no Brasil, em 1998. O crescimento foi de 91,83% em relação a janeiro-junho do ano passado, graças às novidades: em menos de um ano a empresa lançou dois carros totalmente novos, o Logan e o Sandero. Mesmo no caso do Logan, que é o carro de entrada, metade das vendas é de motor acima de 1000cc.

Cinco das sete marcas que cresceram acima da média do mercado não têm carros pequenos de entrada. Nissan, Citroën, Honda, Mitsubishi e Volvo só trabalham com modelos que custam acima de R$ 40 mil. Os carros mais baratos dessas montadoras são o C3 e o Fit, que começam com R$ 42, mas vão até R$ 55 mil. O grosso das ofertas, entretanto, são de carros como o Volvo C30, um hatch de R$ 90 mil, o C4 Pallas, que custa a partir de R$ 65 mil e vendeu no semestre 9.811 unidades.

O Sentra, sedã médio da Nissan, teve um crescimento espantoso este ano, 146,42%, apesar de ser um carro de R$ 60 mil. Vendeu 4.093 unidades no semestre. Até carros de R$ 100 mil tiveram vendas excepcionais, caso do Air Track, o crossover da Mitusubishi, que cresceu 49,59% com vendas de 1.047 unidades. Isso sem falar do Civic, sucesso de vendas da Honda, que vendeu 31.226 carros em seis meses, aumento de 58,25% em relação ao primeiro semestre do ano passado.

Esses carros levaram seus fabricantes a um aumento de vendas acima da média. A Citroën cresceu 80.93%, saltando de 19.034 unidades nos seis primeiros meses do ano passado para 34.439 neste ano. A Honda teve um aumento de vendas de 52,16% passando de 36.519 para 55.569 unidades, a Mitsubishi saltou de 12.583 para 19.117 carros vendidos, um aumento de 51,93%, e a Volvo de 3.588 para 5.149, 43,51% a mais do que no primeiro semestre do ano passado.

A GM foi a única grande que cresceu acima da média: um aumento de 31,96%, enquanto o aumento de vendas total foi de 30,06%.

Líder, a Fiat aumentou as vendas em apenas 26,41%. A Volks cresceu 22,79% e a Ford teve um dos piores desempenhos, com aumento de vendas de apenas 8,87%, na frente apenas da Toyota, que ainda não emplacou o novo Corolla e da Audi, que não apenas não cresceu, mas perdeu 45% das vendas em relação ao ano passado.


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Joel Leite joelleite@autoinforme.com.br é diretor da agência de notícias especializada no setor automotivo AutoInforme. Produz e apresenta o quadro sobre automóveis no programa Shop Tour e fornece informações para vários veículos de comunicação. É especialista no mercado de automóveis desde 1984, quando começou no Jornal do Carro do Jornal da Tarde. Joel é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduado em Comunicação e Semiótica.


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