O que os olhos não vêem...

Cesvi divulga ranking de veículos que têm melhor visibilidade traseira
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Cesvi Brasil
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- Estudos recentes dos Estados Unidos, país em que as minivans e as picapes fazem muito sucesso, apontam para números impressionantes de atropelamentos de crianças em manobras de marcha à ré. Em grande parte dos casos, os acidentes estavam relacionados à altura do veículo, que não permitia que o motorista tivesse a visibilidade traseira necessária para notar a criança.

No Brasil, não temos dados sobre este tipo de ocorrência, mas o certo é que, além do atropelamento de crianças, dificuldades na visibilidade do que está atrás também provocam acidentes freqüentes com animais, muros e cercas baixos, cones e outros obstáculos de pequena estatura que estejam próximos do veículo, a uma distância inferior à necessária para entrar no campo de visão do motorista.

Com a popularização do uso de veículos fora-de-estrada em ambientes urbanos e o fenômeno de mercado ligado aos monovolumes, nossas ruas ganharam muitos veículos de traseira alta, e os riscos de colisão traseira se tornaram maiores. Embora seja complicado alterar as características originais dos veículos, há recursos que podem minimizar as limitações na capacidade do motorista visualizar o que há atrás, antes de usar a ré.

Com o intuito de avaliar os riscos envolvidos no uso de veículos com limitações do campo de visibilidade traseira do motorista, o Cesvi Brasil Centro de Experimentação e Segurança Viária realizou um estudo abrangendo os principais modelos do mercado nacional, apontando quais os que permitem uma visibilidade melhor para o motorista e, conseqüentemente, riscos menores de um acidente qualquer.


Procedimentos para a avaliação

Para a realização do teste, os técnicos do Cesvi Brasil simularam um campo a partir do último ponto do veículo normalmente, o pára-choque traseiro ou, em alguns casos, o estepe que está fixado à tampa traseira de 15 metros de comprimento por 2 metros de largura, totalizando uma área de 30 metros quadrados.

Essas medidas foram estabelecidas em função dos seguintes critérios:
Largura de 2m – largura média dos veículos.
Comprimento de 15m – A média de comprimento não-visível identificada nos testes é de 7 a 8 metros. Como forma de padronizar o teste, foi adotado um valor que correspondesse a, aproximadamente, o dobro da média de comprimento não-visível.

Posicionamento do motorista

Para padronizar o posicionamento do motorista nos testes, foram seguidas as recomendações para uma condução segura. Para o ajuste do banco, o motorista tinha que conseguir pressionar o pedal da embreagem com seu pé direito até o final do curso do pedal, numa posição confortável para a condução do veículo. Para o ajuste do encosto, o pulso do motorista deveria alcançar a parte superior do volante, com os braços levemente flexionados. O ajuste da altura do banco do motorista deveria estar na metade do curso total.

Devido à regulagem do espelho, a estatura do motorista não influencia nos resultados, mas, para adotar um padrão, os testes foram feitos com uma pessoa de 1,80m de altura. O espelho retrovisor foi ajustado de modo que o motorista visualizasse o vidro traseiro completamente.

Objeto para simulação

O objeto escolhido para a simulação foi um obstáculo de 65 centímetros de altura equivalente à altura média de uma criança de dois anos, segundo o Instituto de Endocrinologia por 10 de largura. A visibilidade é identificada no momento em que o motorista consegue ver o topo do objeto pelo espelho retrovisor interno.

Premissas para a avaliação

Os veículos foram divididos em categorias, uma vez que o design é o principal fator para a avaliação da visibilidade. As categorias analisadas foram as seguintes: hatch compacto, hatch médio, sedan compacto, sedan médio, minivan compacta, minivan média, picape compacta, picape média, picape de cabine dupla, SW station wagon compacta, SW média, utilitário compacto e médio.

Quanto maior a área não visível do plano analisado, menor foi a pontuação e a classificação do veículo.
O ranking é apresentado com uma classificação cujo intervalo é de 0,5 a 5 estrelas.

O cálculo para se obter o fator de visibilidade traseira é realizado por meio da medida da área total não-visível A, em m² e pelo último ponto não visível P, em m obtida nos testes.

Esta área não-visível tem um peso maior no cálculo e corresponde a 70% do valor do fator de visibilidade traseira.

Veículos com sensor de distância no pára-choque traseiro ganharam uma bonificação de meia estrela, já que o recurso funciona para minimizar os riscos de uma colisão.

Para que o veículo recebesse 5 estrelas a pontuação máxima, a distância mínima de visibilidade precisava ser de 3 metros de comprimento ou 6 m².

O que o CESVI identificou

Após a realização dos testes com os modelos analisados, a área de Pesquisa & Desenvolvimento do CESVI BRASIL chegou a uma série de conclusões. Vamos às mais significativas.

As minivans, por terem carroceria semelhante à de um hatch, diferenciadas apenas pelo teto mais elevado, obtiveram classificações compatíveis com as dos veículos hatch, sem muitos extremos. Como já era esperado, os modelos da categoria hatch compacto obtiveram as melhores classificações, já que têm estrutura mais próxima ao solo.

Os sedans compactos e médios, que têm porta-malas em local elevado em relação a suas partes frontais, proporcionam visibilidade menor. Em muitos casos, a posição de acessórios como o brake-light também prejudica a visibilidade do motorista.

Picapes compactas também apresentam dificuldades para a visibilidade do motorista, em função da suspensão traseira elevada, que é adequada para o transporte de carga.

Picapes médias, como Nissan Frontier e Mitsubishi L200, conseguiram pontuações semelhantes às de veículos menores, porque, apesar da estrutura alta, proporcionam boa visibilidade traseira.

FATORES QUE INFLUENCIAM NA VISIBILIDADE

Basicamente, os fatores da estrutura do veículo que mais influenciam na visibilidade traseira do motorista são os seguintes:

• Vidros
• Retrovisores
• Carroceria


Vidros
Vidro traseiro – Em alguns modelos, esta peça é fixa à carroceria; em outros, é presa à tampa traseira tampa do porta-malas. O posicionamento do brake-light no vidro traseiro, apesar deste acessório auxiliar na redução de acidentes, pode reduzir o campo de visão do motorista.
Vidro lateral traseiro – Também chamado de vidro custódia, ajuda o motorista em manobras e balizas.

Espelhos retrovisores

Interno – Em alguns modelos, é preso ao pára-brisa do veículo; em outros, é fixado à parte frontal do teto. Seu tamanho reduzido não prejudica a visibilidade frontal do motorista.
Laterais – Os convexos, com curvatura externa ao plano do espelho, têm a função de aumentar o campo visual do motorista, compensando a diminuição provocada pela distância entre o retrovisor e os olhos do condutor. Apesar de representarem uma evolução para a visibilidade, o espelho convexo também tem seus riscos, pois seu efeito provoca a ilusão de óptica de que os veículos estão trafegando numa distância maior do que a real, provocando manobras mal calculadas as conhecidas fechadas.


Carroceria

As colunas de sustentação do teto e a altura dos veículos também podem criar problemas para a percepção de pessoas de pequeno porte ou obstáculos. Os projetos de veículos mais modernos procuram maximizar o aproveitamento do campo de visão, aumentando a área envidraçada, como é o caso do Picasso, da Citroën.

PONTOS CEGOS

São chamadas de pontos cegos as zonas em que um elemento, na parte exterior do veículo, é ocultado por uma obstrução ou limitação da visibilidade. Esta obstrução pode ser provocada pelas colunas de sustentação do teto, sendo ampliada conforme aumenta a distância entre o veículo e o objeto observado.
No sentido vertical, os pontos cegos nascem das próprias dimensões do veículo, provocando riscos de acidentes, principalmente nas manobras de marcha à ré.
Visando à diminuição dos pontos cegos, há iniciativas como a implantação de pequenas câmeras na traseira do veículo, que permitem ao motorista enxergar o ambiente antes de executar uma manobra de marcha à ré, percebendo, assim, a presença de plantas, cones, pequenos muros e, principalmente, crianças.
No Brasil, alguns veículos já incorporam sensores de distância instalados na traseira, que detectam obstáculos no percurso de ré, como é o caso de alguns modelos de luxo acessórios de série ou como opcionais, dependendo do modelo. Quando o veículo está muito próximo a um obstáculo, um sinal sonoro é emitido, alertando para o perigo de colisão.

RANKING

Confira aqui o ranking completo dos veículos, classificados de acordo com visibilidade traseira que cada modelo proporciona.

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