F-1: briga pelo título chega ao tribunal

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Rodolpho Siqueira
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- Uma disputa no tribunal de apelações da FIA – que, curiosamente, colocou a entidade contra ela mesma na justiça – pode ser um dos aspectos mais importantes na briga pelo título de 2006 do Campeonato Mundial de Fórmula 1. No próximo dia 22 de agosto, na semana que antecede o GP da Turquia, a corte de apelações da FIA julgará se o inovador amortecedor baseado na utilização de uma massa suspensa é ou não ilegal. O sistema foi idealizado pela Renault, e depois introduzido por várias outras equipes, como Ferrari, Red Bull e McLaren.

Hoje, o sistema está banido. Segundo se comenta, as equipes que utilizam pneus da marca Michelin teriam muito mais a perder com a sua não-utilização do que os times que usam os Bridgestone. No primeiro grupo está a líder do Mundial, a Renault, enquanto sua principal rival, Ferrari, utiliza os Bridgestone. Caso o tribunal mantenha a proibição, o time francês receberá um forte golpe, pois os italianos da Ferrari já têm apresentado um desempenho suficiente para tomar a dianteira dos atuais campeões.

Os chamados amortecedores de massa são dispositivos mecânicos simples instalados no bico do carro, que utilizam um peso de aproximadamente nove quilos montado em uma mola. Eles melhoram o desempenho do F-1 ao amortecer os movimentos elásticos dos pneus nas curvas, que reagem assim devido às forças que atuam sobre eles, especialmente quando sobre nas zebras ou sob fortes freadas. Este amortecimento dá mais estabilidade tanto ao carro quanto aos pneus, melhorando os níveis de aderência. Assim, o sistema funciona oferecendo resistência na direção oposta ao movimento que vem dos pneus, estabilizando todo o veículo. Em uma categoria na qual um dos aspectos mais decisivos é o desempenho dos pneus, esta inovação pode ser vital em alguns circuitos.

A proibição veio logo após o GP da França, o que foi uma notícia até certo ponto desesperadora para a já atribulada Renault, que havia iniciado no GP anterior – dos EUA – a surpreendente queda de rendimento que permitiu à Ferrari voltar a sonhar com os títulos de pilotos e de construtores.

Mas dez dias depois, a Renault realizou uma manobra inteligente: colocou seus carros para a supervisão dos comissários do GP da Alemanha com o modelo reserva ainda equipado com o sistema proibido. O resultado foi que a revisão apontou o terceiro carro como legal – desautorizando a decisão anterior tomada pela comissão técnica da FIA. Imediatamente a FIA entrou com um recurso contra seus próprios comissários – e é este apelo que será julgado no dia 22. Na época, a Renault decidiu continuar não utilizando o sistema, pois em caso de vitória da FIA no tribunal todos os seus pontos poderiam ser anulados.

A situação é confusa especialmente pelo motivo alegado pela FIA. Segundo a entidade, o amortecedor de massa é um dispositivo aerodinâmico móvel, fato que é extremamente controverso – daí da decisão dos comissários na Alemanha. Na ótica da FIA, ao estabilizar o carro, o sistema aumenta a eficiência aerodinâmica do bólido – o que é verdade. Na visão da oposição, o sistema estabiliza o veículo mecanicamente, e os efeitos aerodinâmicos são uma conseqüência secundária, como são os do amortecedor comum – o que também é correto.

Uma carta da FIA às equipes explicou: “Como a massa suspensa dentro dos amortecedores foi projetada para mover-se livremente, ela consequentemente não está presa à massa total suspensa do veículo, nem permanece imóvel em relação a ela. Assim, como seu movimento influencia a aerodinâmica do carro, nós consideramos que os amortecedores de massa contravêm o artigo 3.15 do regulamento técnico da Fórmula 1 e não mais poderão ser usados”.

A decisão da corte de apelação pode ter grande influência na disputa pelo título, que atualmente, levando-se em consideração os resultados mais recentes, pende para o lado da Ferrari – apesar de a Renault ainda ser a líder. Os técnicos acreditam que os carros que utilizam pneus Michelin teriam um ganho próximo dos três décimos de segundo em um circuito com fortes freadas e zebras altas, condições que costumam desestabilizar os carros. De seu lado, os times da Bridgestone ganhariam bem menos.

A interpretação das regras no caso dos amortecedores de massa já levou o diretor-técnico da Renault, Pat Symonds, a se irritar publicamente. Falando sobre o fato de a FIA estar apelando contra ela mesma, ele disse: “Isso é uma prova de que, na época do banimento, eles não sabiam o que estavam fazendo. E acho que agora ainda não sabem”.

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