Mantendo o ar limpo

O que você pode fazer para manter o ar da cidade em que você mora mais respirável
  1. Home
  2. Tecnologia
  3. Mantendo o ar limpo
Gustavo Ruffo
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- Quem pega seu carro todos os dias e o utiliza mesmo que uma fumacinha mais escura esteja saindo do escapamento deve ficar atento: só em São Paulo, de nove a dez pessoas por dia morrem por problemas respiratórios, segundo a Faculdade de Medicina da USP. Tentar escapar à responsabilidade pode ser fácil, mas a isso se alia outro argumento: quem vive numa cidade com ar poluído pode viver de um a um ano e meio a menos do que quem respira um ar saudável. Em suma, quem anda com o carro desregulado não está piorando só a vida de estranhos, mas a própria e a de seus familiares. Como, então, evitar que isso aconteça?

Um motor funciona com o princípio da combustão, ou seja, é preciso que o combustível seja queimado dentro dos cilindros para que a expansão dos gases mova os pistões e gere o movimento. Nos carros antigos, que tinham carburadores para injetar combustível no motor, o controle era quase impossível. Em primeiro lugar, porque não havia uma preocupação mais alta com emissões ou consumo. O lema, em tempos de Weber, era desempenho. Em segundo, porque sistemas mecânicos costumam admitir poucas regulagens.

Com o passar do tempo, e graças ao programa de emissões brasileiro, o Proconve, o carburador se tornou um equipamento obsoleto, incapaz de atender às demandas dos novos tempos. “Houve uma tentativa de utilizar carburadores eletrônicos, mas o Proconve acabou forçando as empresas a adotar a injeção eletrônica em todos os seus veículos”, afirma Alfredo Bastos Júnior, gerente de Marketing da MTE-Thomson, empresa que fabrica componentes para o sistema, como a sonda lambda.

A injeção eletrônica, por outro lado, permitia um controle muito sofisticado das quantidades de combustível admitidas no interior do motor, fazendo os índices de poluição por veículo caíram drasticamente. Isso, por ironia, acabou favorecendo também o desempenho dos veículos. Um motor 1,6-litro de vinte anos atrás não desenvolvia mais do que 60, 70 cv. Hoje, o mínimo que eles apresentam é 100 cv e a tendência é de crescimento.

Em compensação...

A notícia de que a poluição caiu deveria ser comemorada, mas, se os carros poluem menos, eles também chegam, cada vez mais, em maior número às ruas. Além disso, a frota antiga que ainda circula no Brasil é muito alta. Diz-se que 10% da frota circulante atual, antiga, é responsável por 90% da poluição produzida diariamente. Enquanto o programa de renovação de frota não se concretiza e há anos que ele se arrasta, a solução para quem quer agir é manter o próprio carro funcionando bem. Para o bem da própria saúde e do próprio bolso.

No esquema ao lado desenho com fundo verde, nota-se o seguinte ciclo: o motor queima o combustível e expele os gases pelo escapamento. Antes que eles cheguem ao catalisador, eles passam pela sonda lambda, que mede as quantidades de oxigênio presentes nos gases. Isso indica se a queima está pobre com pouco combustível ou rica com excesso de gasolina ou álcool. Indica também, nos carrros flexíveis em combustível, o que está sendo consumido pelo motor: álcool, gasolina ou ambos.

Dentro deste ciclo, o principal elemento de ajuste é a sonda. Se ela não estiver ok, todo o processo fica comprometido. Se a leitura, por exemplo, for de que há oxigênio demais no sistema, a injeção aumentará as quantidades de combustível no motor, gastando e emitindo mais do que o necessário. Se ela indicar pouco oxigênio, pode deixar de injetar combustível. Quando isso acontece por muito tempo, o motor corre o risco de fundir.

“A sonda lambda dura 80, 90 mil quilômetros. A preocupação é apenas com uma verificação de rotina, a cada 30 mil quilômetros ou uma vez por ano”, afirma Bastos. Outra notícia boa é que os maiores problemas que a sonda apresenta são de conexão, com algum fio solto ou com encaixe mal feito. Se não for isso, verifique, nas fotos ao lado, o que pode estar acontecendo com a sonda:

1 – Nessa foto, o sensor foi submetido a uma mistura rica por tempo demais. Isso exige a substituição da sonda lambda.

2 – Aqui, o defeito se deve a combustível adulterado, que deixa a sonda com esse aspecto esbranquiçado. Também nesse caso houve contaminação dos metais nobres usados no sensor, sendo necessário substituí-lo.

3 – Esse é um problema mais grave. Quando a sonda lambda apresenta essas manchas verdes, o líquido de arrefecimento invadiu o motor, o que indica que a junta do cabeçote está com vazamento. Além de ter de trocar o sensor, o motor tem de ser aberto.

4 – Outro caso de defeito mais complicado é esse, em que a ponta do sensor fica recoberta de óleo. Isso é sinal de folga nos cilindros, o que pode exigir a usinagem do motor ou, no mínimo, um estudo cuidadoso dos pistões.

5 – Quem visita países vizinhos pode enfrentar esse tipo de problema, a contaminação da sonda lambda por chumbo. Além da troca do sensor, deve-se trocar também o combustível que estiver no tanque.

A falta de manutenção da sonda lambda afeta o consumo do carro e pode ser decisiva na manutenção de outra peça, o catalisador. Ele é responsável por converter gases nocivos à saúde humana, como óxidos de nitrogênio, ozônio e monóxido de carbono, em outros, como nitrogênio, dióxido de carbono e água.

Quando a sonda tem leitura errada e joga combustível demais no motor, ele não é completamente consumido e acaba indo se alojar no catalisador, fundindo essa peça, que não custa pouco. “Muita gente troca o catalisador por uma peça oca e fica com a peça, que contém metais nobres, como a platina. Essa é uma sucata preciosa e cara”, disse Bastos.

Por isso, quando o carro começar a morrer sem razão aparente, pode ser que o catalisador esteja fundido. Evite que isso aconteça fazendo manutenção regular. Se não fizer, ou não conseguir evitar, seja responsável: troque o catalisador fundido por uma peça verdadeira, não por uma carcaça oca. Quando o brasileiro reclama que os europeus têm carros mais seguros e econômicos, deve se lembrar de que as pessoas zelam por essas características e acreditam nos dois conceitos. Mudar nossa própria mentalidade pode ser um caminho para ter a chance de comprar modelos tão bons quanto os vendidos por lá.

Para receber em seu e-mail as datas ideais para fazer manutenção preventiva de todos os itens do seu carro, cadastre-se na Agenda do Carro. É de graça.

Leia também:

Ar-condicionado: falta de manutenção pode causar doenças

Direção sob prescrição médica

Perigoso pra cachorro

Crianças no carro. O que fazer?

Sono e direção: não corra esse risco
_______________________________
E-mail: Comente esta matéria

Envie essa matéria para uma amigoa

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors