Veículo na Era da conectividade

Equipamentos vão enviar e receber comandos verbais fazendo o carro se conectar com o mundo
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A era digital está fazendo do carro um instrumento de conexão com o mundo. Por um lado, ampliam-se as tecnologias de comunicação embarcadas; por outro, a nova geração de consumidores exige um veículo no qual possa dar continuidade às suas conexões quando precisam se deslocar de um lugar para outro.

Todos os usuários se beneficiam da evolução digital: o motorista tem à disposição informações necessárias para uma condução com segurança, e os passageiros têm a bordo um sistema de entretenimento sofisticado.

Segundo Carlos Pedranzini, da empresa de pesquisa Accenture, os sistemas de entretenimento de bordo estão rapidamente se tornando parte do mercado de massa. Levantamento realizado pela empresa em vários países, Brasil incluído, mostrou que até os clientes de carros populares estão mais exigentes em relação a esse aspecto: 63% dos entrevistados declararam ter interesse em usar recursos de comunicação no seu carro.

A pesquisa detectou também que: 75% das tecnologias mais procuradas pelos consumidores estão relacionadas à segurança; 91% dos participantes querem um sistema que alerta o motorista na mudança de faixa e desvenda os pontos cegos; 83% querem uma tecnologia que solicite automaticamente atendimento mecânico em caso de quebra ou acidente; querem também que o carro identifique sinalizações de tráfego e emita alerta de congestionamento; 72% querem sensores de ré e 73% um carro que interrompa o funcionamento do motor e faça uma chamada de emergência em caso do motorista sofrer um mal súbito; 59% querem controles para os seus smartphones acoplados ao volante e; 58% querem ler e editar e-mails no carro.

O resultado de outra pesquisa, feita pela GMC junto a nove mil estadunidenses, revelou que o jovem consumidor simplesmente não compraria um carro que não tivesse sistemas interativos de comunicação e acesso à internet: nada menos do que 54% dos entrevistados disseram que estão mais interessados nas redes sociais do que nos carros.

O consultor e especialista em tecnologia digital Ethevaldo Siqueira diz que o carro vai ficar cada vez mais “conectado” com a chegada das novas tecnologias digitais.

O carro conectado permite que, ao entrar no veículo, motorista e passageiros não se isolem do mundo, ao contrário, o carro se torna um instrumento de comunicação com outras pessoas, com outros carros e com a via.

Este será o tema da palestra de Ethevaldo no Simpósio da SAE Brasil “Novas Tecnologias Automotivas”, no próximo dia 26 de março, em São Paulo. Segundo o especialista, a microeletrônica está colocando no carro mais sensores e micro processadores sofisticados:

“Nós vivemos a era dos super chips, equipamentos com grande capacidade de processamento, que permitem você dar e receber comandos verbais, podendo transformar o carro num instrumento com o qual você se conecta com qualquer outro ambiente que você quiser”.

Essa tecnologia já está presente em alguns modelos, não apenas em protótipos, mas muitos equipamentos e sistemas de comunicação ainda não se transformaram em produtos de massa por uma questão de preço, porque ainda não há um volume suficiente que permita abaixar o custo de produção. Mas estão tecnicamente prontos.

A BMW já está oferecendo no Brasil, através de quatro concessionárias em São Paulo, o sistema Tele Service, que mantém uma conexão com o carro e vai acompanhando o desgaste das peças. Ao avaliar a necessidade de substituição, o sistema disponibiliza a peça na concessionária, agenda o serviço e avisa tudo pelo painel do carro.

Ethevaldo Siqueira acha que até mesmo rodovias estão prontas para receber sistemas tecnológicos que permitam a conexão do carro com a via. “No Estado de São Paulo, onde as estradas são infinitamente melhores do que no resto do Brasil, é possível fazer a conexão do carro com a via, transformando-as em estradas inteligentes. Isso pode ser feito também em trechos urbanos, em vias expressas, em vias exclusivas de ônibus”. Ele dá como exemplo o sistema que mantém uma distância mínima entre os carros, o que poderia melhorar a visibilidade do motorista e evitar engavetamentos.

Ethevaldo cita a ajuda da tecnologia digital em sistemas que desenvolvem ações que possam substituir a ação do motorista, como o sistema de estabilidade, que evita que o motorista perca o controle do carro.

A elétrica e a eletrônica estão proporcionando ao motorista sistemas que não apenas substituem a ação do motorista, mas também substituem o julgamento do motorista.

O motorista acha que deve frear com determinada pressão ou em determinada situação, mas o equipamento pode corrigir essa ação dependendo da situação. É a tecnologia se sobrepondo a uma ação equivocada ou insuficiente do motorista.

O carro pode conectar o motorista com o mundo, pela internet, através de banda larga, o que faz do carro um ambiente de prazer, de conforto para os ocupantes e, por outro lado, um ambiente de negócios, uma vez que você pode obter rapidamente uma informação determinante para uma ação comercial.

Vale lembrar que o uso de muitos desses equipamentos são proibidos em alguns países, portanto, dependem de aprovação de leis que acompanhem essa evolução.

Valter Samões, gerente de Marketing da SAE Brasil, salientou que essa evolução digital que a indústria automobilística está vivendo, leva as montadoras a buscarem parcerias com empresas de outros segmentos.

“As fábricas de carros eram essencialmente mecânicas, hoje com a nova tecnologia, a produção de carros abre-se para uma parceria com outros tipos de empresas, de outros segmentos. A eletroeletrônica mudou o panorama de produção”, destacou.

Ethevaldo concorda. E alerta: “é preciso ficar atento para as mudanças que ocorrem no mundo, acompanhar a evolução para não ser atropelado pelo avanço tecnológico. As empresas de automóveis estão adquirindo inteligências de outros setores”.

O especialista deu um exemplo atual: a Kodak era o ícone da fotografia no mundo, enquanto a Sony era uma empresa dedicada a áudio e vídeo. Eram campos distintos. Quando surgiu a fotografia digital, a Sony disparou na fotografia e a Kodak – ícone da fotografia no mundo com uma história de 125 anos – sucumbiu porque não percebeu a mudança do paradigma.



As opiniões do colunista não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors

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Joel Leite joelleite@autoinforme.com.br é diretor da Agência AutoInforme, especializada no setor automobilístico, que fornece informações para vários veículos de comunicação. Produz e apresenta o Boletim AutoInforme, das rádios Bandeirantes, Band News e Sul América Trânsito. É formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduado em Semiótica e Meio Ambiente.

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