Uma briga para valer

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Fernando Calmon
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- A estréia do Fiat Idea vai trazer mais emoções ao mercado brasileiro de minivans, iniciado em março de 1998 com o Renault Scénic. De lá para cá, o segmento cresceu até atingir 7% das vendas totais graças ao lançamento do Citroën Picasso, dos Chevrolets Zafira e Meriva e do Honda Fit. Este último lidera o segmento, com jeito de meio minivan e meio hatch, acrescentando a vantagem de único entre os de dimensões compactas a oferecer câmbio automático CVT. Aos poucos as stations ou peruas foram perdendo mercado e as três que resistiram Palio Weekend, Parati e 206 SW respondem por meros 3%. É possível que caiam ainda mais.

Já há movimentos de reação ao lançamento. A Volkswagen tornou disponível esta semana a Parati G4 com preço promocional, a GM está reposicionando para baixo o preço do Meriva que também terá agora o mesmo motor de 1,8 litro com 112/114 cv do Idea, herança do antigo acordo entre as duas marcas e a própria Palio Weekend deverá ficar um pouco mais barata. Interessante que, em aparente ação defensiva, a Honda desacelerou ligeiramente a produção do Fit dentro da filosofia japonesa de evitar dar desconto.

O minivan da Fiat chega apenas 18 meses após o início das vendas na Europa. A arquitetura é nova, dará origem a outros modelos, mas deriva do Palio, embora a Fiat insista em negar. Não se trata de nenhuma vergonha lançar mão de algo existente e provado para projetar novos produtos. Há o exemplo do novo Vectra, que utiliza a estrutura do Zafira derivada do Astra, assim como o Meriva evoluiu do Corsa. O novo Passat aproveita a mesma arquitetura do Golf G5 alemão.

Em relação ao carro italiano há sutis diferenças externas, mas internamente o painel é do Palio e a alavanca de câmbio saiu do painel onde ficaria melhor para o console. Em compensação, a versão brasileira possui vidros laminados nas portas inexistentes no italiano. Não é pouca coisa. Apenas 16 modelos de 8 marcas no mundo todos mais caros dispõem desse conforto — silêncio, filtragem solar e 2° C a menos na temperatura interna. Além de 20 porta-objetos, é o único veículo nacional com espelho de vigilância do interior, conveniência só vista no minivan francês Citroën C8.

O Idea destaca-se pelo espaço interno, principalmente para cabeça, embora o Meriva ofereça mais liberdade para pernas com seus 12 cm a mais de distância entre eixos. O porta-malas é um pouco maior que o do concorrente. A versão de entrada com motor 1.400 de 80/81 cv permite oferecer o minivan mais acessível R$ 39.000,00, sem ar-condicionado. O motor 1.800, no entanto, se mostra o ideal para o peso na faixa de 1.200 kg. A diferença de consumo médio é de apenas 4% entre os dois motores. Impressionam muito bem a dirigibilidade e o comportamento em curvas em um veículo de 1,69 m de altura. Ajuda bastante a largura dos pneus 195/60 R 15 acima dos padrões. O câmbio manual automatizado só vem em 2006.

Essa boa briga esquentará de novo em março próximo com a chegada do minivan derivado do Fox, produzido na Argentina. Até lá, Fit e principalmente Meriva que se cuidem.

RODA VIVA

CONFIRMANDO a tendência dos carros crescerem a cada geração, o novo Vectra possui quase o mesmo entreeixos do Omega, fabricado aqui até 1998. A GM espera assim se diferenciar do Corolla em termos de espaço interno, mas não estará sozinha por muito tempo. O novo Civic, pronto no segundo semestre de 2006, também aumentou bastante todas as dimensões internas e externas.

APESAR de o País liderar em termos absolutos e relativos o mercado de veículos com motores flexíveis álcool/gasolina, na Suécia 80% dos Fords Focus já são vendidos com essa mesma tecnologia. Lá pode se encontrar álcool até 40% mais barato que a gasolina. Curiosamente, nenhum Focus vendido no Brasil oferece, por enquanto, motores flex. Casa de ferreiro...

CHINA começa a preocupar a indústria brasileira de autopeças, já pressionada pelo dólar baixo que facilita importações. No ano passado, os chineses venderam aqui mais que o dobro em relação a 2003, enquanto as exportações para o país oriental caíram 36%. A tendência continua em 2005. A balança de comércio ainda pende para o lado do Brasil, porém não se sabe até quando.

NECESSIDADE crescente de processamento eletrônico a bordo levará à substituição gradual de CDs e DVDs por discos rígidos HDs, segundo a Seagate. Uma das demandas maiores será o de sistemas de navegação com mapas digitais bastante detalhados tridimensionais. Recursos de entretenimento áudio e vídeo e de diagnóstico local e remoto de falhas nos veículos também demandam maior capacidade de armazenamento de um disco rígido.

RECICLAGEM a frio de asfalto é pouco utilizada no Brasil, mas na Europa quase todas as rodovias utilizam essa técnica. Entre os vários benefícios, a rapidez na recuperação do piso e os custos menores. A resistência obtida reflete na maior durabilidade da pavimentação, além de menores danos ambientais. Ideal se usado em larga escala no programa de recuperação de estradas.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection

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