Da oficina: Mille Economy

Modelo muda trem de força, mas carroceria continua a mesma
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Arthur Rossetti
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Lançado mundialmente em 1983, com a proposta de oferecer transporte a baixo custo, com boa visibilidade, amplo espaço interno, robustez e simplicidade mecânica, o Uno, ao longo dos 26 anos de existência, mudou de nome e passou por leves mudanças estéticas e profundas alterações mecânicas para continuar a ser um sucesso de vendas. Podemos citar os motores que equiparam o modelo brasileiro, com intuito de adaptarem-se às necessidades de mercado: 1.0, 1,3 o primeiro, 1.4 Turbo, 1.5 e 1.6.

A família 1.0 foi inaugurada na versão Brio, de 1990, que possuía 47 cv de potência. Em 1994, a versão ELX entregava 56cv e, no ano seguinte, 58 cv na versão EP Extra Power, e também na SX de 1997. A geração Fire a gasolina apresentava 55 cv e, a Flex, 66 cv quando abastecido com álcool. O último lançamento, Economy, entrega 65 cv quando abastecido com gasolina e os mesmos 66 cv do anterior quando abastecido com álcool.

Ao comparar a versão atual com a primeira, percebemos que a potência está cerca de 30% maior. Para checar este nível de evolução, o jornal Oficina Brasil avaliou o modelo 2009 na Vicam Centro Automotivo, pertencente ao consultor Amauri Cebrian Domingues Gimenes.

Mercado

O Mille é o segundo modelo mais vendido do Brasil no acumulado de 2008, fato que vem se repetindo há anos. A preferência provém de frotistas, microempresas e profissionais que desejam um veículo que apresente um dos menores custos operacionais por quilômetro rodado.

A versão Economy promete uma economia na casa dos 10% em comparação ao modelo anterior. A Fiat adotou várias ações para conseguir obter este número. Veja a seguir os segredos.

Motor

A divisão FPT Fiat Powertrain Technologies, empresa pertencente ao grupo e responsável pelos propulsores e transmissões dos veículos da marca desenvolveu soluções que oferecessem economia de combustível, aliado a redução das emissões de gases poluentes.

Para obter uma maior redução do atrito interno entre as peças móveis do motor, foi desenvolvido para o modelo um óleo lubrificante de viscosidade já conhecida pelo mercado, a 5W30 Low Friction, porém com aditivação específica. Trata-se de um composto com base especial.

Por dentro, assim como nos sistemas que estão diretamente ligados ao seu funcionamento, diversas melhorias foram providenciadas. O propulsor recebeu um novo coletor de escapamento, tubular com a fluidodinâmica otimizada, que foi idealizado para proporcionar menores perdas de carga. Também foi adotado um catalisador com maior volume e capacidade de impregnação de metais nobres, para garantir maior retenção e redução de emissões. Com uma grande área transversal e menor altura, o conjunto diminui ao máximo a restrição causada pela passagem dos gases pela cerâmica do catalisador.

O mecanismo de comando de válvulas também passou por uma completa revisão. Teve sua massa total reduzida em 27%, utilizando tuchos, pastilhas de regulagem, pratos de mola e válvulas com materiais mais leves. Essa solução permitiu uma redução de 25% na carga das molas de válvulas, e consequentemente, menor energia necessária para acionar o eixo-comando de válvulas. Como resultado final, redução de consumo e de nível de ruído interno do motor.

Outro ponto diz respeito à redução do peso das bielas. Elas ficaram 30% mais leves com a utilização de um modelo de biela forjada e fraturada. Além de colaborar para a melhoria do consumo de combustível, proporcionou diminuição na vibração e no atrito, devido à uniformidade no momento da união com o mancal. O reparador pode ficar tranquilo quanto à espessura, pois apesar de apresentarem aparência frágil, peças forjadas têm resistência superior aos modelos convencionais devido à maior concentração das moléculas.

Outra estratégia adotada foi a de reduzir o volume de combustível injetado na partida do motor, para minimizar consumo e emissões. A utilização de um sensor extra permite que a central reconheça a fase do motor em que a partida possa ser feita de modo sequencial qual o próximo pistão que está em posição ascendente e com a válvula de admissão se fechando, para entrar em combustão. Ou seja, injeta combustível no cilindro correto, um por vez. Caso contrário, sem o sensor, a central não reconhece em que estágio está o motor e injeta alternadamente a mistura nos quatro cilindros.

A calibragem do motor foi totalmente refeita, sempre no sentido de melhorar os índices de consumo de combustível e emissões de gases. A marcha lenta passou de 850 para 750 rpm, desde que os seguintes acessórios estejam desligados: ar condicionado, faróis, limpadores de pára-brisa e desembaçador.
Para completar a receita mecânica, também foram otimizados os mapas de mistura para o consumo e o controle da sonda lambda.

A calibragem das velas é 0,8mm + ou – 0,05mm. No mercado encontramos os modelos BOSCH SP7 F000 KE0 P07 e NGK BKR6E. A fabricante ACDelco não possui em seu catálogo um código referente. Se tudo estiver ok, o veículo deverá emitir CO abaixo dos 0,5%.

De acordo com o plano de manutenção do veículo, é normal o nível do óleo abaixar cerca de 300 ml a cada 1.000 km rodados. Atenção a este fato comum na família de motores Fire, experiência vivida nas oficinas do conselho editorial.

Para esta versão a Fiat recomenda o aditivo Paraflu UP de cor vermelha na proporção de 30% aditivo e 70% água pura desmineralizada.

Transmissão

Disponível somente para a versão Mille Fire Economy, a caixa de marchas recebeu uma nova relação, mais alongada, para a quinta velocidade. Essa relação que anteriormente era de 0,872:1 no modelo 2009, passou para 0,838:1. Essa é uma medida que garante a utilização do motor em menor regime de rotações nas estradas e grandes avenidas, o que melhora os padrões de consumo de combustível.

Suspensão

A suspensão dianteira passou a ter uma nova configuração em sua geometria. Os valores de convergência e câmber foram modificados, com valores próximos a zero, para proporcionar menor resistência ao rolamento e melhorar os valores de economia do carro tanto nos circuitos urbanos, quanto nas estradas. Vale lembrar que esta medida prioriza o consumo e não a esportividade.

A versão WAY possui altura livre do assoalho elevada em relação ao modelo Fire convencional. São 1489 mm 14,89 cm contra 1445 mm 14,45 cm.

Baixo atrito

O Mille Fire Economy é equipado de série com pneu de baixa resistência ao rolamento, devido ao projeto da banda de rodagem. Consequentemente, colabora para baixar os níveis de consumo.

Os polímeros de última geração utilizados, aliados a uma redução de 5% no peso do pneu, geram menor resistência ao rolamento, garantindo melhor performance em economia de combustível. Se comparado a um pneu normal, ele oferece uma redução do RR resistência ao rolamento da ordem de 30%. Para conseguir extrair a máxima performance proposta é fundamental que a calibragem esteja em ordem, com 26 libras na dianteira e traseira veículo vazio e 31 em ambos, com carga máxima.

Econômetro

Um indicador de consumo instantâneo foi adicionado ao novo painel de instrumentos, “ensinando” ao motorista a forma mais econômica de dirigir gastando o mínimo de combustível. De funcionamento eletrônico ele é exato nas suas indicações e mostra-se item decisivo em uma condução voltada para a economia de combustível. Seu funcionamento leva em conta as informações de consumo instantâneo de combustível e velocidade do veículo, ambas fornecidas pela central eletrônica de injeção. O sistema entra em ação após o veículo estar a 7km/h de velocidade ou mais, onde a faixa de maior economia será a mais próxima a esquerda da escala cor verde. Ao exigir mais do acelerador, o ponteiro se desloca para a parte alaranjada, indicando maior consumo.

Na década de 80 e 90, os Chevrolets Monza utilizavam um modelo semelhante, porém acionado por vácuo através da depressão encontrada no sistema de admissão proporcional a profundidade do acelerador.

Conforto

O Mille poderá vir de fábrica com os seguintes opcionais: rodas de liga leve de 13”, ar condicionado, direção hidráulica, cd player, vidros elétricos, limpador e desembaçador traseiro, entre outros.

Quanto ao acabamento externo, existe a opção WAY, com apelo aventureiro, suspensão elevada, adesivos próprios, entre outros detalhes.

O consultor Amauri avalia que o modelo evoluiu em acordo com as exigências do mercado, porém sem perder a proposta pela qual foi criado.

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