Viaje de moto na boa

Um dos grandes prazeres da moto é curtir a estrada
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Geraldo Simões
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Além de servir para driblar o trânsito urbano, a moto também pode ser uma boa companhia para viagens. Os prazeres de viajar de moto já foram descritos como a sensação de fazer parte da paisagem. Enquanto no carro os ocupantes ficam limitados à visão pela janela e sentados quase sem mover o corpo, na moto tem-se visão total, sem teto e basta esticar os pés para sentir o asfalto passando pela sola da bota. Essa sensação de liberdade é muito boa!

 

Uma das partes chatas da moto é não ter o sonzão dos carros pra ouvir música. A gente fica horas da estrada ouvindo o vento no capacete e o som do escapamento - que pode ser música para ouvidos mais fanáticos. Hoje em dia alguns capacetes já vem com sistema de recepção por Bluetooth e pode-se ouvir a lista de músicas armazenada no celular ou em um iPod. A Lei brasileira é, para variar, mal redigida e não especifica aparelho de comunicação ou de rádio-difusão. Inclusive algumas motos tem caixa de som acopladas ao painel, como se fosse um automóvel.

 

Pra viajar não basta a vontade e a moto. Calma, porque tem algumas coisas que precisam ser observadas pra não cometer os erros clássicos. Pra facilitar a sua vida, vou elencar que nem na cartilha:

 

1) Bagagem - Toda moto tem um limite de carga. É o máximo de peso que pode carregar e inclui o piloto mais garupa. Portanto, antes de enfiar um mundo de coisa em cima da moto, vai lá no Manual do Proprietário e leia qual a capacidade máxima de carga que a moto. Se passar do limite pode prejudicar a estabilidade e gastar componentes.

 

2) Baú - Aqueles baús que instalam na traseira da moto tem um limite de carga também. Não adianta espremer 30 kg naquele espaço se a capacidade for menos de 10 kg. Dentro do baú tem um adesivinho com a capacidade máxima de carga. Respeite esse limite, porque pode quebrar a estrutura que sustenta a carga, sem falar que a carga fica apoiada atrás do eixo traseiro e isso provoca uma alavanca que deixa a frente da moto instável. Aliás, as motos BMW tem um aviso indicando que se usar baú não pode passar de uma certa velocidade (que varia conforme o modelo).

 

3) Programe-se - Não é legal entrar na estrada e descobrir só depois que não tem posto de gasolina nem hotel. Pense numa roubada! Estude os roteiros antes de se aventurar e calcule a autonomia da moto com 20% de margem de segurança. Para calcular a autonomia é simples: veja no próprio Manual da moto qual a média de consumo e multiplique pela capacidade em litros do tanque, com uma pequena margem de segurança. Atualmente a maioria das motos, mesmo pequenas, contam com indicador de gasolina no painel.

 

4) Olha o nível - Se a viagem for longa (mais de 1.000 km), estabeleça um cronograma de manutenção com base na sigla P-Cloc: pneu, combustível, luzes, óleo e corrente. Sempre que parar pra dar uma relaxada, dê uma checada nessas partes todas. Principalmente pneus! E saiba que algumas motos consomem óleo, que pode chegar a 300 ml por 1.000 km. Portanto, de olho no nível!

 

5) Respeite seus limites - Não tente bater recordes de aventureiros. Faça paradas regulares para descanso, alongamento e quando sentir o menor sinal de sono. O sono é pior que cachaça, porque ele vem de uma vez e o cérebro entra no moto automático. Quando perceber que algo de errado já é tarde demais. Não tome estimulantes, porque o único remédio pra sono é dormir. Minha dica esperta: leve uma rede de náilon que é leve e ocupa pouco espaço, duas cintas e dois mosquetões de escalada. Com isso você dorme em qualquer lugar! Lembre que garupa também se cansa. Se perceber que a pessoa na garupa está cochilando, faça uma parada porque existe o risco de a(o) garupa cair da moto.

 

6) Siga o líder - Saiba que viajar em grupo exige a eleição de um líder e esse cara precisa conhecer os limites de cada um. Nada de querer puxar o ritmo se tem algum elemento menos experiente. Nada estraga mais uma viagem do que levar um amigo pro hospital.

 

7) Amarre-se - Toda bagagem deve estar devidamente amarrada e embalada para proteger da chuva. Uma boa dica é usar alforjes laterais, mas fique esperto com os escapamentos porque se encostar pega fogo em tudo. Já queimei duas bolsas com tudo dentro!

 

8) Documentos - Verifique tudo, desde licenciamento até as inspeções, validade da carteira de motorista, exame médico, tudo. A outra coisa chata que detona uma viagem é ter a moto retida num pátio.

 

9) Proteja-se - Não existe um ser humano motorizado que não saiba da importância dos equipamentos de segurança. Hoje existem alguns acessórios que melhoram o conforto térmico, como a segunda pele e balaclava. E tenha sempre uma capa de chuva, porque mesmo no verão a chuva derruba as temperaturas e pilotar molhado por muito tempo pode levar à hipotermia. O primeiro sintoma de hipotermia é um sono incontrolável. Deixe de ser egoísta e equipe também quem vai na garupa!

 

10) Sem pressa - Você está curtindo uma viagem de moto, por que a pressa? A praia não vai sair do lugar nem a montanha vai desmoronar. Pode ir com calma, curta a paisagem, tire foto, mas nunca, jamais, pare no acostamento à toa. Procure uma área segura e curta a estrada. 

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