Da oficina: Chevrolet Meriva

Considerado bom de mecânica e de espaço, monovolume sofre com falta de manutenção e combustíveis adulterados
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- O Chevrolet Meriva começou a fazer parte da rotina dos reparadores em agosto de 2002, quando passou a ser produzido no Brasil na fábrica da General Motors em São José dos Campos. No ano passado o modelo recebeu a motorização 1.8 Flexpower com mais potência, passando de 105 cv para 112 cv abastecido com gasolina e de 109 cv para 114 cv com álcool. Além disso, de acordo com a montadora, ficou em torno de 8% mais econômico do que a geração anterior.

Mas o foco da nossa análise este mês será um Meriva equipado com um propulsor de 1,8-litro 8V, ano 2003, a gasolina, com 72 mil km rodados, que passou por alguns percalços em uma viagem realizada nas férias da família. Muitos dizem que esse modelo peca pelo consumo elevado, porta-malas pequeno e tem muitos ruídos internos. Mas há também os que gostam e exaltam a vantagem de ser um carro muito confortável e com um espaço interno muito bom.

No raio-X comandado pela Engin Engenharia Automotiva e nos dados observados pelos consultores do Oficina Brasil, podemos ver que os mecânicos que já fizeram manutenção nesse carro têm opiniões totalmente diferentes.

O consultor Cláudio Cobeio, da Cobeio Car, por exemplo, atende uma grande frota de taxistas e discorda de muitos dos problemas que o carro apresentou, chegando a afirmar que esse carro foi feito para rodar. "O Meriva é um excelente veículo para taxistas, pois não vejo grandes desgastes nele, e olha que atendo carros que passam praticamente 24 horas andando e têm no mínimo 100 mil km", diz Cobeio.

Na viagem de férias a unidade revisada recebeu em seu tanque muito combustível "batizado", o que levou sua proprietária a reclamar do consumo elevado, falhas ao rodar e barulhos na dianteira. Aliás, se não fossem estes barulhos, o carro passaria ao largo da oficina, pois sua proprietária não pratica o principio da revisão preventiva e só vai ao mecânico quando o carro quebra. Seguindo esse princípio, então, é de se imaginar que esse Meriva tenha apresentado vários problemas. Confira a seguir:

Motor

Logo no início do teste, o Meriva da secretária executiva Karen Panza recebeu o analisador de gases para verificar o nível de CO monóxido de carbono emitido. Constatou-se que ele chegava a mais de 3%, indicando mistura rica, e com o scanner na sonda lambda, viu-se que seus valores estavam acima de 900mV, confirmando o excesso de combustível.

Quando os bicos injetores foram retirados, percebeu-se um gotejamento ocasionado pela sujeira dos combustíveis consumidos, mas, além de vazarem, estavam também carbonizados, fato que resultou em um trabalho de descarbonização na parte superior do motor, pois a proprietária sempre utiliza combustíveis de procedência duvidosa.

Outra peça que sofreu com o combustível batizado foi o filtro de combustível, pois mesmo tendo sido substituído aos 62 mil km, já apresentava indícios de saturação.

A correia dentada foi trocada com 55 mil km e com isso o coxim superior do motor também foi substituído. "Toda vez que efetuar a troca da correia dentada nesses motores, além da substituição de seu tensor, é inevitável verificar os coxins do motor cuidadosamente e, se necessário, trocá-los, pois estes apresentam sinais de fadiga ou até mesmo ruptura perto dos 60 mil km", afirma Paulo Aguiar, da Engin.

Ao levantar o carro e tirar seu protetor de cárter, constatou-se que havia vazamento no bujão do cárter, pois este foi substituído por um comum, com a colocação de um anel de vedação metálico. O problema é que o bujão original tem encaixe para chave Torx e é preciso utilizar anel o’ring para a vedação.

As velas estavam com uma coloração rosada – característica de veículos que consomem álcool, e mais um indício de combustível adulterado consumido durante a viagem – e foram substituídas pelas NGK BPR6EY, com abertura de 0,8mm.

Os cabos de velas também foram trocados, pois apresentavam corrosão, fadiga trincas e baixa resistência elétrica. Todos os consultores alertaram para o fato de os cabos de velas desse veículo apresentarem esses problemas com freqüência e de a bobina queimar com facilidade.

No teste ficou evidente a necessidade de substituir o líquido de arrefecimento, que apresentava uma coloração marrom, pela mistura de água e aditivo recomendada pelo fabricante a recomendação do fabricante para sua substituição é a cada 150 mil km ou 1 ano.

Os consultores do Oficina Brasil foram unânimes em considerar a quilometragem muito longa, e aconselham sua substituição com no máximo 60 mil km ou 1 ano e, além disso, reforçaram a necessidade de utilizar água destilada ou desmineralizada para misturar com o aditivo, claro que sempre na proporção recomendada.

Transmissão

Foi encontrado um vazamento de óleo na tampa do cárter da transmissão, facilmente solucionável com a substituição da junta da tampa e do óleo do câmbio.

O consultor Danilo José Tinelli, da Auto Mecânica Danilo, faz um alerta aos reparadores quanto aos vazamentos que podem ocorrer no motor. "Muito desses vazamentos do Meriva são originários do retentor traseiro do virabrequim e não basta trocar o retentor, é necessário refazer a vedação da capa do mancal traseiro usando selante para alta temperatura."

Suspensão e freios

Aos 50 mil km foi feita a substituição das pastilhas sem que os discos fossem retificados, o que gerou um desgaste em ambas as peças, que necessitaram ser substituídas, pois as pastilhas haviam se acomodado aos discos antigos e estes não apresentavam espessura mínima, que deve ser de 24 mm.

A proprietária do veículo havia notado barulhos na suspensão dianteira desde os 40 mil km e afirmava que levou o carro em uma concessionária e trocou os amortecedores dianteiros e seus batentes, que já apresentavam desgaste. Isso deixou o veículo mais estável, porém o barulho persistia.

Durante a revisão ficou evidente que as buchas de bandeja do veículo estavam danificadas e as bieletas, desgastadas, sendo uma das fontes dos barulhos descritos. Quanto aos amortecedores, somente os traseiros foram trocados, pois já apresentavam vazamentos.

Sistema de direção

A caixa de direção desse veículo apresentava folga acentuada e foi substituída, mas os consultores deixam duas sugestões:

1 antes de substituir algum item do sistema de direção, substitua o óleo da direção hidráulica e
2 antes de condenar a caixa, avalie os braços axiais, pois estes são fontes, comuns, de barulhos.

Dica 1: "Alguns proprietários costumam reclamar do difícil acionamento do câmbio", conforme afirma o consultor Danilo. Porém, o também consultor Cláudio Cobeio, da Cobeio Car, ressalta que os retentores de saída da transmissão vazam com freqüência e alguns reparadores, ao substituí-los, completam o óleo do câmbio com óleo comum mineral, mas o correto seria substituí-lo por um óleo especificado pelo fabricante.

Dica 2: Ao substituir a embreagem é necessário desconectar a tubulação de fluido hidráulico do atuador escravo. Em 85% dos casos o anel o’ring da ponta da tubulação fica dentro do atuador. Caso o reparador não perceba que a tubulação saiu sem o anel, no momento da montagem conexão a tubulação esmaga o o’ring. Nem sempre há vazamento devido à tubulação ficar pressionando o anel o’ring, mas o retorno de fluido é prejudicado após tirar o pé do pedal em uma troca de marcha, por exemplo. Como conseqüência, o disco de embreagem queima a cada troca de marcha, devido ao atuador ficar lento no momento do retorno, até chegar o ponto de estourar e apresentar um grande vazamento. Obs: Essas dicas valem para toda família GM moderna: Astra, Vectra, Zafira, Montana etc.

Dica 3: O consultor Danilo alerta que, quando as pastilhas de freio chegam ao final de sua vida útil e não são substituídas, criando o contato de ferro com ferro, há casos em que o guarda-pó do embolo de freio é deslocado de seu alojamento, sendo necessário a substituição do kit de reparo de ambos os lados.

Dica 4: Todas as vezes em que for feito um serviço nos freios dos veículos atuais, dê preferência pela troca total do fluido de freio, pois assim o trabalho estará garantido.

Dica 5: Eduardo de Freitas, da Ingelauto, aconselha o reparador a ter atenção ao remover o radiador dos veículos com ar-condicionado, pois, ao movimentar a mangueira do condensador, há possibilidade de trinca na região da curva do tubo de alumínio.

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