Da Oficina: motor Fire do Siena tem particularidades

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– É difícil encontrar um reparador que não tenha opinião positiva sobre os motores da linha Fire, da Fiat. Robustos e práticos, os propulsores são considerados bons tanto com cabeçote de 8 válvulas como de 16 válvulas esse tipo de configuração é a que exige mais cuidado, segundo os mecânicos.

Desta vez, analisamos um Fiat Siena 1.0 16V 2002, com uma unidade Fire sob o capô e 64 mil quilômetros rodados. Apesar de contar com boa reputação em meio aos reparadores, a linha Palio, da qual o Siena deriva, apresenta alguns detalhes que exigem muita atenção na hora da manutenção. Saiba quais são eles e acompanhe o raio-x do modelo a seguir.

Motor

O primeiro problema detectado foi com a embreagem do Fiat Siena. "Logo que entrei no carro, já percebi que havia problemas no conjunto", conta Aguiar.

A peça de acionamento hidráulico estava trepidando muito e dificultando a movimentação do carro, mas foi preciso uma análise mais detalhada para ter certeza de que o problema era mesmo com ela. "O ideal é soltar os parafusos do coxim do motor e andar bem devagar para frente e para trás. Se a trepidação parar, o problema é no coxim. Se ela persistir, há grande chance de que o erro esteja mesmo na embreagem", diz o consultor Danilo Tinelli.

Neste caso, as vibrações não cessaram, e a segunda hipótese acabou confirmando-se, o que exigiu a substituição da peça. Com queixas de alto consumo de combustível por parte da proprietária do carro, o Siena nem mesmo foi ao analisador de gases para que fosse constatado o alto nível de emissão de CO2. "Só pelo cheiro já dava para perceber que ele estava acima dos 0,5% máximos indicados no manual de reparo", explica Aguiar. Além do alto gasto de gasolina, o modelo ainda estava com a luz de injeção de combustível acendendo e morrendo mesmo com o motor aquecido.

Depois de analisado, foi constatada uma irregularidade no sensor integrado MAP. Quando desmontada para análise, a peça apresentou grande quantidade de resíduo de óleo. Uma das causas possíveis para o acúmulo do lubrificante é o excesso dele no cárter. "Como este motor tem capacidade para apenas 2,7 litros com o filtro, é comum completarem com 3 litros ou mais, o que gera um vapor que acaba acumulado no MAP", esclarece o engenheiro Paulo Aguiar.

Nesse caso, é preciso realizar a limpeza da peça, sempre tomando cuidado para não danificá-la. No Siena testado, o sensor foi limpo anteriormente de forma inadequada, o que acabou inutilizando-o e exigindo a troca em nossa Avaliação. Na hora da manutenção, o reparador deve utilizar um descarbonizante de boa procedência.

Além do sensor MAP, o acelerador eletrônico Drive By Wire do Siena também apresentava irregularidades, o que fazia com que o carro morresse com o motor aquecido ou frio. O problema também era excesso de óleo. Nesse caso, a Engin realizou a limpeza da peça, tomando cuidado para não afetar os dispositivos acionados eletronicamente, o que resolveu a questão da interrupção de funcionamento brusca do propulsor.

A parte de alimentação também sofreu reparos: as velas, carbonizadas, foram substituídas. O mesmo ocorreu com os filtros de ar e combustível, que estavam obstruídos e saturados. A Engin ainda realizou a limpeza e equalização dos bicos injetores.

Com quase 65 mil quilômetros rodados, o Siena teve a correia dentada e o tensionador substituídos – a Fiat recomenda que essa troca seja feita aos 60 mil quilômetros. O óleo do motor foi trocado pela especificação recomendada pelo manual do proprietário: SAE 15W40. Ao final da "maratona", bons resultados: o veículo voltou à normalidade, e o índice de CO caiu para menos de 0,5%.

Freios

O conjunto de freios foi uma das partes que chamou atenção dos consultores, já que precisou ter várias peças substituídas. Os discos dianteiros estavam com espessura abaixo da especificação, que aponta o mínimo de 18 mm – os do Siena tinham 17,8 mm cada. Também desgastadas, as pastilhas foram substituídas por um novo conjunto.

Aqui vale uma importante dica do engenheiro Paulo Aguiar: "Apesar de sempre insistirmos nisso, há clientes que pedem apenas a troca das pastilhas de freio e ignoram o péssimo estado dos discos em alguns casos. Nessa hora, cabe aos reparadores mostrar que, se não forem substituídos, os discos oferecerão menor área de contato com as pastilhas, e o carro pode puxar para os lados e perder eficiência nas frenagens", opina ele, que teve de convencer a cliente da necessidade da troca.

As peças da parte traseira lonas, sapatas e cilindros de roda estavam ok, e precisaram apenas de limpeza e regulagem. Após os reparos, a Engin realizou a sangria do sistema com fluído DOT 4, recomendado pelo fabricante.

Suspensão

Pouco havia para ser analisado na suspensão do Siena, que foi quase toda trocada há cerca de 20 mil quilômetros. Nessa ocasião, foram substituídos os quatro amortecedores, os batentes e as bandejas do sedã compacto. A Engin realizou apenas uma checagem geral dos componentes e o alinhamento do veículo durante o Teste do Reparador.

Dica 1 - Na hora da troca da embreagem, é recomendável que se faça uma análise da excentricidade e do estado do volante e do motor. Os consultores indicam também uma verificação do atuador mestre e do atuador escravo da peça, que podem conter vazamentos.

Dica 2 - Sempre que a embreagem for substituída, deve-se realizar a sangria com fluído DOT 4 o mesmo utilizado no freio. É preciso atentar também para a lubrificação entre as estrias do disco e do eixo piloto.

Dica 3 - Durante a manutenção do sistema de freios, é essencial checar o estado dos discos e desmontar as pinças para verificá-las.

Dica 4 - Caso o reparador suspeite de problemas no sensor MAP, antes de ligar o aparelho de diagnose ele deve colocá-lo na opção "Sensor MAP". Em seguida, deve-se pressionar o acelerador. Caso o MAP não reaja, o problema já está detectado sem grande esforço.

Dica 5 - Cuidado na hora de remover os bicos injetores do Siena: eles são frágeis e podem quebrar sem muito esforço.

Dica 6 - Deve-se verificar o anti-chama, localizado na tampa do cabeçote, quanto à saturação por excesso de resíduo de óleo. Caso isso ocorra, o ideal é trocar a peça, já que seu custo não é muito elevado.

Dica 7 - Outro item que deve ser checado é a chamada "tomada de vácuo", que pode estar entupida, como no veículo testado.

Dica 8 - Se, mesmo após os reparos, o carro ainda permanecer com a marcha lenta irregular, é preciso realizar o ajuste básico através do scanner.

Dica 9 - Em todo reparo que exigir o desligamento da bateria, é recomendável esperar alguns minutos após desconectar os cabos para que o módulo faça uma varredura geral. Em outros veículos, como os de origem francesa, porém, o desligamento da bateria nunca deve ser efetuado, já que, neste caso, a central eletrônica só voltará a ser habilitada com o uso de equipamentos especiais.

Dica 10 - Apesar da Fiat recomendar a troca do óleo aos 15 mil quilômetros em condições normais, e aos 10 mil quilômetros em condições severas, os consultores recomendam que as substituições ocorram a cada 5 mil quilômetros.

Dica 11- Sempre troque a correia dentada com o motor completamente frio. Elas nunca devem ser dobradas e, após a colocação, é preciso verificar se a largura e o perímetro externo estão de acordo com o recomendado no manual.


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