Um bom jogo

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Fernando Calmon
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- O Salão do Automóvel de Paris e sua tradição centenária continuam atraindo multidões, ajudado pelo charme da capital francesa que encanta mais de 44 milhões de visitantes por ano.

É uma das exposições mais longas — 16 dias, até 10 de outubro — para matar a avidez por novidades dos apaixonados ou nem tanto. Lançamentos mundiais autênticos limitam-se a pouco mais de 20, porém sempre há uma contagem mais flexível que os organizadores triplicam.

Este está sendo um salão com poucos devaneios em termos de modelos conceituais. Eles são menos numerosos do que em outras vezes e, ao mesmo tempo, evitam severos rompimentos com o pensamento estilístico atual. O Renault Fluence, por exemplo, é um cupê de quatro lugares de linhas fluidas, elegantes e com bom espaço interno para privilegiar o conforto. Já o sensacional Peugeot 907, um autêntico GT de nítida inspiração ferrarista, ainda precisa ser viabilizado comercialmente.

Muito interessante é o Mercedes-Benz conceitual Sports Tourer, um crossover que combina elementos de monovolume, perua e utilitário esportivo, já bem perto de se tornar o futuro Classe R em versão menor para a Europa. Particularmente atraente é o novo Classe A, alongado, inclusive com versão de duas portas. Abre caminho em breve ao Classe B, um anti-Scénic. Quem roubou mesmo a cena foi o todo-novo e bem aerodinâmico médio-compacto Citroën C4, embora a versão de duas portas tenha evidentes exageros na parte traseira. O monovolume compacto 1007 mostrou um bom trabalho conjunto da Peugeot e do estilista Pininfarina. A Renault responde com o Modus, algo mais ousado, com quase 1,6 m de altura, difícil de harmonizar.

Por outro lado, mesmo mantendo a tendência de dimensões maiores das novas gerações, o Focus evoluiu mais do que revolucionou quanto ao estilo, seguindo a escola Golf. A segunda geração do Porsche Boxster pegou o mesmo atalho, mudando só o que devia. Já Pininfarina foi menos feliz no novo Ferrari 430 sucessor do 360 Modena: o supercarro esporte sofreu alterações que macularam demais a sua pureza de linhas. Uma decepção.

O que se vê como tendência é o alongamento e aumento de volume da parte frontal dos carros visando à legislação de proteção ao pedestre de 2010 na Europa. Para tanto, a Volvo projetou motor V8 bem mais compacto para o XC90 e os Seat Altea/Toledo escondem os limpadores de pára-brisas dentro das colunas dianteiras em posição vertical.

Entre as várias inovações destacam-se: cubo do volante fixo que permite incluir vários comandos e mais eficiência ao airbag C4; primeiro pára-brisa que avança continuamente até o meio do teto Opel GTC; o automóvel dois-em-um com carroceria de metal e plástico Matra-Pininfarina; pedaleira regulável eletricamente para um carro médio Focus; e o grande destaque, alternoarranque da Valeo, sistema de parada e partida automática do motor que estréia no C3 e já atrai Ford e Hyundai.

A Renault escolheu Paris para anunciar o Logan como novo modelo brasileiro. O feito tecnológico do carro barato de 5.000 euros menos de R$ 20.000,00 encontrou respaldo não apenas em mercados emergentes. Terá uma versão incrementada para a banda rica da Europa, mas estava ausente do estande por causa da decisão muito recente. Pode custar aqui cerca de 20% menos que o Clio atual ou até mais, em relação ao Clio II. Sem segredos: pega-se uma plataforma não tão sofisticada, emascula-se a eletrônica de bordo, providenciam-se algumas simplificações na carroceria, mantém-se o essencial em termos de conforto, além de diversificar em hatch, sedã, station, pickup e furgoneta. É um bom jogo.

RODA VIVA

SEGUNDO Herbert Demel, presidente da Fiat Auto mundial, a marca conseguiu estancar e até reverter ligeiramente a queda de participação de mercado na Europa, nos primeiros oito meses do ano. Para garantir o futuro, é essencial dispor de produtos com boa aceitação. Demel, ex-presidente da VW do Brasil, ouvia perguntas em português e respondia em italiano, no Salão de Paris.

PEUGEOT 206 será o terceiro compacto, depois do Polo e do Citroën C3, sem oferecer motor de 1.000 cm³, a partir do final de 2005. Até lá terá um motor 1.400 flex álcool-gasolina de sua própria produção, em Porto Real, RJ deixando de comprar a unidade motriz multiválvulas produzida pela Renault, no Paraná. Razão: melhor relação preço-potência.

MESMO motor utilizado no A8 – um V8 de 335 cv – tornou o novo A6, que começa a ser vendido no Brasil, um automóvel de desempenho surpreendente. Tração total, rodas de aro 18 pol e pneus de perfil baixo são um complemento perfeito para o topo de linha de R$ 374.000,00. Terceira geração do modelo Audi também ganhou em conforto graças a 8 cm a mais na distância entre eixos e 4,5 cm, na largura.

ENTRE vários comandos assistidos, o A6 tem até trava elétrica do porta-luvas. Para garantir que a bateria não descarregue, o sistema monitora os excessos e desliga automaticamente alguns daqueles recursos. Afinal, com tantos equipamentos mais fáceis de gerenciar que nos BMWs, ninguém quer ficar sem bateria na hora da partida do motor...
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.

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