Da Oficina: Pajero IO

Problemas simples de resolver no modelo com 100 mil km rodados
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A Mitsubishi comercializa a Pajero no Brasil desde 1992. Desde então o modelo passou a ser objeto de desejo e status. A partir de 1999 a versão compacta IO começou a figurar pelas ruas. Importado do Japão, o jipinho agradou o consumidor que procurava por um veículo ágil, com motor adequado e visual moderno para a época.

Novidade no ar

A unidade foi avaliada na Vicam Centro Automotivo, pertencente ao consultor Amauri Cebrian Domingues Gimenes. Desde o dia 14/04, também os visitantes da 9ª edição da feira Automec puderam participar da avaliação em dois horários durante o dia.

O foco da demonstração foi explicar aos mecânicos presentes as vantagens do uso do check-list na oficina disponível gratuitamente para download http://www.agendadocarro.com.br/ aqui, “ferramenta” esta que garante incremento no volume de serviço.

Dicas:

Antes de efetuar a remoção do corpo de borboletas ou coletor de admissão, o reparador poderá tirar uma fotografia, a fim de identificar a posição de cada mangueira no ato da montagem. Este procedimento ajuda, visto a grande quantidade de mangueiras acoplada à peça.

Segundo o consultor Cláudio Cobeio, da Cobeio Car, a família Pajero aceita apenas o kit gás de 5ª geração, com injeção direta e individual. Os kits de 2ª e 3ª geração ocasionam back fire logo após alguns quilômetros de instalado.

Motor

O motor que equipa a Pajero IO pertence à série 4G93 com 4 cilindros a gasolina, 1.834cc, 16 válvulas, 117 cv, 16,83 m.kgf de torque, com taxa de compressão de 9,5:1. Ao rodar com o veículo nota-se que o propulsor entrega potência e torque adequados à proposta do jipe, que prioriza a força e não a esportividade.

Ao remover as velas, que estavam no final da vida útil, com os eletrodos completamente arredondados de tanto uso, notamos certa quantidade de óleo de motor no alojamento, semelhante o ocorrido no Fiat Marea da edição de março. Esta Pajero também utiliza os anéis o’ring entre a tampa de válvulas e cabeçote, aliado à junta.

Para as velas de ignição o reparador poderá optar pelas originais ou NGK código BKR5E-11, DENSO K16PR-U11 e CHAMPION RC10YC4. A abertura recomendada é 1,1mm.

Além do vazamento de óleo na região citada, o retentor do volante do motor e junta do cárter também apresentou vazamento de óleo. A Mitsubishi recomenda para o motor, 3,8 litros de óleo de especificação API SE ou superior 20W40 ou 20W50 Castrol GTX Magnatec ou Castrol SLX incluindo o filtro.

As correias poli-v e dentada haviam sido trocadas recentemente e não apresentaram trincas ou ressecamento. O manual de manutenção recomenda a regulagem de folga das válvulas com 0,20mm para admissão e 0,30mm para escapamento.

Notamos que havia um deslocamento excessivo ao tracionar. Ao analisar os coxins, constatamos que o superior estava rompido. O filtro de ar estava em perfeitas condições.

Videoendoscopia

A videoendoscopia demonstrou um bom estado de conservação interna dos cilindros, retentores de válvulas e limpeza isenção de crostas na cabeça do pistão e câmara de combustão.

Arrefecimento

O sistema apresentou perfeita vedação e estanqueidade, porém o líquido de arrefecimento estava desprovido de aditivo e por sorte a ferrugem ainda não havia surgido. O sistema comporta 6,0 litros incluindo 0,650 ml do reservatório. O aditivo recomendado pela Mitsubishi é o Long Life Coolant C470 na proporção 40% para 60% de água pura desmineralizada.

A pressão de abertura da tampa do radiador é 0,9 Bar. O diferencial dianteiro requer 0,800ml de óleo e o traseiro 1,7litro. O roda livre rodas dianteiras requer 0,100ml. O recomendado é o Castrol Syntrax 75W90 ou Castrol SAF XB.

O seletor interno apresentou funcionamento perfeito. A coifa da homocinética dianteira esquerda estava rasgada e necessitou ser trocada. O coxim inferior do câmbio também estava rompido.

Suspensão

O undercar do modelo avaliado havia recebido manutenção recente, onde os 4 amortecedores aplicados foram os nacionais Cofap Turbogás.

Segundo o consultor Paulo Aguiar da Engin Engenharia automotiva, “o reparador encontra os amortecedores nacionais sem maiores dificuldades, porém o restante das peças necessárias a correta manutenção como, batentes superiores, rolamentos dos batentes, batentes de PU, coifas, bieletas e pivôs, não. Somente a concessionária disponibiliza estes últimos itens, o que encarece a manutenção”. Os rolamentos de roda demonstraram funcionamento sa¬¬tisfatório, livre de folgas.


Sistema de escapamento

O conjunto estava em perfeitas condições. Os fabricantes nacionais não disponibilizam o sistema, apenas a rede de concessionárias Mitsubishi.

Freios

A espessura dos discos era de 19mm, abaixo do mínimo especificado 20,40mm. As pastilhas estavam abaixo de meia vida e ambos foram substituídos. O fluido de freio aplicado foi o DOT 4. Os flexíveis estavam em bom estado e não apresentaram dilatação. Os cilindros de roda traseiros estavam em bom estado, assim como as lonas e tubulação.

No momento da aplicação do check-list, constatamos que o freio de estacionamento freio de mão estava desregulado, com 9 dentes de folga. Efetuamos a regulagem e o deixamos com 4 dentes. O modelo avaliado possuía ABS e nenhuma anomalia foi constatada.

Habitáculo

O interior estava em boas condições, exceto o funcionamento do botão da buzina, localizado ao centro do volante. Os contatos internos estavam danificados e um botão auxiliar em paralelo foi instalado como acionador. Os vidros elétricos, ar-condicionado, ar quente, painel, ajustes dos bancos estavam ok. O ar-condicionado requer de 600 a 640g de gás refrigerante R-134ª.

Iluminação

A lâmpada do farol esquerdo 1º estágio lanterna estava queimada 5w, assim como as duas da placa traseira 5w, lanterna traseira esquerda 5/21W e brake light 5w sem insulfilme e 18W com insulfilme.

Índice de Durabilidade e Recomendação

O Mitsubishi Pajero IO foi avaliado pelo conselho editorial do jornal Oficina Brasil como um veículo de manutenção fácil, apesar da pouca experiência prática com o modelo. A nota média foi 6,5 em escala de zero a 10, uma das mais baixas já apresentada pelo conselho.

Isso ocorreu principalmente por causa de dois fatores: dificuldade em encontrar peças e informação técnica a montadora não divulga nada a respeito da reparadibilidade dos veículos da marca. Na avaliação, são observados os seguintes itens:

1 Tempo de serviço – facilidade de acesso aos principais sistemas motor e câmbio, suspensão, direção, freios e parte elétrica.
2 Disponibilidade de peças no mercado de reposição concessionárias e lojas de autopeças.
3 Custo de peças concessionárias e lojas de autopeças.
4 Durabilidade dos componentes.
5 Nível de tecnologia.
Confira as notas abaixo.

Notas

Amauri Guimenes Vicam Centro Técnico Automotivo – nota 6
Eu acho o carro robusto, porém, as peças são difíceis de achar e possuem custo alto. A manutenção requer mão-de-obra especializada.


Cláudio Cobeio Cobeio Car – nota 7
No geral, teria restrições quanto à compra caso a Pajero em questão possua alta quilometragem superior a 150.000km. As peças possuem alto custo, assim como a manutenção. Atenção no momento da compra

Danilo Tinelli Auto Mecânica Danilo – nota 6,5
O motor não oferece grandes problemas para trabalhar, porém, quanto à parte eletrônica requer equipamento específico. O motor de passo só pode ser enquadrado em concessionária devido o acesso ser restrito ao scanner da Mitsubishi. A bomba d’água costuma durar pouco e os batentes e amortecedores apresentam barulhos. Em alguns modelos a direção apresenta folga na coluna. No restante não há grandes problemas.

Sérgio Torigoe Auto Elétrico Torigoe – nota 6
Eu recomendaria porque é um carro para uso especifico, trilha leve, muitos clientes meus o possuem e gostam. A nível de manutenção quanto a problemas elétricos foram poucos. Carro muito bom para sua finalidade

Paulo Aguiar Engin Engenharia Automotiva – nota 7
É um carro que vale a pena ser comprado porque existe uma facilidade de manutenção. O problema são as peças especificas, como batentes e pivôs de suspensão, cabos e bobinas, bomba elétrica, entre outros, que são encontrados somente na rede autorizada Mitsubishi. O carro obrigatoriamente deverá possuir seguro devido o alto custo das peças de lataria, lanternas, vidros etc.

Direto do Paredão, a opinião de outros reparadores

Lauro Rosset Centro Automotivo Telefor – nota 8
O motor é confiável e de baixa manutenção quanto a falhas, ao contrário da caixa de direção hidráulica que insiste em apresentar ruídos. As buchas da suspensão apresentam desgaste prematuro e o veículo passa a sensação de instabilidade em altas velocidades.

Alexandre Aizukami Nissei Ar-Condicionado para Autos – nota 8
Já peguei o módulo de injeção com defeito, ventoinha do radiador não funcionando na 1ª velocidade e o rolamento da polia do compressor do ar condicionado com ruído. As pastilhas costumam apresentar ruído folga entre pastilha e cavalete. Devido à falta do filtro de cabine, é comum a caixa evaporadora acumular sujeira. Na minha oficina, certa vez, já retirei um rato dali.

Avaliação de Mercado

O Mitsubishi Pajero iO 99/00 Autom é um veículo que, apesar de ser 4x4 e com bom pacote, demora média 25 dias na loja para ser revendido. Não há muita oferta, nem procura, mas quem busca um carro deste, geralmente, gosta de SUVs e encontra no Pajero um bom pacote de equipamentos e acessórios.

O veículo apresentou valorização de 1,45% em março/09 relativo a fevereiro/09. No comparativo de março/09 com o mesmo mês de 08, observou-se que o modelo desvalourizou -10,36%. Sindiauto/Assovesp._______________________
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