Da Oficina: Renault Kangoo

Modelo é resistente, mas não tem disponibilidade de peças de reposição
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Arthur Rossetti
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A montadora francesa comercializa no Brasil o modelo Kangoo, produzido na Argentina, desde o ano 2000, idem ao ano do modelo avaliado. Havia inicialmente duas opções de motorizações, a 1.0 D7D e 1.6 K7M, ambas a gasolina e 8 válvulas.

Posteriormente houve a introdução do motor 1.0 16 válvulas D4D e 1.6 16 válvulas K4M também a gasolina. Desde 2007 o modelo é disponibilizado somente com a motorização 1.6 16 válvulas Hi-Flex, apto a rodar com gasolina, álcool ou a mistura dos dois.

O público alvo deste segmento é a família, frotistas que utilizam a versão de carga denominada Express, e pessoas que necessitam de amplo espaço para carregar objetos diversos.

O modelo possui também uma boa quantidade de peças plásticas, que podem ser recicladas no futuro e contribuir com o meio ambiente.

Check-list

Ao aplicá-lo reparamos que os itens mais comuns de apresentar desgaste foram condenados, provando a eficiência da sequência proposta pelo documento. O item que mais chamou a atenção foi o estado geral dos pneus – os quatro estavam com profundidade dos sulcos inferior a 1,6mm mínimo exigido pelo código de trânsito brasileiro. O pior estava por vir, pois o estepe havia sido “riscado”. Infelizmente esta ainda é uma prática utilizada por alguns estabelecimentos no país.

A ação de riscar um pneu pode parecer vantajosa a princípio, porém todos estarão à mercê da sorte, pois a ferramenta que o faz atinge uma área que possui função vital na estrutura. Além de comprometê-la, a borracha que passará a entrar em contato com o solo será a de base, com propriedades e propósitos diferentes da borracha da banda de rodagem. A aderência é drasticamente reduzida nestas condições. Vale lembrar que o veículo estava passivo de multas visto o estepe também ser considerado um pneumático apto a rodar a qualquer momento.


Motor

Devido ao torque de 8,5 kgfm da versão 1.0 aparecer somente aos 4.250 rpm, o desempenho é deficitário segundo os proprietários, principalmente em subidas com alto grau de inclinação. O contrário ocorre na versão 1.6, idem à avaliada, onde a apenas 2.500 rpm os 13,6 kgfm aparecem, o que favorece a condução, principalmente em cidades e com o veículo carregado.

Havia um considerável vazamento de óleo externo, proveniente do retentor da árvore de manivelas lado da polia, da união do cárter produzido em alumínio com o bloco do motor e pelo anel de vedação do bujão de dreno devido à reutilização.

Através do CDI Centro de Documentação e Informação do Sindirepa São Paulo, conseguimos a tabela de torques do motor e principais agregados. Confira no quadro da página 76 e guarde esta informação nos arquivos técnicos de sua oficina.

O motor 1.6 8 válvulas necessita de 3,3 litros de óleo lubrificante incluindo o filtro. A recomendação da Renault fica apenas no quesito viscosidade 20W50 e classificação API SH ou SJ, visto o manual de manutenção não especificar a necessidade por base sintética, semissintética ou mineral. Não haverá problemas em aplicar um lubrificante de categoria superior a API SJ API SL ou SM, desde que o antigo seja totalmente esgotado e o filtro trocado.

Não foi detectado nenhum ruído no funcionamento motor rajando ou batendo. Apenas ao sair em 1ª marcha e marcha-a-ré, era identificado um deslocamento anormal do motor, fato reclamado pelo proprietário. Ao efetuarmos a verificação, foi constatado que o coxim superior estava quase totalmente rompido.

O filtro de ar estava obstruído com impurezas resultantes do uso contínuo. Além da obstrução no papel, a base estava impregnada com óleo de motor, proveniente do blow-by ligado à carcaça plástica de alojamento. O filtro sujo ocasiona diversos malefícios ao veículo, como por exemplo, o alto consumo de combustível, perda de performance, aumento no CO monóxido de carbono etc.

As velas estavam no final da vida útil e apresentavam aparência de queima ineficiente combustível em excesso. O mercado de reposição disponibiliza as opções Bosch código F 000 KE0 P25 e NGK BKR5EKC ou BKR5E modelo Green, com eletrodo central em “v”.

Os cabos de vela eram originais e foram trocados preventivamente devido aos nove anos de uso e quilometragem percorrida.

A correia poli-v estava no final da vida útil aparecendo a malha branca interna e foi substituída. A dentada também foi trocada preventivamente, assim como os tensores.

O sensor de rotação apresentou tempo elevado para identificar o sinal do volante do motor quando acionada a partida, fato este que contribuiu para a diminuição da vida útil da bateria o motor girava mais de três segundos para entrar em funcionamento. A bateria utilizada deve possuir uma capacidade mínima de 50 A/h.

As unidades injetoras foram limpas preventivamente, a fim de melhorar o leque de injeção e colaborar com o novo jogo de velas e filtro de ar, favorecendo a diminuição do consumo de combustível, nível de emissões de poluentes e desempenho. O reparo também foi trocado minifiltros e anéis o’ring.

Vídeo-endoscopia

Com o auxílio da vídeo-endoscopia foi descoberto vazamento interno de óleo através do retentor da guia de válvulas no 2º cilindro. A ferramenta proporcionou um enorme ganho de tempo e assertividade no diagnóstico. A cabeça dos pistões, câmara de combustão e brunimento dos cilindros mostraram-se em bom estado.

Arrefecimento

O reservatório de expansão apresentou marcas externas de “escorrido” na região da tampa. Ao removê-la houve a quebra, partindo-se em duas. O nível do líquido de arrefecimento estava baixo, aliás, não havia mais presença de aditivo, prova de que a adição com água de torneira era frequente.

O alojamento da válvula termostática união entre a carcaça plástica e o bloco do motor apresentava vazamento também. A remoção, limpeza e posterior colagem foram necessárias.

A tubulação superior estava desprovida do pino de sangria quebrado. Ela foi substituída pela original.
No total o sistema de arrefecimento comporta 5,7 litros, sendo 60% de água desmineralizada para 40% de aditivo. Como o manual de manutenção não informa a especificação, o conselho recomenda a utilização do aditivo utilizado pela Renault.
Os eletroventiladores estavam funcionando normalmente.

Transmissão

A caixa de marchas apresentou vazamento de óleo em dois locais: no retentor inferior do trambulador e no retentor lateral tulipa.

A Kangoo utiliza o sistema de varão para a troca das marchas. Segundo o conselho editorial, esta é uma solução antiga, que possui como característica a falta de precisão ao trocar de marcha, com acúmulo de folgas e deslocamento da alavanca seletora durante a utilização do veículo. Outro problema é quanto à disponibilidade da peça na rede autorizada. O consultor Paulo Aguiar, da Engin Engenharia Automotiva, afirma que certa vez precisou adquirir o varão e nenhuma concessionária possuía a peça para pronta entrega.

As homocinéticas estavam com funcionamento livres de estalos e folgas, onde não havia nenhuma coifa rasgada. O coxim central estava rompido.

A embreagem estava em boas condições de uso. A original é da marca Valeo e possui o disco com 215mm de diâmetro externo, 26 estrias e pré-amortecimento. Existe também a opção pela aquisição do platô, disco e rolamento através da fabricante Luk, com o código 620 2236 00 ou 620 3038 00 para volante do motor plano e Sachs 6588 ou 6589.

O sistema de acionamento é a cabo, com garfo de embreagem. Aliás, o conjunto é “pesado” de acionar, algo característico do modelo segundo o consultor Danilo Tinelli, da Auto Mecânica Danilo. De acordo com o consultor Cláudio Cobeio, da Cobeio Car, existem algumas Kangoos em que a alavanca fixadora do cabo, localizada na caixa seca, possui um comprimento menor, algo em torno de 50 mm em comparação ao encontrado no modelo avaliado. Quanto maior a alavanca, menor será o esforço de acionamento.

Dica: Ao remover a caixa de marchas para efetuar algum reparo ou substituição da embreagem, o reparador deverá ficar atento e remover os dois semi-eixos por completo. Caso não seja removido, ou seja, for apenas afastado, haverá uma grande possibilidade dos roletes da capa castanha ou trizeta cairem dentro da caixa, algo que poderá ocasionar travamento e quebra das engrenagens ao montar e andar com o veículo. Se ocorrer, o óleo deverá ser esgotado e a caixa aberta. Para a montagem, o lubrificante novo deverá ter viscosidade 80W.

Suspensão

O veículo estava equipado com os quatro amortecedores originais de fábrica. Eles apresentaram vazamento e foram substituídos. Os batentes em PU da haste não existiam, pois quebraram e foram perdidos durante o uso. Os batentes superiores e os rolamentos foram trocados preventivamente, assim como as buchas centrais da barra estabilizadora, que apresentaram folga excessiva.

Dica: ao substituir o pivô inferior, o reparador deverá constatar se o pino possui 16mm ou 18mm. Existem os dois tipos em circulação. O conselho afirma que a suspensão é o ponto fraco do modelo, principalmente em se tratando dos pivôs.

Os rolamentos internos do eixo traseiro demonstraram funcionamento satisfatório, livre de rangidos e folgas.

Sistema de escapamento

O conjunto estava em perfeitas condições, mas o silencioso final não era mais o original.

Freios

A espessura dos discos era de 17,30mm, abaixo do mínimo especificado 17,70mm. As pastilhas estavam abaixo de meia vida e ambos foram substituídos. O fluído de freio aplicado foi o DOT 4. Os flexíveis estavam em bom estado, não apresentando dilatação.

Um dos cilindros de roda traseiros apresentou início de vazamento na região do êmbolo. Os dois lados foram trocados. Como o vazamento estava no início, as lonas não foram contaminadas, eliminando a necessidade de troca.O modelo avaliado não possuía ABS, porém o conjunto apresentou eficiência.

Habitáculo

O interior estava em perfeitas condições, assim como o funcionamento dos botões, vidros elétricos, ar-condicionado, ar quente, painel, ajuste dos bancos etc.

Dica: para evitar a deformação do bocal do tanque e consequente dificuldade de recolocação da tampa plástica, ao ter que remover a bomba de combustível, a bóia ou o anel de vedação, dê preferência em executar o serviço com o nível de combustível baixo. Caso haja necessidade em deixar o conjunto da bomba fora do tanque por um período longo, o conselho editorial recomenda que a tampa seja rosqueada.

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