Salão de Frankfurt

Novidades: muitas lá, poucas cá
  1. Home
  2. Pit-Stop
  3. Salão de Frankfurt
Roberto Nasser
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

Internacionalmente é o IAA e se autorrotula, como todas as demais mostras do setor, como o de maior relevo. Tem certa razão. É o maior em porte, prédios e níveis. Diz o folclore, jornalista inglês usou um podômetro e aferiu 14 km de caminhada reta percorrendo toda a mostra.

Neste ano, 1.012 exibidores com 183 novidades, 89 de montadoras, e sólida presença em veículos com tecnologias verde-alternativas, elétricos, diesel-elétricos, gaso-elétricos, coisa festiva, e desenvolvimentos pontuais em componentes e sistemas para reduzir consumo e emissões, barreiras legais ao uso de veículos na Europa.

Na prática

Lamentavelmente, entretanto, destas novidades, poucas aqui chegarão. E, pior, via importadores, pois os novos veículos das marcas com operação industrial no Brasil tomaram o caminho do desnível técnico, em usual mixagem com produtos antigos, criando nova categoria veicular – a Mercosul.

Assim, o Volkswagen UP!, sobre o qual a marca alemã despejará rios de euros para apresentá-lo como o mais barato da família, dificilmente chegará aqui. O conceito Evos Ford, sedã hatchback mais largo, com óbvia otimização de espaços, influenciará nova geração mesclando dirigibilidade e tecnologia adaptativa a confortos e condução. Da possibilidade de chaves-na-mão, o lançamento do novo Focus somente se refletirá no Brasil quando a banda americana o exigir. De coisas factíveis, o novo Porsche 911, variações Carrera e GT – que mudou tudo para parecer não haver mudado – aparecerá ao querer dobrar suas vendas mundiais, sendo o Brasil dos mercados de maior expansão. Na mesma renca, os Kia Rio e o conceito GT, sobre a maior plataforma Hyundai-Kia.

O conceito You exibido pela Volvo sinaliza os modelos da marca nos próximos anos. Desenho com a limpeza escandinava, teto longo com a atual mania de fazer perfil de coupé em sedã, e intensa eletrônica, tecnologia intuitiva baseada em tablets, e o contraste de conceitos no interior de maneira artesanal, e os comandos através de telas por toque, transmitindo dados ao espelho retrovisor. O som, apurado, emprega insólita tecnologia Alpine com ar, e o interior tratou todos os ocupantes no mesmo nível. Os revestimentos em couro, com Alcântara, no teto e dividindo as laterais com tecido de alfaiataria dão-lhe destaque.

Fisicamente reduz entre 100 e 150 kg no peso global, e a nova família de motores com 4 cilindros tem rendimento dos atuais 6. No lápis... 60% menos em peças; motores 90 kg mais leves; consumo menos 35%. Em componentes, a transmissão automática ZF com 9 marchas aparecerá em BMWs e Mercedes, prometendo economia de 16% em combustível e emissões relativamente ao modelo com 6M. No caminho verde, pneu Continental otimiza rolagem em até 3%

Roda-a-Roda

Modos – Matriz da Volkswagen lamentou publicamente que a Suzuki, com quem tinha entendimento negocial, haver comprado motores diesel Fiat.

Troco - Provocado, herdeiro, presidente e octogenário Osamu Suzuki cortou frio e fundo como um golpe de Katana: disse no acordo nada havia a aprender com a Volkswagen, e mandou encerrá-lo. Cortou as pretensões da alemã em usá-la como líder do mercado indiano onde crescer para a VW é básico no projeto de ser líder mundial em 2018.

Risco – Equilibrando-se para conseguir socorro-ponte do grupo chinês que a adquiriu, a SAAB pode ter falência decretada. Dois sindicatos pediram sua insolvência alegando dever os salários de agosto.

Korando – Creditando o sucesso dos concorrentes coreanos a design ocidental, a SSangYong contratou a Italdesign e Giorgetto Giugiaro – antes da venda para a VWAG – para re acertar o SUV Korando. Trabalho amplo, linear, mas contido. Mudou plataforma, carroceria. Motor diesel, quatro cilindros, injeção direta, turbo. 2.0, 16V, 175 cv a 4.000 rpm, câmbio com 6M, automático ou manual. De R$ 89.900 a R$ 119.900.

EcoRenault – O Duster, miniutilitário esportivo, uma espécie de visão da Renault sobre o Ford EcoSport, iniciará ser vendido em outubro. Fontes da empresa dizem, projeto combina resistência aos buracos urbanos e relativa habilidade para o fora de estrada. Usa a rude base do Logan e Sandero, resistente a jogo duro. Sucesso? Preço dirá.

Muda – A Ford anunciou produzir na Europa o motor 1.0, três cilindros, turbo, como base de seus produtos. Aqui, médio prazo, substituirá o Zetec.

Sintoma – Montadoras concedem férias e licenças para harmonizar estoque das fábricas e revendedores e os balcões de vendas.

Projeto – Atual modelo nacional, para muitas montadoras, se baseia em peças e conjuntos comprados no exterior, desnacionalizando a indústria automobilística, gastando divisas, dando emprego no exterior, gerando desemprego local.

Pré – A Nissan faz passeio pelo nacional mostrando o Leaf, primeiro elétrico produzido em larga escala, e o March, que iniciará vender a partir de outubro. Diz, completo, abaixo de R$ 30 mil – uns $ 29.900 – ser primeiro popular japonês. Selo generoso: a marca é japonesa, e o carro, mexicano.

Negócio – Os energéticos Red Bull e a Renault Sport F1 manterão parceria por mais cinco anos, com o desafio de novo motor para a Fórmula 1: 1.6; V6, turbo, e chassi equipado com Kers, o recuperador de energia. A Red Bull assumiu a equipe Renault, ganhou em 2010 e deverá repetir em 2011. Não é relação de cliente e fornecedor. Unir-se-ão em empresa própria.

Enfim – Gustavo Brasil, produtor de itens para restauração de veículos antigos, engenheiro, professor, fechou com o Centro Universitário Newton Paiva, em Belo Horizonte, MG, curso de extensão em antigomobilismo. Aberto á comunidade, abordará História, Design, Estilos, Restauração Automotiva, Avaliação para fins de originalidade. 36 horas/aula; R$ 306,00 início dia 17. Mais http://www.newtonpaiva.br/cursos/Curso.aspx?cid=6743

Gente – Cledorvino Belini, administrador, presidente da Fiat e da Anfavea, 60, premiado. Personalidade Mundial de Vendas 2011, pela fcaptionação dos dirigentes de vendas. Francesco Abbruzzesi, italiano, engenheiro, 40, co-optado. Deixou a Fiat na Europa, será Diretor Geral da Citroën no Brasil. Ivan Ségal, 40, hoje no cargo, será Diretor da Citroën AL, reportando-se diretamente a Carlos Gomes, presidente da PSA Peugeot Citroën Brasil e AL. Julio Arcoverde, político, novo diretor geral do Denatran.


Há um século a Ford se internacionalizou

Há 100 anos a Ford iniciou, pioneiramente, projeto de expansão mundial. Com oito anos de operação encadeada, rentável e sem sustos, e crescente sucesso do icônico Modelo T, Henry Ford entendeu que as características do veículo davam-lhe aplicação mundial. E criou a primeira filial fora dos EUA, na Inglaterra, exportando componentes para montar o valente T.

Diferia-o dos modelos norte-americanos, o volante de direção à direita. Em 1932, com a substituição do motor A pelos pioneiros V8, e pelas características mercadológicas britânicas, taxando os veículos por cilindrada, criou o Modelo Y, específico para a Inglaterra. O motor, quatro cilindros, menos de 1.000 cm3, sobreviveu décadas, equipou os míticos Lotus 7, serviu de base para monopostos de corrida, Fórmulas Ford, Junior e 3, e no Brasil, chamado Endura, 1.3oo cm3, equipou Fiesta e Ka.
A experiência com os ingleses e o T com volante à direita fomentou operar em outro continente, a América do Sul, em 1915 na Argentina e daí enviando veículos ao Uruguai. Ambos, então, adotavam a mão inglesa.

De lá para cá as operações internacionais em todos os continentes e principais mercados criaram base local. Na prática, fazer verdade o slogan do Modelo T – “o carro universal” – espalhando-o pelo mundo, criou enorme rede operacional extra-EUA. Foram as que lastrearam a Ford em seu projeto de re-vitalização, iniciado antes da grande crise que puniu a Chrysler e reduziu a GM, e mantiveram a companhia longe do socorro oficial e com controle pelos acionistas familiares.

As opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.


Leia outras colunas de Roberto Nasser aqui

_______________________________
Roberto Nasser edita@rnasser.com.br , residente em Brasília, é advogado, especializado em indústria automobilística. Dentre suas ações de utilidade social se destacam a defesa para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e as propostas da criação da categoria do veículo de coleção, da dispensa de equipamentos modernos pelos carros antigos, da mudança de óptica sobre os colecionadores, da permissão de importação de veículos antigos, além da criação do Museu do Automóvel, na Capital Fcaptional, do qual é curador. Escreve sobre automóveis semanal e ininterruptamente há 41 anos e trata este ofício como diversão e lazer. Sua coluna “De Carro por Aí” é publicada em 15 mídias.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors