Troller T4, novela do IPI e últimas do segmento

Ministro Guido Mantega pediu calma até  definir o que fazer com a listagem dos veículos com importação autorizada
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Roberto Nasser
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Cearense Troller, braço da Ford para jipes, tem série especial de 45 unidades. Curiosa, diferencia-se da conhecida versão T4, pela quase exclusividade e pelo tipo de formatação, desenvolvida a partir de conversas, palpites e sugestões com assuntadores, interessados e potenciais compradores. Não se pode chamá-la novidade, pois o Desert Storm foi exposto no Salão do Automóvel em outubro passado. Da síntese entre o ideal e o possível, surgiu a conjunto identificado pela cor Bege Atacama fosco revestindo corpo e capota rígida removível.

Na prática exibe a dicotomia, o antagonismo visível nestes veículos: acessórios para a dura vida de trabalho, como o snorkel – tubo que eleva a tomada de ar para impedir a entrada de água no vadear rios -; guincho com capacidade de 4,3t de arrasto; para choques especiais com manilhas – ganchinhos barulhentos para amarrar cabos de aço, dando pinta de off-road extremo - protetores de lanternas e bancos com capa em neoprene.

Em contraposição, itens de conforto adicional: ar condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, desembaçador traseiro, bagageiro de teto, faróis de neblina, santantônio, bagageiro de teto, e usuais eixo traseiro antiderrapante Trac-Lok, rodas de alumínio, pneus 255/75 R15 AT, sistema de roda livre no eixo dianteiro, banco traseiro bipartido, rebatível e escamoteável, apoio para cabeça em todos os bancos. Ou seja, da para ir ao shopping com jeito de estar partindo para um safári. Ou ir ao safári como se fosse ao shopping.

Custa R$ 96.900,00 e ainda tem opcionais, com o kit com minicapota de lona na cor bege, cinta para desatolamento, patesca - uma roldana elegante, luvas.

Jornal do IPI

A novela do IPI incidindo sobre os veículos importados sem fábrica local está lenta em ações, veloz em mídia, mas em capítulos.
As liminares concedidas por juízes fcaptionais em Vitória e Ribeirão Preto, fazendo cumprira Constituição ao definir que imposto novo só pode ser cobrado 90 dias após a publicação do ato, entendimento válido em todo o país, e o discurso da Presidente Dilma na ONU querendo inserir o Brasil com mais seriedade no consenso mundial parece, geraram ataque de bom senso. E com ele o Ministro Guido Mantega, da Fazenda, sabendo da dificuldade dos procuradores do governo em rebater sentença que manda cumprir a Constituição, e lembrado que acordos internacionais de comércio são para ser seguidos, recebeu os importadores. Pediu calma, temperança e o não questionar judicialmente até definir o que fazer com a solicitada listagem dos veículos com importação autorizada.

Se a letra da lei for seguida em nome do respeito aos outros países, todas as importações autorizadas, mesmo com veículos ainda no pátio da montadora ou no porto de origem, estão sem incidência da nova regra, assegurado o direito a pagar o IPI sem aumento.

Até que mês tal proteção existirá depende do estoque de cada marca e de cada produto, mas o entendimento geral é que para os maiores importadores haverá veículos até a virada do ano.

Depois

Como fica o depois? Depende da capacidade de se mexer e de espernear dos sócios da Abeiva, e de mostrar que quando o preço sobe, as vendas caem. E que quando o movimento cai, a força de trabalho é dispensada. Como a medida oficial tem o rótulo de proteção aos empregos no Brasil, a persistir, o governo deve estabelecer quais os empregos de sua predileção – os das montadoras, ou os demais porque, de soldador em fábrica de autopeças a motorista do caminhão-cegonha, tudo é emprego brasileiro em risco. A briga entre montadoras e importadores é rude.

O primeiro remendo na legislação já foi costurado pelo governo brasileiro. Atendendo ao pedido do governo uruguaio, isentou os veículos lá produzidos - caminhõezinhos Kia Bongo, picapes Effa e automóveis Lifan - mesmo com índice de regionalização menor.

Segura – A importadora e sócia da Chery no projeto de construção de fábrica anunciada em Jacareí, SP, e uma importadora independente de Ribeirão Preto, SP, conseguiram as liminares de juiz fcaptional. Vale para todos os casos em todo o território nacional.

Quanto – carros importados deverão ter preços corrigidos. É de se imaginar diluir o impacto do aumento do dólar, quase 20%, para evitar que seja aplicado subitamente nos futuros lotes. A Volkswagen repassou R$ 5 mil para o preço do novo Tiguan.

Fica – Diz a Audi manter seus preços, sem aplicar o delta de aumento do IPI, até acabar o presente estoque de 900 veículos, e o cronograma de lançamentos de 16 modelos até o final de 2012.

Freia - A JAC suspendeu negociações para escolha de local para instalar sua fábrica e renegocia com a China as condições de exportação.

Solução - É de se esperar que, além do repasse do aumento do custo em dólar, os importadores enxuguem o preço final negociando com as matrizes, cortando empregos, diminuindo a verba de propaganda e a comissão das lojas. Bom não será.

Roda-a-Roda

Bala – Para assumir a liderança mundial em 2017, o grupo Volkswagen investirá sonoros 62.4 bilhões de euros – uns R$ 160B - em suas nove marcas e duas operações na China. Foca em preocupação ecológica, novas fábricas, produtos, pesquisa e desenvolvimento.

Mais duas - Carlos Ghosn, presidente da Aliança Renault-Nissan no Brasil próxima semana. Anunciará investir R$ 1,5B em duas novas fábricas, uma para cada marca. A da Nissan, possivelmente no Rio de Janeiro, se for acordo com Eike Baptista, para fazer carros elétricos Leaf e o March à razão de 220 mil/ano.

Time – Outra versão para o furgão Renault Master: Vitré, indicando mais janelas. A linha permite variados usos e demandas: Chassi-Cabine, Furgão, Minibus e Vitré, chassis curtos, médios, longos e tetos altos ou baixos.

Anúncio – A Nissan focou no Novo Uno para apresentar seu March. Na tv anúncio provocativo na TV sugere ser superficiais as mudanças no Fiat.

Criança – Um Ford Explorer construído por engenheiros da Ford será atração no parque temático Legoland, em Orlando, Flórida. Inauguração15 de outubro, para crianças de 2 a 12 anos, com mais de 50 atrações, shows, passeios, jardim botânico histórico, e a Escola de Direção Ford, para ensinar noções de trânsito.

Na massa – Usual é produtor de autopeças dar cursos de aprimoramento aos mecânicos para conhecer e bem trabalhar com seus produtos. A Mahle, que no Brasil absorveu a forte marca Metal Leve, amplia o foco: treinará profissionais nas retíficas em palestras gratuitas. Em outubro, Paraná, Paraíba e Pernambuco. Inscrições, Ricardo 11 5594-1010.

Fortão – Novo motor V16 da Scania é o mais forte no Brasil: faz 620 cv e marca a modelia 2012. Junto, nova geração de caixa automatizada, freio retarder mais possante. Na Fenatran, feira nacional do transporte, Anhembi, SP, 24 a 28 de outubro, terá também o caminhão semipesado P 270 100% a etanol.

International – Outra novidade da feira será o novo caminhão da sociedade Navistar + Caterpillar, a NC2. Chama-se Aerostar. Dificuldade da International é provar merecer confiança. Pioneira no país, mas foi-se embora duas vezes deixando frotistas no prejuízo. Lançamento em 2013.

Caminho – Grupo de empresários alemães virá ao Brasil prospectar negócios. Viagem ligada à festividade de comemoração dos 10 anos de queda do Muro de Berlim. Festividade mundial será no Brasil, e a personalidade do ano é o presidente mundial da VW, Martin Winterkorn. Os empresários são do estado da Baixa Saxônia, onde está a matriz VW.

Negócio – A Renault Sport F1 e a Red Bull Technology prorrogaram contrato com o Team Lotus para fornecer novos motores, chassis e o sistema Kers, regenerador de energia.

Antigos – Maior dos encontros de automóveis antigos na América Latina, a Autoclasica, Buenos Aires, 7,8 e 9 de outubro, reunirá 800 automóveis e fará homenagem especial aos 100 Anos do penta campeão Juan Manuel Fangio. Mais, 125 anos da Mercedes-Benz; centenário Chevrolet; 50 anos do Jaguar XK E. Atração paralela, exposição de monopostos históricos e das cupecitas de Carretera.

Aqui - Não comparável com os nacionais. Em especial pela preservação da frota que foi rica, e pelo cuidado com os carros de corrida. Aqui os de estirpe foram exportados por nossos cultos sabidos.

Gente – Renato Acciarto, 36, jornalista, mudança. Saiu da assessoria de imprensa da GM, onde estava há 6 anos, será Gerente de Assuntos Corporativos da Volkswagen. Antonio Megale, engenheiro, 50, desafio. Ascendeu à presidência da AEA, associação de engenheiros automotivos, para extensa agenda mudancista. David L. Schoch, engenheiro, 60, trabalho. Último posto da carreira, presidente da Ford China, responsabilidade de construir duas fábricas, lançar 15 veículos novos até 2015. A China é o grande motor da Ford.

Fiat 35 anos de Brasil? Esqueça. Mais de 100

A Fiat Automóveis festeja com competência e eventos seus 35 anos de operação na fábrica de Betim. Exibe conquistas, um orgulho de identificação com o país que nenhuma das montadoras estrangeiras conseguiu exprimir. Entretanto, a bem da história, há que se mudar o número. A Fiat está no Brasil, numa operação de montagem de veículos, desde 1907, quando os irmãos Grassi, tão oriundi quanto à marca, iniciaram receber, pintar e complementar automóveis e caminhões no Brasil.

A marca estava aqui desde 1903 com dois automóveis, e referenciais proprietários, o Conde Francesco Matarazzo, homem mais rico da América Latina, e o desportista também Conde Sílvio Penteado. Este ganhou a primeira corrida do país, o Circuito de Itapecerica. Em 1910 a Fiat se instalou oficialmente no Rio de Janeiro, com razão social adequada: Fiat Brasileira S/A. Era a capital fcaptional, base cultural, de moda e do poder. E, para dirigi-la, teve com certeza o representante mais longevo: Primo Fiorese. Ágil, envolvente, entrosado com o nascente movimento automobilista, tem recorde próprio e difícil de superar, mantendo-se na função durante 53 anos. Nomeou revendas, como A. Grimaldi para a nascente Belo Horizonte; a F Matarazzo em S Paulo; e Apulchro D´Alencastre na então inacessível Goyaz - para ir lá era via Salvador, Ba., Pantaleão Arcuri em Juiz de Fora, MG

Na virada da década de 20, após a Grassi ter montado quase todos os 275 Fiats circulando em S Paulo, a Matarazzo passou a representar a marca, receber e montar. Situação que diferia os Fiat dos demais automóveis montados no Brasil eram as três mãos de pintura que os automóveis recebiam, tornando-os brilhantes, e garantindo longevidade à pintura que, para os outros veículos era de curta duração.

Fiorese soube capitalizar a marca com promoção e vitória em corridas e raids, pela elegância e boa mecânica. Era competidor e, mesmo com mais de 70 anos, ganhou várias provas de subida de montanha com seu carro designado, um Fiat 1400, montado em São Bernardo do Campo, SP. Na década de ´50, com a mudança da legislação para induzir a nacionalização, a Varam Motors, então montadora dos norte-americanos Nash, assumiu a montagem dos Fiat até 1955. Neste ano encerrou-se a montagem e a representação nacional da marca passou à empresa Luporini S/A.

Mais? Próximo mês, aqui.



As opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.


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Roberto Nasser edita@rnasser.com.br , residente em Brasília, é advogado, especializado em indústria automobilística. Dentre suas ações de utilidade social se destacam a defesa para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e as propostas da criação da categoria do veículo de coleção, da dispensa de equipamentos modernos pelos carros antigos, da mudança de óptica sobre os colecionadores, da permissão de importação de veículos antigos, além da criação do Museu do Automóvel, na Capital Fcaptional, do qual é curador. Escreve sobre automóveis semanal e ininterruptamente há 41 anos e trata este ofício como diversão e lazer. Sua coluna “De Carro por Aí” é publicada em 15 mídias.

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