Coluna do Nasser: Range Rover Evoque, envelhecedor da concorrência.

Crossover inglês revoluciona padrões no segmento
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Roberto Nasser
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Nada existe capaz de satisfazer a todas pessoas ou gostos. Mas há discursos, personagens ou produtos que parecem surgir na hora certa com a mensagem oportuna, o jeito ideal ou a função desejada e necessária. Tornam-se referencias temporais. O Range Rover Evoque é sólido exemplo disto.


Lançado em 2011, colecionou prêmios mundo a fora, gerou versão quatro portas e, mais recente, conversível. Impõe-se, chama atenções por sua atrevida estética, com teto decaindo para a traseira, permite combinações de cores. Estaticamente sugere desconforto aos passageiros do banco traseiro, mas no sentar a impressão se esvai e motiva a de satisfação com o design muito feliz. De marca cujo ícone principal continua em produção, a linha Defender – já feita no Brasil - amplia a linha de produtos da Land Rover, em preço e utilização próxima ao Freelander 2, na base de preços.


O Evoque não perde a impressão de disposição, capacidade, atitude, mas o projeto está muito mais para automóvel alto e bem disposto que para veículo de arrancar tôco, como há décadas sugere sua imagem. Decisão corajosa pelos indianos da Tata, atuais controladores da inglesa de nascimento, não aplicou conceitos e gostos da Índia aos compradores mundiais, deu autonomia aos ingleses. O resultado é atrevido e as vendas – no Brasil o modelo mais procurado – mostram o acerto da coragem; Ser dono sem impor seus gostos.


Emprega motor pequeno, dianteiro, transversal, 2,0L, de tecnologia Ford atual em seus quatro cilindros: todo em alumínio, 4 válvulas por cilindros, injeção direta, turbo compressor. Resultado da tecnologia, oferece resultados que há poucos anos exigiria o dobro da cilindrada, 243 cv de potência e 34,6 kgfm de torque a reduzidos 1.750 rpm. Na prática ágil para acelerar, subir, ultrapassar, com colaboração da transmissão automática de seis marchas com opção de comando ao volante. Tem tração permanente nas quatro rodas, para dar maior dirigibilidade em neve e gelo, mas grande auxiliar nas eventuais dificuldades com o piso brasileiro. O despejar tanto torque em baixas rotações muda rapidamente as marchas, mantendo o motor em reduzidos giros e, com isto, o consumo é pequeno relativamente a uma avaliação estática e ao oferecido – você projeta gaste muito, dirige, sente as sensações, acha que pagará muito e se surpreende ao ver que, direção civilizada e estrada, faz entre 7,5 e 8 km/litro de gasolina.


Pacote

Montado para satisfazer ao consumidor brasileiro, tem revestimento intenso em couro – uma bobagem em país tropical onde se transpira compulsoriamente. Bonito, confortável, dois tons – mas se em tecido haveria respiração e maior conforto.


A formatação é à altura do veículo, sua imagem e do esperado pelo usuário, incluindo a surpresa da ausência de alavanca de marchas. Em seu lugar, roda recartilhada – um trabalho escultural em torno – por si só atrativa. Girou para a posição – Estacionamento, Ré, Ponto Morto, Andar – faz o resto. Direção boa para empunhadura, sistema preciso, suspensão dianteira em Mc Pherson e traseira por eixo articulado e multi link. Simploriamente, independente em cada roda, de modo que inconveniências de um lado não são transmitidas ao outro.


Ótimos faróis em xênon, som Meridian, 11 alto falantes e 380W, de primeira qualidade, e há o conforto do Park Assist, que localiza a vaga de estacionamento, mede o carro e faz a baliza. O motorista apenas controla o freio. Há os cuidados eletrônicos para controlar a tração e o sistema apresentado pelos Mercedes ML, o freio eletrônico para fortíssimas descidas em primeira marcha. Freio de mão elétrico e pacote de segurança completo.


O automóvel testado, cedido pela Caltabiano, maior revendedor da marca, portava outra bobagem: vidros com filmes negros, coisa inimaginável pós 1º. Grau, pois reduz a capacidade visual do condutor nas laterais. Discutivelmente elegante, porém indiscutivelmente perigoso. Na mesma unidade faltava a tela opcional com câmaras para manobra. Inexplicável. Se o Kia Soul, a 1 / 3 do preço dispõe tal facilidade, a ausência não se explica.


Sobre a composição do carro, o responsável pela formatação do produto no Brasil deveria ter escolhido outra medida para rodas e pneus. O conjunto fornecido, rodas em liga leve, aro 19” e pneus 235/55, de lateral baixa para o convívio com os persistentes buracos brasileiros. Punem carro e usuários com maior reatividade às imperfeições do solo, e os presumíveis danos em trinca em rompimento terão reposição de roda e pneu difícil e cara. Aro menor e pneu com lateral mais elevada são mais adequados às agruras do Brasil.


Enfim, sintetizando, se você quiser passar despercebido, este não será o carro. Mas, ao contrário, se gosta de ser centro de atenções, tem paciência para explicar, gosta de posar como atualizado em design, este é o carro, cara. Se você tem outro perfil, compre um sedã, um hatch, uma camioneta, porque em matéria de utilitário esportivo, o tal de Evoque é um divisor em design, tendo envelhecido todos os outros.


Preço? Pense nuns R$ 200 mil e saia de casa para negociar. Carros neste preço, mercado em queda, instiga barganhas. Você volta com um troco – e feliz.


Roda-a-Roda


Global – Nova geração do Mustang, projetada para marcar os 50 anos do modelo em 2014, tem pretensões de vendas mundiais, adequado aos mercados em vista: suspensão, combustíveis, volante à direita. De 2006 para cá envelheceu e caiu mais de 50% nas vendas.


Fusion – Designers da Ford acham o novo Fusion ficou tão bom e tão adequado, que pode ser a base para o futuro Mustang, com motor de quatro cilindros turbo, V6 aspirado tração nas duas e quatro rodas.


Peugeovski – Os primeiros 408 começaram a ser produzidos na Peugeot Kaluga, Russia. Projeto para mercados em desenvolvimento, como Mercosul e russo, tem adequações específicas: suspensão reforçada, maior altura do solo, bateria e alternador mais fortes, bancos frontais aquecidos, dutos de alta potência para levar ar quente aos pés dos passageiros posteriores, protetor de cárter para o motor. Pela primeira vez, opção diesel, 1.,6L HDi.


Na prática – Todo mercado em desenvolvimento é jogo duro – buracos, estradas ruins, combustível sem vergonha. Em matéria de piso, a Rússia é um Brasil com frio.


Explicação – Festiva, a Fiat inaugurou fábrica em Kragujevac, na Sérvia, onde produzirá o 500L para mercados doméstico e externo. Diz ter investido 1 bilhão de euros, valor mais que proporcional para ajeitar a fábrica com a pior manufatura do mundo onde, sob licença, o governo da então Iugoslávia cometia carro idem, o Yugo.


Los Hermanos – Só a sociologia e a psiquiatria explicam a opção argentina de resolver problemas criando outros. Mais recente aplicação da fórmula para desviar atenções da situação atual clima, é a expropriação das ações da YPF, a petrolífera estatal vendida à espanhola Repsol.


Na prática - O caso não se limita à Espanha, também sem reservas financeiras para valentias, mas abala a confiança dos investidores internacionais ao exibir insegurança jurídica. Vitória institucional, derrota econômica.


México – A Audi decidirá em 60 dias se produzirá, ou não, o utilitário esportivo Q5 no México. Uma das parcelas da conta é eventual redução de custos para exportação ao Brasil.


Apelido – A legislação restritiva imposta pelo governo tem-se mostrado tão ineficiente que ganhou apelido desmoralizador: Peleja. É um cobertor ralo e curto para cobrir situações diversas. Uma peleja no vai e vem de proteger um lado, expondo o outro.


Caminho – Logan, Sandero, Duster, Fluence e até o errado Kangoo Express – saem da Renault com etiqueta e a importante informação de letra “A” no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, do Inmetro. Tem o menor consumo de combustível em suas categorias.


... II – É esforço do governo fcaptional para exibir ao consumidor consciente os veículos que menos gastam e poluem, programa ainda não obrigatório a todos os modelos, fabricantes e importadores. No caso, os índices conseguidos são conquista do Renault Tecnologia Américas, seu centro de engenharia voltado a ajustar produtos à América Latina.


Fator – É mais um item esclarecedor à hora da compra, a exemplo do que ocorre com eletrodomésticos: verificar se o produto foi submetido às regras oficiais para consumo e poluição. Escolha pelos números da etiqueta, e despreze os fujões, ausentes da relação.


Mídia – A CR Zongshen, dona da marca Kasinski, para promover sua linha Comet – 150, GT 250 e GTR 650, pegou-se com apresentadores esportivos Milton Neves e Renata Fan. Financiamento sem juros e o Consórcio Luiza viabilizarão levá-las às mãos dos interessados.


Questão – Os olhos podem ser puxados, mas enxergam bem. 230 dentre os 500 expositores da feira de autopeças Automec, realizada em São Paulo na semana passada, eram chineses. E outros estrangeiros – turcos, coreanos e indianos – querendo o nosso mercado, falando a linguagem de indústria, distribuição e comércio: preços de 25 a 40% menores! Jogo desequilibrado para a indústria nacional.


Lei – A nova legislação nacional do Euro5 para motores diesel, e do início dos obrigatórios airbags duplos e ABS nos freios, mostrou expositores nacionais.


Diferença - Presidente da Confcaptionação Nacional do Transporte (CNT), e senador, Clésio Andrade, apresentou o Projeto 88/2012. Cria diferença entre motoristas amadores – carteiras A e B – e profissionais, C, D, e E. Propõe que as CNHs deste grupo só possam ser suspensas com 50 pontos de infração.


Régua – Considerados regime de trabalho, horas de condução, dedicação específica, parece razoável. Mas na prática significa colocar os profissionais tão acima da lei quanto os motoqueiros. E a lei é para todos.


Clientaço - A Cummins, produtora independente de motores diesel, festejou produzir o motor número 1 milhão, entregando-o à Ford Caminhões, maior cliente, de 384 mil motores da marca. O do milhão é um ISL 9 litros, 330 cv, trator do cavalo-mecânico da linha Cargo.


Laboratório – Via de mão dupla em desenvolvimento tecnológico, as corridas de Stock Car permitiram à Goodyear adequar a banda de rodagem de seus pneus Eagle para os competidores. E utilizar os chips de identificação com sistema de rádio frequência desenvolvido para a categoria, como ferramenta para frotistas de caminhões e ônibus.


Trançado – A italiana Magneti Marelli, do grupo Fiat, ampliou investimentos na China, em joint venture com a Changchun: produzir peças para admissão de motores – coletores, corpos de borboletas, galerias de combustível, centralinas flex. Você já considerou aprender mandarim?


Comércio – Produtores da série James Bond anunciaram acordo de merchandising, a exposição intensa de produto. Pelo investimento Bond deixará de tomar Dry Martini com vodca, mexido, nunca agitado, batizado de Vesper, a mocinha de Cassino Royale, um dos livros de maior sucesso de Ian Fleming. Beberá cerveja Heineken – deve ser direto no gargalo.


Sem fim - Desiludido com a flexibilidade do mito? Podia ser pior. Deixar BMW, Aston Martin, Jaguar e usar carro chinês, por exemplo.


Antigos - O sítio “webclassicos.com.br”, especializado em veículos antigos festeja um ano de vida, indicando como mais procurados os Ford Maverick e picape F 100. Há 2.000 interessados, esperando surgir seus objetos de desejo.


Gente – Nelson Piquet, 60, tri campeão de Fórmula 1, barata nova. Rolls-Royce, ex-Faustão. Em Brasília anda diuturnamente e performa tanto quanto outros de seu uso, como Porsche Panamera. Automóveis do Piquet não são enfeite de garagem: andam. E como. Na Capital, Luiz Feldman, 27, diplomata, charme. Em horários e eventos não profissionais conduz rara Alfa Montreal.


As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.


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