Queira evitar a fadiga

Cansaço: risco comparável ao da ingestão de bebida alcoólica
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Cesvi Brasil
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A recomendação geral de que, em viagens longas, o motorista deve fazer pausas a cada duas horas ou a cada 200 quilômetros rodados tem uma importante razão de ser: evitar o surgimento da fadiga. Por quê? Porque a fadiga é uma inimiga natural da segurança no trânsito. Ao reduzir drasticamente o desempenho e a capacidade de resposta do nosso organismo, a fadiga prejudica nossa atenção ao volante, a precisão na execução das manobras, provoca tensão muscular, ansiedade e perda de reflexos. Tudo o que não combina com uma direção tranqüila e segura.

Em cidades com rotina de engarrafamentos, como é o caso de São Paulo, é fácil que o motorista desenvolva uma fadiga em decorrência do cansaço pelo tempo em que permanece no interior do veículo e também pelo estresse associado ao congestionamento, à seqüência de “anda e pára” que parece não ter fim. A fadiga, neste caso, é ainda mais comum na volta do trabalho para casa, quando o cansaço do dia se soma ao desejo de chegar logo ao lar, numa ansiedade intensificada pelo engarrafamento que adia a hora de começar
a relaxar.

No entanto, dentro de um engarrafamento, os riscos de acidentes graves relacionados à fadiga são menores, em função da impossibilidade do motorista desenvolver uma velocidade perigosa. É o que aponta o estudo “O motorista comercial e a sua jornada de trabalho”, de autoria dos especialistas em psicobiologia da Unifesp, Franco Noce, Sergio Tufik e Marco Túlio de Mello: “Em geral, o maior risco de acidentes nem sempre é no horário de maior trânsito, e sim naquele em que o ser humano tem um declínio da curva de temperatura corporal central, que ocorre entre 12h30 e 14h, e após as 22h até as 6h, sendo que o período compreendido entre as 3h30 e as 5h30 da manhã é o momento crítico para a indução da sonolência em decorrência da fadiga”.

Motorista profissional está mais exposto aos riscos

O estudo lembra que os acidentes provocados por um estado de fadiga do motorista muitas vezes estão relacionados ao setor de transporte, em que há uma cobrança cada vez maior de produtividade, com um conseqüente – e perigoso – excesso da duração da jornada de trabalho dos motoristas profissionais.
“O trabalho por turnos, em geral, pode aumentar a fadiga e os riscos de erros”, alerta o estudo. “No entanto, muitas vezes, a necessidade financeira faz com que muitos motoristas executem a sua função em condições distantes das ideais. Assim, o excesso da jornada de trabalho sem interrupções, a execução de jornadas seqüenciais e sem pausas para o descanso, a ingestão de drogas e fármacos, entre outros, visando à manutenção da vigília, são condições que, infelizmente, acontecem com freqüência no nosso país”.

Sintomas

Entre os sintomas decorrentes de um estado de fadiga crônica em motoristas profissionais, destacam-se as dores nas pernas, dores nas costas, sonolência, mau humor, lentidão na execução de atividades e problemas na visão.

Riscos semelhantes aos do álcool

O motorista que insiste em continuar a jornada, ignorando o cansaço, precisa conhecer a conclusão de estudos que apontam fatos como o seguinte: a sustentação do estado de vigília após 17 horas provoca um prejuízo da capacidade dirigir equivalente a uma concentração de 5% de álcool no sangue; e ficar acordado direto entre 20 e 25 horas resulta, para algumas tarefas, em um decréscimo de desempenho equivalente a uma concentração de 10% de álcool no sangue.

Escala recomendada

Segundo o estudo dos especialistas da Unifesp, as escalas de trabalho bem elaboradas podem auxiliar de forma significativa no equilíbrio psicofísico do motorista, minimizando os efeitos da fadiga e, conseqüentemente, reduzindo os riscos de acidentes.
O estudo aponta algumas recomendações para uma escala de trabalho que aumente a segurança na atuação do motorista profissional:

• Deve prever folga a cada duas ou três horas durante a jornada.
• Deve permitir que jornadas noturnas tenham uma quantidade de dias menores que as diurnas, pois têm maior pressão para a indução da fadiga.
• Deve evitar longas jornadas de trabalho.

Cuidados básicos

Cada organismo responde de uma forma diferente aos fatores que provocam a fadiga, mas, de um modo geral, é possível apontar alguns cuidados básicos para evitar a condução de um veículo numa situação de risco provocada pelo estado de fadiga:
O excesso de luminosidade provoca fadiga e sonolência. Com sol forte, use óculos escuros.
Evite dirigir logo após comer, e aumente o intervalo no caso de refeições pesadas, que tornam a digestão mais trabalhosa.
Evite a ingestão de bebidas alcoólicas na véspera de uma viagem longa. E, claro, não dirija após beber.
Faça uma parada para descansar após cada duas horas ou a cada 200 quilômetros percorridos.

Temperaturas extremas também contribuem para o aumento do estresse e da fadiga do motorista. O ar-condicionado pode ser um bom aliado para manter a temperatura agradável no interior do veículo. Em caso de forte calor, dê preferência a roupas leves.

Evite viajar de madrugada.

Programe-se para descansar bastante antes de viagens longas.

Tomar café não descansa ninguém, apenas a torna mais atenta por um curto período de tempo. A contramedida mais segura contra a fadiga e a sonolência é parar de dirigir, e descansar antes de voltar ao volante.

Opinião do Cesvi

José Antonio Oka, coordenador de segurança viária do CESVI BRASIL, fala sobre a questão: "A associação entre fadiga ao volante e álcool e direção tem provocado muitas vítimas e prejuízos no trânsito, conforme confirmam os estudos. A desatenção a esses fatores, pelos indivíduos que insistem em dirigir além do limite de resistência, por empresas que estabelecem condições de trabalho que induzem os motoristas ao excesso de carga horária, e pela falta de regulamentação sobre esse tema, cobra um preço muito caro na forma de repetidas tragédias e perdas materiais e de produção para famílias, empresas e o País. Esse círculo vicioso precisa ser rompido com regras, procedimentos e formas de controle adequados da carga horária, condições de trabalho e de descanso dos motoristas profissionais".

Fadiga é preocupação da medicina de tráfego

Embora muitos motoristas profissionais ainda desconheçam os riscos relacionados à fadiga na condução automotiva, a medicina de tráfego já há algum tempo vem estudando as causas e efeitos da questão.
“Muito antes de despertar a curiosidade que hoje percebemos na mídia e na população, a medicina de tráfego já alertava para a importância da fadiga como fator de risco para a segurança viária”, confirma José Montal, diretor científico da Abramet Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. “Desde os primeiros movimentos de médicos, especialmente os legistas, que culminaram na criação de uma especialidade da medicina, este fator já havia tido a sua relevância identificada, e há muito é considerada vilã de magnitude equiparável à do álcool na gênese do acidente de trânsito”.

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