Carros flexíveis em combustível

80% dos carros 0km são flex. Mas nem todos sabem como funciona e há “mitos”
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Cesvi Brasil
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- Carros flexíveis em combustível – apelidados de “flex” – representam mais de 80% do total de veículos comercializados atualmente no Brasil. As principais fábricas disponibilizam quase toda sua linha com essa tecnologia. A oferta abrange dos carros de entrada Celta, Gol até sedãs médios Civic, Mègane e picapes Strada, Montana e a recém-lançada S10. Somente os modelos importados, como Chevrolet Omega, VW Jetta e Ford Fusion, permanecem “inflexíveis”, rodando apenas com gasolina.

Poder escolher entre gasolina ou álcool – sozinhos ou combinados misturados em qualquer proporção – deu ao consumidor a possibilidade de optar pelo melhor preço. Há críticas a essa prática, tanto pelo lado moral prática de “levar vantagem”, quanto pelo técnico. Em geral, motores flexíveis melhoram o desempenho quando abastecidos com gasolina, mas ficam devendo com álcool. Ideal talvez fosse aprimorar o motor capaz de rodar apenas com o combustível vegetal, sabidamente menos nocivo ao meio-ambiente do que o derivado de petróleo, pela menor emissão de CO2, o gás do efeito estufa. Ou um motor a álcool que pudesse rodar com gasolina numa emergência, em caráter temporário.

De qualquer forma, a realidade no mercado é outra. E é também realidade que, mesmo passados quase quatro anos desde o lançamento do primeiro carro flex um VW Gol, nem todo mundo sabe como funciona o carro com essa tecnologia e ainda há várias “lendas” sobre sua manutenção e utilização.

A tecnologia empregada consiste na capacidade do sistema em reconhecer e adaptar, automaticamente, os parâmetros de funcionamento eletrônico do motor para qualquer proporção de mistura de álcool e gasolina presente no tanque de combustível. Em alguns casos, como no Ford Fiesta, até a temperatura do líquido de arrefecimento é alterada pelo módulo de comando eletrônico do motor ECM, que age sobre a válvula termostática. O álcool pede motor em temperatura mais elevada, para facilitar sua vaporização.

O sistema distingue o álcool da gasolina através da quantidade de oxigênio que passa nos gases de escapamento, medida pelo sensor de oxigênio, conhecida também por sonda lambda. Após cálculos realizados pela central de comando do motor ECM, esta determina qual é o combustível e toma as providências, como vimos acima.

De acordo com Gino Montanari, Diretor de Produto e Desenvolvimento da Magneti Marelli Cofap – fornecedora do sistema para a Fiat –, é perfeitamente possível rodar com o carro abastecido apenas com álcool ou com gasolina. “O usuário não precisa se preocupar com nada. Pode rodar a vida toda só com um dos combustíveis que o sistema funciona perfeitamente”, assegura Montanari. Segundo ele, só é necessário tomar cuidado com a qualidade do combustível e abastecer o veículo em postos de confiança.

O sistema flex faz com que o veículo apresente um comportamento similar ao de um carro que funcione somente a gasolina ou somente a álcool. Isso acontece porque se deve utilizar uma taxa de compressão intermediária entre a usual para gasolina em torno de 9,5:1 e 10:1 e para o álcool em torno de 14:1. Utilizar esta mais alta poderia originar detonação, a chamada “batida de pino”, quando o carro rodasse com gasolina.

Alguns modelos utilizam taxa bem alta, como o Ford Fiesta 12,6:1 no 1,6-litro, Chevrolet Prisma 12,4:1 no 1,4 EconoFlex e o VW Gol 13,1:1 no 1-litro. Para isso, foi aplicado nos motores sensor de detonação. Esse recurso, no entanto, se exagerado pode comprometer o desempenho do veículo. Ao atrasar o ponto de ignição quando há ocorrência de detonação, faz cair o rendimento e aumentar o consumo de combustível.

Cuidados com o sistema

Deve-se ter com um veículo “flex” os mesmos cuidados que se tem com um carro equipado com motor a gasolina ou a álcool, como aconselham técnicos do Sindicom Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes.

Além do fator qualidade – combustível adulterado danificará o sistema, da mesma forma que o faria em um carro movido a álcool ou gasolina – deve-se manter o sistema de partida a frio abastecido. Sim, atualmente todo carro flexível em combustível possui um pequeno tanque, de menos de 1 litro, para gasolina somente. Na maioria deles, esse “tanquinho” está alojado no cofre do motor e é acessível abrindo-se o capô. Apenas nos novos Honda Fit e Civic flex o subtanque é acessado por uma portinhola específica, na lateral do veículo.

Esses pequenos subtanques auxiliares devem ser preferencialmente abastecidos com gasolina Podium, exclusiva da Petrobrás, que demora a envelhecer – gasolina comum ou aditivada, ou mesmo a premium, perdem suas frações leves em cerca de 3 meses, ante no mínimo 12 meses da gasolina especial. Há sistemas que previnem o envelhecimento da gasolina, o que dificultaria ou impossibilitaria a partida, injetando sempre pequena quantidade de combustível, havendo ou não necessidade, de maneira a consumi-la e desse modo obrigar o reabastecimento.

Qual dos combustíveis gasta mais?

Taxas mais altas fazem a potência variar dependendo do combustível, com vantagem para o álcool. A diferença, em alguns casos, pode chegar a 6 cv, como na nova Chevrolet S10 Flex 141 cv com gasolina, 147 cv com álcool, ou a 8 cv, caso do Prisma 1,4-litro, do mesmo fabricante, de 89 cv a gasolina e 97 cv a álcool.

Uma “regra” geral é que o álcool tende a oferecer melhor desempenho, enquanto a gasolina proporciona maior autonomia de rodagem. Isso acontece porque os combustíveis possuem características químicas e físicas semelhantes, mas agem de maneira diferente no motor. A principal diferença é o poder calorífico de cada combustível, ou seja, a quantidade de calor por quantidade de massa. O poder calorífico do álcool é 60% daquele da gasolina, daí o maior consumo do combustível de origem vegetal.

O engenheiro de materiais Fernando Pan explica que um litro de gasolina tem mais energia que um litro de álcool. “Para cada grama de gasolina utilizada no motor, são necessários 15 gramas de ar para a queima completa. Para um grama de álcool são necessários 9 gramas de ar. Por isso, em um ciclo de motor a álcool é possível colocar mais combustível que em um ciclo de motor a gasolina”, explica Pan. “Isso faz com que o motor a álcool seja mais potente, porém consuma mais combustível”, afirma.

Por que flexível e não bi?

Ser flexível significa admitir combustíveis diferentes, mas que podem inclusive ser colocados no mesmo tanque, sem necessidade de distinção. Usa-se erroneamente o termo “bicombustível” para definir veículos que podem rodar com álcool, gasolina ou qualquer mistura de ambos.

É diferente do que ocorre em um carro a gasolina, álcool ou mesmo um flex equipado com sistema de GNV gás natural veicular. Nesse caso é correto o termo bicombustível. Não há “flexibilidade” – exceto a capacidade de o motor funcionar com o combustível líquido ou o gasoso. Há dois tanques e os combustíveis não se misturam, inexistindo, também, a concomitância de funcionamento – ou se usa gasolina/álcool, ou o GNV. Nosso colunista Fernando Calmon fala sobre isso aqui.

Mexendo no bolso

O preço dos combustíveis varia de acordo com o Estado em São Paulo encontra-se álcool com os preços mais baixos do país. Opte pelo etanol quando a diferença de preço passar de 30% em relação à gasolina – essa é a diferença média de consumo, o que vai impactar no custo por quilômetro rodado.

Para fazer a conta de qual combustível vale a pena há uma regra bem simples, dica também de Fernando Calmon. Basta multiplicar o preço da gasolina por 7 e dividir o resultado por 10 ou tirar um zero. Exemplo: litro da gasolina a 2,40, multiplicado por 7 dá 16,80. Após a divisão, tem-se 1,68. Se o preço do álcool estiver inferior a esse valor, opte por ele. Acima, fique com a gasolina.

E vale a pena utilizar um kit à venda no mercado para tornar seu carro flexível em combustível? A resposta é não. Saiba por que clicando aqui.


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