Volks argentina mostra a Amarok e elogia a industrialização do país

Evento na fábrica de Pacheco teve a presença da presidente Christina Kirchner
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“Se o país não é um banco, como a Suíça, ou um poço de petróleo, como os Emirados Árabes, ele precisa se industrializar. Só com uma indústria forte um país prospera”.

A frase é do presidente da Volkswagen argentina, Viktor Klima, que recebeu ontem 21 a presidente Christina Kirchner na fábrica de Pacheco, a 70 km de Buenos Aires, para mostrar-lhe em primeira mão a primeira picape média que a Volkswagen construiu nos seus 72 anos de história.

Austríaco de nascimento, mas, como disse, “argentino de coração”, ele fez um discurso mais nacionalista – e regionalista – do que empresarial. Claro que um executivo de uma multinacional desse porte sabe muito bem como “fazer a média” com os países onde estão locados. Mas o discurso de Viktor Klima foi além: foi uma defesa da industrialização como remédio contra o subdesenvolvimento. Lembrou que a fabricação da picape Amarok em Pacheco é parte da reindustralização da Argentina iniciada em 2003 e promoveu a Argentina no “país das picapes”, onde também são produzidas a Ranger, da Ford, e a Hilux, da Toyota. O país já tem uma infra-estrutura e uma cadeia de fornecedores para o segmento e a Amarok terá 60% das peças produzidas no Mercosul.

Viktor Klima culpou os períodos de instabilidade política e econômica na América do Sul pelo atraso do subcontinente nos últimos 50 anos: “o PIB da região caiu 50% nesse período por causa das bruscas mudanças políticas, que tiveram reflexos diretos na economia de vários países”, referindo-se às ditaduras enfrentadas nos anos 1960, 70 e 80. E culpou também o isolamento dos países da região, num apelo direto ao Mercosul:

“O Mercosul precisa ser fortalecido, os países da América do Sul têm que estar integrados para fortalecer as nossas economias”. Ele enxerga Brasil e Argentina como os articuladores da união dos países sulamericanos, que “devem exercer o mesmo papel de França e Alemanha na construção da Comunidade Européia”.

Apelou à presidente Christina Kirchner no sentido de usar o poder da Argentina como presidente do Mercosul no ano que vem para fechar o acordo automobilístico com a Comunidade Europeia, que prevê a troca de 60 mil carros por ano nas seguintes condições: A UE oferece mercado livre alíquota zero desde já e os países do Mercosul vão reduzir o atual imposto de 35% gradualmente até chegar a 0% em dez anos.

A Volksvagen Brasil e Argentina divide a produção entre os dois países. No Brasil a fábrica de São Carlos produz motores. Em José dos Pinhais, Taubaté e São Bernardo são fabricados automóveis; Córdoba produz caixa de câmbio e Pacheco o Space Fox e agora a Amarok.

Pacheco vai produzir 90 mil picapes por ano, sendo que 10 mil serão exportadas para o Brasil em 2010 e a expectativa é mais do que dobrar as vendas em 2011.

Inicialmente será fabricada apenas a versão topo de linha, cabine dupla com tração 4X4 e motor diesel biturbo de 163 cavalos. Em seguida chega a versão 4X2 e com motor turbo simples, de 120cv e depois a cabine simples. As vendas serão iniciadas – tanto na Argentina quanto no Brasil – em março do ano que vem.

A apresentação da picape em Pacheco foi apenas estática. A Amarok tem as mesmas dimensões que as concorrentes, mas – vista de frente – um visual mais leve, ao contrário daquele aspecto rústico, valente, imprimido em alguns modelos da concorrência.

A Amarok será exportada também para a África do Sul, Austrália, Europa e outros países da América do Sul. Com ela, a Volkswagen passa a atuar em todos os segmentos do mercado automobilístico e portanto aumenta sua condição de candidata à liderança mundial, que a empresa planeja para o ano de 2014, superando Toyota e GM, que devem fechar 2009 como primeira e segunda colocadas.

A Argentina vai fechar 2009 com queda de 7% das vendas internas, uma retração com gosto de vitória, já que as expectativas eram muito mais pessimistas no início do ano: queda de 40%.

A presidente Christina Kirchner lembrou que em março o uso da capacidade de produção da indústria automobilística no país era de apenas 23% e que o ano 2009 está se encerrando com uso de 70% da capacidade. A presidente disse que, em outro momento, a crise atingiria o país de forma devastadora, mas que desta vez a Argentina estava fortalecida e graças ao processo de reindustralização conseguiu sobreviver.

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Joel Leite joelleite@autoinforme.com.br é diretor da Agência AutoInforme, especializada no setor automobilístico, que fornece informações para vários veículos de comunicação. Produz e apresenta o Boletim AutoInforme, das rádios Bandeirantes, Band News e Sul América Trânsito. É formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduado em Semiótica e Meio Ambiente.

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