A questão do seguro: falta mentalidade

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Fernando Calmon
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- De tempos em tempos, voltam ao debate modificações do seguro obrigatório, como é mais conhecido o prolixo DPVAT Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres: ufa!. Uma das propostas recentes, em discussão na Câmara dos Deputados, é dispensar seu pagamento para quem já possui o tradicional seguro contra terceiros danos pessoais e materiais com valor contratado no mínimo igual ao DPVAT. Isso isentaria a totalidade dos que optam por aquelas coberturas extras, pois as indenizações do seguro-imposto são de apenas R$ 13.479,48, em caso de morte ou invalidez permanente, e R$ 2.695,90 para despesas médicas. Óbvio, sem nenhum dano material estar coberto.

Em princípio trata-se de um pleito justo, mas de difícil implementação pelos controles burocráticos adicionais. Apesar das falhas e iniqüidades, o DPVAT na prática é um seguro social desde 1974. Prevê indenização até rápida, sem discussão de culpa, incluindo pedestres e todos os ocupantes dos veículos, mesmo sem que os proprietários tenham pagado a apólice, aliás, fisicamente inexistente. As fraudes ainda respondem por uma parte dos custos, mas já foi bem pior. Não é mais também a caixa-preta do passado, pois na Internet se encontra tudo sobre o assunto, em um sítio exclusivo: www.dpvatseguro.com.br .

Para evitar a dupla incidência, a arrecadação dos prêmios com certeza vai diminuir. E aí, caro leitor, se sabe de antemão o final que não é feliz. O seguro obrigatório iria encarecer, porque seu equilíbrio financeiro atual é tênue ou deve dar mesmo prejuízo líquido às seguradoras. O projeto em discussão deveria prever isso. Talvez exista a possibilidade de compensar a arrecadação menor com a retirada de vários penduricalhos inaceitáveis, desde a criação do DPVAT em 1974 e “aperfeiçoados” ao passar tempo. Nesse caso, feitas as contas, a coluna defende com ardor a mudança.

Ainda está pouco enraizada, no motorista brasileiro, a cultura de contratar seguro para danos pessoais e materiais causados a terceiros em acidentes, ao contrário do que ocorre em países desenvolvidos. A União Européia aprovou uma diretriz ao setor até 2010, autorizando a cobertura mínima do equivalente a R$ 3 milhões por vítima e até R$ 5 milhões por acidente. São valores estonteantes, mas normais em sociedades abastadas que respeitam muito o patrimônio pessoal e material.

Aqui a realidade é outra. Carros a partir de sete ou oito anos de uso têm o seguro inviabilizado pelo custo das peças e os riscos de roubo para desmanche, frente ao preço a pagar pela apólice. Em geral, se abandona o sistema, apesar das tentativas de oferecer alternativas para veículos idosos, que também se mostram inviáveis, como a idéia do seguro popular que não decolou. Muitos desconhecem que, com pouco mais de R$ 400,00 por ano, é possível adquirir uma cobertura de R$ 60.000,00, em favor de terceiros, para danos pessoais e mais R$ 60.000,00 para ressarcir danos materiais. Mais barato em proporção ao DPVAT e pouco divulgado por corretores e seguradoras.

No fundo, o que falta é mentalidade para se precaver de atos fortuitos.

RODA VIVA

CONFORME antecipado pela coluna, há cerca de um ano, versão sedã do Citroën C4 será produzida na Argentina em 2007 e chega aqui no primeiro semestre. O modelo acaba de ser apresentado na China, onde também é fabricado. Versão hatch, importada da França, também só em 2007. Para não bater de frente com o Peugeot 307 sedã, o C4 é maior. Mesma estratégia da GM com novo Vectra e Astra.

STATION SpaceFox — à venda em abril — se chamará Suram, na Argentina, seu país de origem, e SportsVan, no México, para onde também será exportado. Como o estilo da carroceria fica num meio-termo entre station e minivan compacto, o derivado do Fox vai se apresentar ao mercado segundo conveniência ou interpretação local. Terá apenas motor de 1.600 cm³/103 cv.

FIAT Idea com motor de 1.800 cm³/114 cv é outro carro, se comparado ao de 1.400 cm³/81 cv, em especial no uso rodoviário. Motor mais ruidoso, de fato, oferece boas retomadas e consumo de combustível relativamente melhor que o motor menor, pelo desempenho oferecido. Preço mais acessível se impôs: versão mais potente responde por só 30% das vendas. Pedais deslocados para o centro são dos poucos senões.

CRIATIVIDADE sem limites levou a empresa Keko a imaginar o sucedâneo dos falsos engates, com previsão de proibição a partir de abril. Um pedaço de cano sobre o pára-choque traseiro, já oferecido no kit Off-Road do Celta. Estética pavorosa, gosto não se discute. Numa batida forte, aumentam riscos de lesão na coluna cervical dos ocupantes.

CERTOS atavismos devem ser esquecidos nos carros modernos. Um deles é utilizar simultaneamente freios e caixa de câmbio. Além de não encurtar a distância até parar, a potência dos freios de serviço é muito maior do que a do freio-motor. Este só deve ser utilizado em longas e pronunciadas descidas, a fim de evitar a perda de eficiência dos freios por calor excessivo.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

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