Nova regra já foi usada entre os anos de 1984 e 1993

Mudanças no regulamento da temporada 2010 da F1 projetam disputa nervosa nas pistas
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- A Fcaptionação Internacional de Automobilismo permanece na eterna busca de devolver à Fórmula 1 os bons tempos de competição, com emocionantes ultrapassagens. Na tentativa, a instituição resolveu fazer um pacote de mudanças bastante significativo para o ano de 2010, para motivar tanto quem corre, quanto quem assiste.

A primeira alteração, e a mais emblemática delas, é em relação ao reabastecimento. A partir deste ano, as equipes deverão largar com quantidade de combustível suficiente para todo o circuito. E só poderão entrar nos boxes para realizar reparos rápidos ou troca de pneus.

Segundo a FIA, a regra – que já chegou a valer entre os anos de 1984 e 1993 – está relacionada à redução de custos de transporte do equipamento de reabastecimento, além de ser um incentivo para que os projetistas melhorem a economia de combustível e reduzam o peso dos carros. Na prática, a mudança influenciará toda competição.
Isso porque, todos os carros largarão pesados, com o tanque cheio. Logo, leva vantagem quem tem o motor mais econômico, o carro mais leve e o piloto que saiba administrar as aceleradas até a chegada da bandeira quadriculada. "É a mudança mais importante no regulamento. Os carros vão largar com cerca de 180 kg de combustível, enquanto costumavam a largar com 80 kg. O carro não manterá o mesmo comportamento durante a corrida, o que significa que o piloto deverá saber quando acelerar e dosar o uso de freios e dos pneus", analisa Celso Itiberê, jornalista e comentarista de Fórmula 1 da rádio CBN, reforçando que os pilotos não poderão exccaption o limite de 18 mil giros do motor.

Com o carro mais pesado no início da prova – e, obviamente, com uma pior relação peso/potência – a questão é saber se os pilotos vão querer arriscar grandes esticadas e ultrapassagens antes do meio da prova. Mas essa adaptação começa na pré-temporada, quando os pilotos testam os carros. O piloto brasileiro Rubens Barrichello, da equipe Williams, já andou na Espanha com um carro com tanque maior e buscou se adaptar à nova norma. "Foi positivo o fato de andarmos com muita gasolina, embora o comportamento do carro seja sempre difícil com tanque cheio. Não sabemos com quanta gasolina os outros carros andaram, mas o nosso trabalho foi bom, tendo em vista ser o primeiro do ano na pista", avalia.

E nada como beneficiar ainda mais o campeão de uma corrida – aquele que foi competente para administrar o combustível e ainda chegar na frente – com pontos que incentivam a competição. Nesta temporada, a FIA restabeleceu este número. A partir de agora, os primeiros dez colocados marcam. O primeiro leva 25 pontos – o que supervaloriza a vitória –, enquanto o segundo marca 18. O terceiro e o quarto levam 15 e 12 pontos, respectivamente. Na sequência, do quinto ao décimo colocados há premiações de 10, 8, 6, 4, 2 e 1 ponto. "Isso resulta em um maior equilíbrio para a prova, enquanto dá destaque ao vencedor", opina Luciano Burti, comentarista e ex-piloto da F1 e atual da Stock Car.

Mas se a escuderia não estiver satisfeita com seu desempenho e quiser trocar de piloto no meio da temporada, terá de prestar atenção nas regras. O piloto substituto poderá testar o carro durante um dia antes da estreia, mas o escolhido deve ter estado fora da Fórmula 1 por, no mínimo, duas temporadas. Já no quesito aerodinâmica, as escuderias têm permissão de fazer apenas seis testes, em vez de oito, como na última temporada.

Mas há uma exceção. A FIA permite que alguns desses testes possam ser substituídos por quatro horas no túnel de vento.

Outra mudança ainda não muito discutida é em relação aos pneus dianteiros, que devem ser 3 cm mais estreitos. "Todos vão tentar fazer um veículo mais leve, mas com esse pneu mais fino será difícil controlá-lo na dianteira. O resultado disso nas pistas poderá ser bem interessante", anima-se Celso Itiberê.

Interessante também é a entrada de novas escuderias na competição. Só este ano, entram na disputa a malaica Lotus F1 Racing – com os pilotos italiano Jarno Trulli e o finlandês Heikki Kovalainen –, a americana USF1 – com o argentino José María López –, a inglesa Virgin – com o alemão Timo Glock e o brasileiro Lucas di Grassi – e a espanhola Campos Meta – com o brasileiro Bruno Senna. "As expectativas são bem realistas, e nosso objetivo, no momento, é ter um carro confiável, que termine as corridas. Aí vamos trabalhar para melhorar e chegar nas equipes de ponta, mas estamos confiantes em curto e médio prazo para evoluirmos", afirma o piloto brasileiro Lucas di Grassi. Numa mistura de pilotos experientes e mais jovens, escuderias de tradição e novatas, a temporada deve ser, no mínimo, estimulante. "Pelo menos oito pilotos devem ganhar corridas ao longo do ano e brigar pelo campeonato", completa Luciano Burti.

Instantâneas

# A partir de 2011, a FIA estuda a proibição do uso de difusores duplos pelas escuderias.

# Na temporada de 2009, a equipe Brawn causou polêmica por conta do uso de um difusor maior que otimizava a passagem de ar, o que aumentava a velocidade do veículo. O equipamento ajudou o piloto inglês Jenson Button a levar o campeonato para a escuderia.

# Em 2008, a FIA vetou o uso de controle de tração. Com a proibição, as rodas traseiras patinam quando o piloto força em uma entrada de curva, além de o piloto não ter o controle de largada.

# Em 2006, o piloto alemão da Ferrari, Michael Schumacher, anunciava sua aposentadoria. Já o piloto espanhol Fernando Alonso levou o título pela Renault. Ainda no mesmo ano, o GP da Bélgica foi retirado do calendário, por conta de obras no circuito.

As regras da FIA para 2010

# Reabastecimento: As equipes não poderão reabastecer, devendo largar do gride com combustível suficiente para todo o circuito.
# Boxes: Os pilotos passam pelos boxes apenas para fazer a troca de pneus e pequenos reparos.
# Pontos: O primeiro colocado recebe 25 pontos, enquanto o segundo ganha 18 pontos. Do terceiro ao décimo colocados, os pilotos levam 15, 12, 10, 8, 6, 4, 2 e 1 ponto.
# Pneus: O número de jogos de pneus permitidos para a pista seca por equipe foi reduzido de 14 para 11. A única fornecedora da Fórmula 1 é a Bridgestone. A FIA também vetou o uso de mantas que aquecem os pneus na largada.
# Substituição de piloto: Caso a equipe queira mudar de piloto, para participar da temporada, o profissional deverá estar fora da Fórmula 1, por pelo menos, duas temporadas.
# Aerodinâmica: Serão permitidos seis testes de aerodinâmica por equipe. Mas há ressalva. A escuderia pode trocar qualquer dia de testes por quatro horas no túnel de vento.
# Peso: A FIA aumentou o peso mínimo dos carros de 605 kg para 620 kg.

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