Da colunista Ana Beatriz

Pronta para a principal corrida do ano, em Indianápolis
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Ana Beatriz
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- Esta é a semana do Indy 500, a mais importante corrida da Indy Car. Cheguei em Indianápolis, de volta de São Paulo, depois de três aviões e 11 horas voando, na madrugada de quinta-feira passada. Acordei cedo, fui para a academia e na hora do almoço já estava na pista . Foi legal rever todos da Sam Schmidt, minha equipe na Indy Lights, que estava se preparando para disputar as 500 Milhas de Indianápolis no domingo que vem.

Fiquei impressionada com o tanto de gente que vai à pista só para ver os treinos. E a cidade realmente pára por causa da corrida. No rádio, na tevê, no shopping center, nas ruas, nos restaurantes, em todo lugar só se fala disso. A cidade fica mais cheia. As pessoas "respiram" corrida. O astral fica bem legal. E acontecem vários eventos, principalmente organizados pelos patrocinadores da corrida e pela própria Indy League.

O dono da minha equipe, o Sam Schmidt, fez uma festa de confraternização para arrecadar dinheiro para a pesquisa da cura da medula espinhal. Foram 400 convidados pagando 150 dólares para entrar. Participaram vários pilotos, donos de equipe e patrocinadores. Diversos fizeram doações. Ele conseguiu mais de 200 mil dólares. O dinheiro vai para a Sam Schmidt Paralisys Foundation, www.samschmidt.org, uma fundação que o Sam criou depois que sofreu um acidente na Indy, em Kentucky, em 2000, que o deixou tetraplégico.

Autógrafos

Nos treinos da Indy 500, fiquei com o rádio da equipe, ouvindo a conversa com o piloto Max Papis. Aprendi bastante com o feedback dele, sobre a engenharia do carro e todos os itens em que é possível mexer no carro da Indy, e sobre como ele se comporta. Por exemplo, se ele escorrega de frente na entrada da curva, é melhor mexer em determinado item, se for na saída da curva é melhor mexer em certo item. E também aprendi sobre o comportamento do carro em relação ao vento. Se o vento muda de direção, o carro muda completamente.

O Papis bateu no sábado. Ainda não se sabe porquê. Todos acham que foi por causa do vento. Tem ventado muito aqui nesses dias. Foi uma pena, pois aconteceu no último treino antes da classificação. Ele teve que ir para o Bump Day, no domingo, com o carro todo remendado para tentar se classificar, mas acabou quebrando uma parte do motor e ele não conseguiu entrar para a corrida.

Foi lamentável. Ainda mais depois de todo o trabalho feito pela equipe durante o mês de maio. O Max teria se classificado tranqüilamente para a corrida se não tivesse batido. Mas nas 500 milhas é assim, cada detalhe faz uma grande diferença. A Sam Schmidt já participou quaro vezes da Indy 500, e em 2002 ficou em quinto lugar, com o piloto Richie Hearn.

Nos pits, eu me surpreendi quando alguns fãs de corrida me reconheceram, mesmo eu estando sem macacão. A Indy faz uma revista com todos os pilotos da Indy e da Indy Lights, com fotos, resultados e classificação no campeonato. Algumas pessoas pediram para eu assinar a revista e outras vieram com fotos minhas impressas pedir autógrafo.

Quando estou de macacão, é normal as pessoas virem pedir. Mas assim, sem macacão, nunca tinha me acontecido. Foi legal. E os americanos são engraçados, fanáticos por corridas, fazem questão de dar uma força, cumprimentam pelos resultados e dizem que estão torcendo por mim.

Desafio

Agora, tenho folga na segunda e na terça-feira, pois não há treinos e os pilotos da Indy 500 vão a Nova York para um evento. Finalmente vou conseguir arrumar meu apartamento, tirar as roupas das malas e fazer supermercado. Até porque meus pais virão assistir uma corrida minha aqui nos Estados Unidos pela primeira vez e vão ficar comigo em casa.

Na quarta-feira, já vira correria. Tem sessão de autógrafos, começa a preparação para os treinos, conversas com o engenheiro, e depois virão os treinos na quinta e a classificação e a corrida na sexta-feira, na programação do Carburation Day, uma espécie de warm-up dos carros da Indy 500, com público de 200 mil pessoas.

Nas últimas semanas, aprendi muita coisa. Tem muitos detalhes do carro e das corridas que felizmente eu já consigo perceber. Se você olha da arquibancada parece que todos os carros são iguais. Mas não. E não fazem o mesmo traçado na pista. São muitos detalhes para observar: como o piloto entra na curva, como sai da curva, se faz bem ou não, como o carro reage. A cada dia que passa, só no olho, percebo mais e mais detalhes.

Vou botar tudo em prática assim que eu entrar na pista. Aprendi muitas coisas também em Kansas, na minha última corrida, que com certeza vão me ajudar por aqui. Mas o circuito de Indianápolis é mais um novo oval, onde até agora só fiz um treino em abril. Cada oval é diferente do outro. Cada corrida é um novo desafio. E esse não é pequeno. É a corrida mais importante do ano. Todos querem vencer. E eu também!



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Ana Beatriz Bia Figueiredo é dona de três vitórias na Fórmula Renault Brasil, primeira mulher a vencer na categoria no mundo e primeira a conquistar uma pole position na categoria principal da Fórmula 3, no caso Sul-Americana, a piloto Ana Beatriz Caselato Gomes de Figueiredo, no Brasil conhecida como Bia Figueiredo, estréia em 2008 na Indy Lights, categoria de acesso à Indy Car, correndo como Ana Beatriz, com a equipe Sam Schmidt, campeã de 2007, com patrocínios da Healthy Choice, Bardahl, Svelte, Puma, OMP e do site Web Motors.

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