Da oficina: Chevrolet Corsa mostra sua resistência

Valente, compacto com 64 mil km tinha poucos problemas
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– O Chevrolet Corsa já faz parte da rotina dos reparadores há mais de uma década. Primeiro carro "popular" nacional com motor de 1.000 cm³ de capacidade volumétrica e injeção eletrônica, o compacto passou por diversas mudanças até chegar à atual geração, com opções de motor 1.0 8V VHC, 1.4 Econo.Flex e 1.8 8V Flexpower.

O foco de nossa análise refere-se ao modelo fabricado em 2003, equipado com o antigo motor 1.0 MPFI Multi Point Fuel Injection, ou seja, injeção de combustível multiponto, de 60 cv de potência, anterior ao atual VHC very high compression, isto é, compressão muito alta.

É importante destacar as diferenças entre os propulsores, já que geram dúvidas e erros por parte de certos reparadores. Acompanhe a seguir as opiniões dos consultores e o resultado da avaliação.

Motor

De acordo com a proprietária do veículo, a professora Maria Teresinha de Jesus, o pedal da embreagem apresentava acionamento difícil devido à rigidez. "Isso costuma acontecer aproximadamente aos 50 mil quilômetros nesse carro. Precisamos trocar o platô e o disco, que são iguais aos do Corsa antigo, e também o atuador hidráulico", explica o engenheiro Paulo Aguiar, da Engin Engenharia Automotiva.

"O modelo anterior possuía acionamento por meio de cabo. Esse possui sistema hidráulico, que foi trocado para deixar o conjunto novo. Se ele vazar, o custo da mão-de-obra será muito superior ao da peça agora", completa. Após a troca, a equipe realizou a sangria da embreagem, que utiliza o mesmo fluido do sistema de freios.

Outra queixa da professora referia-se à luz da injeção eletrônica acusando problemas e o alto consumo de combustível. Como ela havia viajado recentemente, abasteceu em postos desconhecidos e perdeu o controle sobre a qualidade da gasolina. "Passamos o scanner e verificamos um erro de leitura da sonda lambda, que trabalhava dentro de uma faixa de mistura muito rica. Como os bicos injetores estavam com pulverização irregular, o tempo de injeção diminuía, causando o problema", esclarece Paulo Aguiar.

Todo o sistema de alimentação do Corsa foi verificado para sanar a irregularidade, a começar pelos bicos, que foram limpos é recomendável trocar sempre os anéis de vedação nessa operação. Em seguida, as velas foram substituídas por um jogo NGK BPR6ES com folga do eletrodo aplicada de 0,9 mm a montadora recomenda parâmetros entre 0,8 mm e 0,9 mm.

Os cabos de vela, já com pequenas fugas de faísca, e o filtro de combustível, obstruído, também ccaptionam lugar a peças novas. A Engin realizou a limpeza do corpo de borboleta, muito sujo, principalmente perto do eixo de acionamento, e do sensor de ar integrado ao coletor, também apresentando excesso de resíduos, ocasionando erro de leitura na unidade de comando.

Com todas as alterações, o índice de emissão de CO monóxido de carbono caiu de 3% para cerca de 0,01%, número inferior aos 0,5% mínimos indicados pela montadora.

O próximo item checado foi a correia dentada. No plano de manutenção da montadora, sua substituição é prevista aos 60 mil quilômetros, ou seja, o Corsa já havia ultrapassado em 4 mil quilômetros essa marca de segurança e, com isso, sua correia e tensionador foram substituídos.

Em seguida, foram trocados o filtro e óleo a especificação indicada pela GM para o lubrificante é a SAE15W40SL. Em condições normais de uso estradas e trânsito sem engarrafamentos, a troca é indicada a cada 15 mil quilômetros. Os reparadores alertam que o mais prudente é seguir a ordem das condições severas, na qual a mudança deve ocorrer em intervalos de 7.500 quilômetros ou menos.

Porém, durante os testes após os reparos, um ruído fugia aos padrões. "Eram alguns ‘estalos’ causados por um coxim quebrado do lado direito do motor. Isso é muito comum e nós o trocamos", conta Paulo Aguiar.

Suspensão e freios

Os sistemas de suspensão e freios do Corsa avaliado não apresentaram problemas. "Como as pastilhas dianteiras já estavam gastas, realizamos a troca do conjunto. Medimos também o desgaste dos discos, que apresentaram 19,8 mm de espessura. Por estarem abaixo do mínimo de 21 mm recomendados pelo fabricante, eles também foram substituídos", explica o engenheiro responsável pela Engin.

Vale lembrar que a atual geração do compacto da Chevrolet utiliza discos ventilados os mesmos usados na Montana, por exemplo, enquanto o modelo anterior era equipado com a versão sólida.

Os cilindros de roda traseiros já haviam sido trocados em razão de um vazamento de óleo. Dessa forma a Engin checou o estado das lonas, que apresentou boas condições, e realizou apenas a regulagem do freio de estacionamento, além da troca do fluído de freio. O líquido, aliás, já apresentava aspecto "pastoso", o que pode comprometer a ação do sistema hidráulico.

"Já peguei carros da linha Chevrolet, geralmente Corsa e Celta 2004 ou mais novos, com fluído sem ação. Ele ‘cristalizava’ e deixava o carro praticamente sem freio. Os vazamentos nas panelas do Corsa também são comuns", explica o consultor Cláudio Cobeio. "Recebi recentemente uma Zafira com a mesma ocorrência", completa Eduardo de Freitas a respeito do comprometimento do líquido de frenagem, cuja troca é recomendada a cada dois anos pela GM.

O Corsa necessitou apenas da substituição dos amortecedores, já desgastados e sem ação em razão da quilometragem.

Dica 1 - O motor 1.0 do Corsa costuma acumular muita sujeira no corpo de borboleta e no sensor de ar, ocasionando mau funcionamento.

Dica 2 - Muita atenção na troca das velas. "Alguns profissionais costumam colocar as peças utilizadas no motor VHC. Elas possuem especificação diferente e podem ocasionar detonação precoce e batida de pino. Anote a vela que deve ser usada: NGK BPR6ES", explica o consultor Eduardo de Freitas.

Dica 3 - De acordo com a GM, o fluído da embreagem deve ser trocado a cada 30 mil quilômetros. O reparador deve estar atento principalmente ao curso e rigidez do pedal, os quais denunciam irregularidades.

Dica 4 - "Quando for trocar a embreagem, o reparador deve lubrificar a haste do rolamento, o garfo e o eixo piloto com graxa a base de bisulfeto de molibidênio ou própria para esse tipo de aplicação. Não se deve usar graxa a base de sabão de lítio, pois ela pode causar oxidação", explica o consultor Arthur Rossetti.

Dica 5 - Apesar de resistente, a suspensão do Corsa precisa de atenção do reparador. Ela costuma desalinhar com mais facilidade que o normal, sendo recomendável sempre checar os ângulos de convergência/divergência, cambagem e cáster do modelo.

Opinião de outros reparadores sobre Corsa 1.0 8V MPFI

Acredito que esse veículo tem excelente custo/benefício. Muitas vezes o recomendo para meus clientes na hora de adquirir um veículo novo. Porém, em minha opinião, a General Motors deveria melhorar a durabilidade do comando de válvulas, que muitas vezes se desgasta de forma prematura.
Eduardo de Freitas Topedo

Concordo com o colega e assino embaixo no recado para a GM. No mais é um carro confiável e bom de prestar manutenção, pois tenho informações e peças que facilitam os reparos. Meus clientes que têm esse veículo ficam satisfeitos, pois preferem fazer a manutenção na minha oficina e não na concessionária. Melhor para a montadora que sejam bem tratados; afinal, além de meus clientes, eles também são clientes da GM.
Carlos Eduardo

Concordo com os amigos, é um ótimo carro, tem peças duráveis, é bom pra dar manutenção. Só não me identifico com a autonomia, é um grande beberrão.
Lucas Jet

O carro, além das qualidades citadas acima, tem ótima estabilidade e dirigibilidade, só não concordo com o termo beberrão, pois isso depende do pé do motorista.
Ronie Dot

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