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Patinete elétrico é solução de mobilidade nos EUA

Dispositivo de transporte individual poderia funcionar no Brasil, mas está longe de nossa realidade

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Karina Simões
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No início de abril estive em San Jose, na Califórnia, para um congresso de tecnologia. Para situar o leitor, San Jose é um centro político, econômico e cultural da região do Vale do Silício. Com mais de 1 milhão de habitantes é a terceira maior cidade da Califórnia, estado que fica na costa oeste dos Estados Unidos. Não era minha primeira vez em San Jose, tampouco naquela região, mas neste ano fiquei perplexa com a quantidade de bicicletas e patinetes elétricos pelas ruas.

Eles estão por toda cidade, estacionados nas calçadas, nas praças, na frente de estabelecimentos comerciais, esperando o próximo usuário. Encontrei predominantemente duas marcas, a LimeBike, que possui uma frota de bicicletas elétricas e patinetes elétricos – o que eles chamam por lá de scooters – e a Bird, que aluga só patinetes.

Para começar, você baixa o aplicativo no seu celular, faz um cadastro rápido com seus dados e número do cartão de crédito e pronto, está apto a destravar o patinete. Pela LimeBike, na página de termos e usos eles dão quatro recomendações: é necessário usar capacete, deve-se obedecer as leis de trânsito, não descer ladeiras e ter uma carteira de motorista válida. Você não precisa comprovar nada, apelas assinalar “eu concordo” e o patinete selecionado está pronto para uso.

A empresa Bird é mais cuidadosa. Para o destravamento do patinete eles exigem a foto da sua carteira de habilitação – se for estrangeiro, é necessário colocar o número e o país de origem -, e depois dão uma sequência de instruções. Entre elas, explicam que o capacete é exigido por lei – se não usar está por sua conta e risco -, ensinam como acelerar, frear, onde posicionar os pés, orientam o usuário a circular apenas em ciclovias e não utilizar o patinete em calçadas.

No app um mapa se abre mostrando os patinetes que estão perto de você e o tanto de carga de bateria que cada um tem, aí basta selecionar o seu e ler o QR code instalado no modelo com a câmera do seu celular. Paga-se um dólar americano (o equivalente a R$ 3,38 segundo cotação de 12/04/18 ) para habilitar o patinete e 15 centavos de dólar por minuto utilizado, mesmo que ele esteja parado. Ou seja, aproveite bem o tempo com seu patinete porque os centavos estão sendo debitados até que você encerre a “corrida”.

Não quer mais usar? Trave o patinete pelo app, veja na tela do celular o total gasto e o deixe em algum local que não atrapalhe a circulação dos pedestres nem impeça a entrada de carros. Se alguem tentar tirá-lo do lugar sem habilitá-lo, um alarme dispara.

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Legenda: A LimeBike foi fundada em jullho de 2017
Crédito: Karina Simões

Se a bateria ou a internet de seu celular acabar e você não conseguir finalizar a corrida, você continua pagando. Por isso certifique-se de ter sinal e bateria.

Se você estiver sozinho, sai mais barato ir de patinete do que pegar um Uber. Em um mesmo trecho, gastei US$ 4 de patinete e US$ 10 de Uber. Óbvio que de patinete o percurso foi mais emocionante.

Sobre o patinete

É muito fácil de usar. Você dá o primeiro impulso com uma das pernas e depois pressiona com o polegar direito o acelerador. O freio fica do lado esquerdo, sem segredo.

A autonomia da bateria permite que o patinete rode 37 milhas, o equivalente a quase 60 quilômetros. O motor de 250 watts empurra bem o 'brinquedo', que chega a quase 23 km/h de velocidade máxima. Os patinetes da LimeBike possuem um painel onde podemos conferir a carga da bateria e a velocidade, já os da Bird são mais simples, sem painel. Ambos possuem um farolzinho de LED que acendem automaticamente ao escurecer.

À noite, a empresa LimeBike recolhe suas ‘bikes’ para carregá-las e depois as espalha pela cidade com a carga cheia em locais de grande circulação de pessoas. Já a empresa Bird paga US$ 5 para quem quiser carregar seus patinetes. Você faz o cadastro no site deles e ganha o equivalente a R$ 17 por cada Bird carregado. Não há limite de cargas, você pode sair pela cidade recolhendo os patinetes com nível baixo de bateria e fazer uma graninha.

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Legenda: Você destrava sua LimeBike através do QR Code
Crédito: Karina Simões

Na prática, quase ninguém usa capacete e praticamente todo mundo circula nas calçadas em áreas que não existem ciclovias. Vi até um casal em dois no mesmo patinete, embora não seja permitido. Teoria versus prática, né? Essas diferenças existem em qualquer lugar do mundo.

Daria certo no Brasil?

Sem dúvida, o patinete elétrico é uma solução de transporte individual muito interessante. Confesso que curti bastante me locomover com eles por San Jose. Os trajetos foram rápidos e muito mais divertidos. A presença de ciclovias e a infraestrutura da cidade (asfalto sem buracos, calçadas largas e em ótimas condições com rampas para cadeirantes) são determinantes para que a proposta dê certo.

A LimeBike já está presente em mais de 30 cidades dos Estados Unidos, 17 universidades, além de duas cidades da Alemanha, Zurique e Frankfurt. Todo mundo usa. Todo mundo cuida. Todo mundo ganha. Não encontrei nenhum patinete depredado, pixado ou estragado. Além disso, é uma solução sustentável para o transporte, ajudando as pessoas a se locomoverem em suas cidades de uma maneira acessível e conveniente sem poluir o meio ambiente.

 Patinetes Bird estacionados na frente do Centro de Convenções de San Jose, CA
Legenda: Patinetes Bird estacionados na frente do Centro de Convenções de San Jose, CA

Embora seja uma solução simples, ainda é distante da realidade brasileira por questões óbvias de infraestrutura e, claro, roubo. Um patinete desses é leve, portátil, facílimo de levar embora, mesmo com alarme. Obviamente, as bikes e patinetes dessas empresas têm rastreadores caso um espertinho queira levá-las para casa, e outro ponto importante é que as leis na terra do Tio Sam não perdoam infratores. No Brasil, sabemos que a coisa não funciona assim. Basta ligar a TV para vermos bandidos soltos nos palanques em Brasília. Protegido pela impunidade, um ladrão de patinete no Brasil será só mais um ladrão. Infelizmente.

Nos Estados Unidos, um patinete elétrico pode ser comprado em lojas de eletrônicos a preços que vão de US$ 300 a US$ 2.500, o equivalente a R$ 1.022 a R$ 8.524, respectivamente, sem incluir os impostos. A Elektra Motors, loja que vende modelos da Tesla em São Paulo, vende patinetes elétricos por R$ 3.900. Eles vêm equipados com motor de 350 watts, têm velocidade máxima de 30 km/h e autonomia de apenas 15 quilômetros. Por esse preço, a gente encontra mais de 200 opções de motos usadas na Webmotors. Difícil se render ao patinete por aqui, não?

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