Respeito merecido

Brasil está avançado no chamado etanol de primeira geração
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Fernando Calmon
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- Até agora muito se falou em alternativas elétricas para os automóveis. Porém, no momento, há mais gestos simbólicos do que progressos. A Petrobrás, por exemplo, acaba de inaugurar no Rio de Janeiro o primeiro eletroposto público no País a oferecer recarga de veículos elétricos a partir de energia solar. A empresa espera atender uma demanda crescente a partir de uma base ainda quase inexistente. Há iniciativas no exterior, principalmente da Renault, para projetos específicos dentro de três anos em Israel, Dinamarca e Portugal, territórios sem exigência de grandes deslocamentos.

A Toyota também acena para carros elétricos em 2012, mas adianta que ainda faltam avanços às promissoras baterias de íon de lítio. A marca japonesa, primeira a apostar com firmeza nos automóveis híbridos a combustão-eletricidade, acha interessante a troca de baterias em postos em vez de recarga, desde que se alcance uma padronização ainda bem embrionária. Em declarações ao site inglês Just-auto, Masatami Takimoto, vice-presidente de pesquisas e desenvolvimento, ressaltou que cada país tem uma situação energética e se deve apostar “no carro certo, no lugar certo e na hora certa”.

Nesse cenário, entende-se o sucesso da II Ethanol Summit Cúpula do Etanol, promovida pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar Unica que representa usinas responsáveis por 60% da produção brasileira do combustível renovável. O evento realizado semana passada, em São Paulo, demonstrou o interesse internacional pelo tema e em quanto o Brasil está avançado no chamado etanol de primeira geração. Mesmo sem modificações genéticas nas mudas de cana ainda sob restrições infundadas, a produtividade não parou de crescer – em média 4% ao ano – desde 1975 quando se lançou o Proálcool. E ainda há melhorias em vista, sem aumento da área plantada.

Para Marcos Jank, presidente da Unica, “o etanol de segunda geração, a partir de celulose da própria cana, tem potencial de produzir perto do dobro na mesma área. A quase total mecanização da colheita chegará no momento certo para aproveitamento da palha, hoje queimada. Empresas no exterior trabalham também na utilização de resíduos agrícolas, orgânicos e industriais para obter etanol”. Ele destaca ainda a potencialidade crescente de geração de bioeletricidade, equivalente a duas usinas hidroelétricas do porte de Itaipu.

O ponto alto dessa cúpula foi o etanol de terceira geração. Já existem ações em curso para produção de plásticos, porém duas empresas demonstraram o potencial de obtenção de diesel, gasolina e querosene de aviação originados de açúcares, a partir dos quais a cana é imbatível. Criam-se, assim, novos mercados de biocombustíveis como alternativa aos de origem fóssil petróleo e gás natural, contornando barreiras de cunho político impostas por outros países, às vezes por pura ignorância da realidade.

Ficou claro que ao Brasil sobram possibilidades de atender suas necessidades energéticas limpas e exportar tecnologia, equipamentos e o próprio combustível. Veículos híbridos e elétricos, pelo menos por aqui, dificilmente vão superar o nível de mera curiosidade, apesar do respeito que merecem.

RODA VIVA

PELA primeira vez, mesmo em entrelinhas, Jaime Ardila, presidente da GMB, admitiu que motores turbocomprimidos integram a futura produção da nova fábrica de Joinvile SC. Essa unidade de motores, no entanto, sofrerá atraso – ainda não reconhecido oficialmente – por questões de mercado.

COMPLICAÇÕES judiciais atingem a saída do regime de recuperação concordata da Chrysler, nos EUA. A Fiat ameaça abrir mão da parceria anunciada, por si só já envolta em muitas dúvidas sobre viabilidade financeira e comercial.

OUTRO mês de bom ritmo de vendas e quase estabilidade no número de empregos, em maio passado, de acordo com a Anfavea. Média diária de vendas 12.349 unidades foi 2% superior a maio de 2008. Estoque total de 26 dias, igual ao de abril, mostra que falta de carros é pontual, para alguns modelos específicos.

PUNTO T-Jet, apesar de nas vendas do compacto premium da Fiat representar só imagem, mostra qualidade dinâmica de primeiro nível, bons bancos e acelerações empolgantes do motor turbo. Diâmetro de giro ruim, em razão de rodas e pneus largos, dificulta ao estacionar. Volante um pouco enviesado, que passa na versão comum, incomoda na esportiva.

AMAROK, nome estranho para a primeira picape média 1.000 kg de capacidade da VW, chega no fim do ano, da Argentina. Uma marca que utiliza denominação tão emblemática e sonora como Constellation nos caminhões negócio vendido há pouco para a MAN, poderia ser mais criativa e menos exótica na escolha.

ALÉM de permitir qualquer veículo importado, com tela original multimídia, navegar por cerca de 300 cidades brasileiras, o Navbras GPS Box tem nova versão específica para um dos toca-DVDs da Pioneer. Mais um exemplo de convergência de funções, crescente em eletrônica de bordo.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 63 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto Inglaterra.

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