Da oficina: Toyota Corolla SE-G

Raio x revela segredos e dificuldades do modelo japonês
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Oficina Brasil
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– Você recebe constantemente modelos Toyota Corolla em sua oficina? Tem bom conhecimento sobre a mecânica desse carro ou sabe de algum reparador independente que possua esses dados desse modelo?

Certamente, a resposta a essas perguntas, em especial à segunda, não é positiva. Isso se deve a dois fatores: um diz respeito ao pouco tempo de comercialização do novo modelo Brad Pitt a versão ficou conhecida assim depois da campanha publicitária mundial com o ator norte-americano, lançado no Brasil em julho de 2002.

O outro, um pouco mais obscuro, refere-se à dificuldade das empresas detentoras de bancos de dados com parâmetros de funcionamento de motores de inúmeros veículos terem acesso aos dados específicos do modelo de origem japonesa.

Não estranhe quando terminar a leitura deste teste. Nossa equipe esgotou as fontes que não são poucas de pesquisa para obtenção dos parâmetros sempre presentes nestas avaliações, entrou em contato com a montadora e não obteve retorno positivo para a liberação do manual técnico. Uma dificuldade e tanto para as oficinas independentes, que começam a receber quantidades cada vez maiores do modelo e esbarram na censura imposta pelas montadoras de contar com dados para reparo.

Cabe a nós, reparadores - em nome do bom atendimento aos clientes que optam por nossos serviços -, a mobilização para a mudança dessa situação.

Confira a seguir a análise de um Toyota Corolla SE-G 1.8 16V ano 2003 com câmbio automático de quatro marchas e 65 000 km rodados.

Motor

Em relação à tecnologia, o propulsor do Corolla apresenta recursos muito modernos com o VVT-I, mais conhecido como comando variável. Graças ao sistema, o tempo de abertura das válvulas muda de acordo com o regime de rotações do motor, melhorando o consumo e o desempenho.

Aliás, nos quesitos tecnologia, construção e confiabilidade, esse motor ganha nota dez, mas não podemos esquecer que se trata de uma máquina, que necessita de manutenção inclusive preventiva para continuar funcionando de forma confiável.

Nesse sedã, a tomada para conexão do scanner de diagnose encontra-se localizada ao lado da alavanca de abertura do capô. Para ter melhor acesso às peças, é preciso desmontar a capa plástica de proteção do motor, que serve também para diminuir o barulho dentro da cabine do carro.

Iniciando o processo de verificação geral, o consultor do Oficina Brasil, engenheiro Paulo Aguiar, retirou as bobinas há uma para cada vela e é bom ficar atento quando for realizar a remoção delas, que podem ser danificadas facilmente para a verificação das mesmas e das velas NGK BKR5EYA-11 se a opção for por produtos da Bosch, a marca recomenda o modelo FR7DCX para o propulsor IZZ-FE do Corolla SE-G. Tudo ok com ambos, já que as velas haviam sido trocadas na revisão de 50 000 km.

A folga das válvulas de admissão com o motor frio, que deve estar entre 0,15 mm e 0,25 mm, encontrava-se com 0,10 mm, problema rapidamente corrigido por nosso consultor. As de escape, cujo parâmetro é o mesmo, também foram acertadas estavam com 0,28 mm. Essa verificação deve ser feita a cada 20 000 km. Os eletrodos das velas devem ter 1,1 mm de espaçamento e elas devem ser trocadas a cada 40 000 km. O preço dos modelos NGK no mercado de reposição é R$ 59, enquanto as concessionárias cobram R$ 94 pelo jogo com quatro peças.

O óleo foi substituído a capacidade do cárter mais o filtro é de 3,7 litros pelo recomendado no manual do proprietário, especificação 15W40SL. A marca escolhida foi a Elf, também escolhida para o fluido de arrefecimento, que exige 2,5 litros de aditivo e 2,8 litros de água.

Em seguida, foi realizada a verificação dos bicos injetores. Como na grande maioria dos modelos testados por nós recentemente, havia grande diferença de vazão entre eles, causando aumento do consumo, fato já apontado pelo proprietário do carro. A equalização foi realizada sem problemas no Toyota, o regulador de pressão encontra-se no meio da flauta.

Para trocar o filtro de combustível a peça estava saturada e entupida, também contribuindo para a elevação do consumo de gasolina, no entanto, uma peculiaridade: ao contrário da maioria dos modelos nacionais, nos quais o filtro fica embaixo da carroceria, no Corolla ele se encontra dentro do tanque de combustível, junto à bomba.

Um trabalho a mais para o reparador, que precisa remover a peça para trocar o controlador de resíduos, cotado a R$ 119 nas concessionárias e não disponível no mercado de reposição. Além disso, o sistema não tem retorno, ou seja, se for preciso medir a vazão da bomba, é necessário acoplar o manômetro antes do regulador de pressão.

No sistema de escape, mais particularidades: para retirar ou verificar a sonda lambda, é preciso remover o defletor que protege o tubo do coletor de escapamento. O catalisador só é vendido juntamente com o tubo de exaustão intermediário e vice-versa.

Ainda em relação ao motor, agora uma vantagem: no lugar das tradicionais correias dentadas, o Corolla possui acionamento do comando de válvulas feito por meio de corrente, que deve ser verificada e trocada se preciso apenas a cada 150 000 km. A correia Poli V deve ser checada a cada 20 000 km - ela foi trocada neste teste.

O fluido da transmissão automática precisa ser reposto aos 40 000 km. Por último, foi realizada a troca da bateria, que apresentava queda de voltagem para cerca de 9 volts na hora da partida, tornando o processo lento.

Suspensão

Não foram encontrados problemas na suspensão do Corolla testado, afinal, o sistema já havia passado por manutenção há pouco tempo, o que revela certa fragilidade desse conjunto, quando as bandejas foram trocadas com 48 000 km rodados o preço delas nas concessionárias é de salgados R$ 809 para cada lado. Os pivôs custam R$ 335.

As coifas da homocinética estavam ok, bem como os coxins do motor e câmbio. O que chamou a atenção foi o escasso número de peças de reposição para essa parte do carro disponíveis no mercado de reparação. A Cofap, por exemplo, fornece amortecedores, mas é quase impossível encontrá-los nas lojas, o que, mais uma vez, torna o proprietário do Toyota refém das concessionárias.

Freios

O proprietário do veículo reclamou de chiados nas pastilhas e informou que já havia trocado as peças há cerca de 10 000 km. Como os discos não foram substituídos ou mesmo retificados, eles apresentavam rebarbas e acabaram por inutilizar as pastilhas, que foram substituídas.

Os discos, com espessura de 22,8 mm o mínimo recomendável é de 23 mm, foram trocados por um par da marca Fremax com custo de R$ 396 os originais saem por R$ 752!. As pastilhas traseiras já tinham sido trocadas na autorizada por um valor de R$ 234 - o preço delas no mercado de reposição gira em torno de R$ 90,00.

Realidade na oficina

Esta avaliação do Toyota Corolla revela com precisão a dinâmica do mercado de reparação independente, ou seja, cada vez mais os donos de carro, no fim do período de garantia, entregam os serviços a seus mecânicos de confiança e as dificuldades de manutenção acabam prejudicando os proprietários desses automóveis considerados difíceis.

Os veículos japoneses ganharam fama mundial por sua robustez e custo de manutenção mais em conta, mas, no momento, em esses carros chegam ao mercado independente, como vimos, a realidade é outra.

Por melhor que seja o projeto e mais bem construído o veículo, trata-se de uma máquina que não pode prescindir de manutenção periódica; e se o dono do carro opta pelo serviço de um mecânico de confiança a realidade da oficina vai falar mais alto.

Opinião de outros reparadores sobre o Toyota Corolla

“Não costumo receber muitos Corolla aqui. Já reparamos alguns, mas por problemas de colisão ou coisas simples, como trocas de óleo e pastilhas de freio”, Celso Cuofano - Oficina Cuofano.

“Recentemente recebemos um Corolla com 45 000 km e barulhos na suspensão. Sugerimos ao cliente que substituísse as bandejas, mas ele preferiu procurar uma segunda opinião achando que elas não estavam com problemas. Voltou logo depois para fazer o serviço”, Alessandra Sousa Pinto - Rede Sousa Pinto de Pneu.

“Reparamos um Corolla com problemas na hora da partida e algumas falhas. A causa era a oxidação nos terminais dos sensores da injeção eletrônica. Já arrumamos alguns com problemas na suspensão também, vindos de bandejas e pivôs estragados. O cliente desse carro geralmente prefere levá-lo à concessionária, já que há algumas dificuldades para obter peças de reposição”, Danilo Tinelli - Auto Mecânica Tinelli.



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