Maserati Levante 2017 1600 13

Aceleramos: Maserati Levante

Primeiro SUV da marca abusa do requinte, mas falta performance


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O primeiro SUV (Sport Utility Vehicle) da Maserati tem que ser melhor do que tudo que já existe da Audi, BMW, Jaguar, Mercedes-Benz, Porsche e Land Rover, ou ele apenas tem que ser bom o suficiente para ser digno de confiança? Se esta última opção for a correta, então a Maserati fez mais do que precisaria com o admirável Levante. No entanto, no caso de a opção ser a primeira, então eles precisam de pelo menos um motor a gasolina mais potente, mesmo que seja apenas para lembrar que o Levante vem de uma das maiores marcas esportivas do mundo.

A prioridade em alguns mercados é trabalhar apenas com a opção equipada com propulsor V6 turbodiesel. Algo lamentável para os consumidores destes locais, já que na Europa, por exemplo, o utilitário esportivo de cinco metros de comprimento é ofertado também com propulsores a gasolina 3.0 V6 biturbo de 350 cv e 430 cv, ambos produzidos por ninguém menos que ela: Ferrari. Aliás, são as mesmas unidades de força do Ghibli.  Há também o veloz twin-turbo V8 dentro de alguns poucos capôs Quattroporte muito seletos e caros, mas a Maserati nunca pensou em projetá-lo para tração integral e sequer está disponível no Ghibli, menos ainda, no Levante.

Assim, em um mundo de rivais turbo diesel de 71,4 kgf.m e 81,6 kgf.m, a Maserati colocará o Levante com 275 cv e 61,1 kgf.m e insiste em afirmar que não está participando de nenhuma disputa de potência de SUV e que não desenvolveu o Levante para ser o SUV mais rápido do mundo, o que é uma desvantagem significativa quando tantos dos seus rivais oferecem muito mais. É também um pouco silencioso demais (eles estão trabalhando nisto), o que é no mínimo estranho para uma marca que tem sempre encontrado uma forma para transformar as limitações técnicas em prazerosas notas de motor com absoluta emoção e fascínio, e que dilaceram o coração.

Apesar de tudo, a performance é digna de elogios, mesmo em asfaltos terrivelmente danificados, que se torna difícil imaginar qual das marcas aqui mencionadas encararia nas mesmas condições quando a estrada se converte do controle de potência para desempenho assistido. Até mesmo o Porsche.

A dianteira é favorecida por uma suspensão do tipo double-wishbone (braço duplo triangular) enquanto a traseira por um sistema five-link desenvolvido de maneira independente à do Ghibli. Utiliza uma adaptação do sistema de acionamento de tração integral Q4 do belíssimo cupê de quatro portas que é, de maneira eficiente tração traseira em tempo integral alternando para até a metade do seu torque para o diferencial dianteiro em 100 milissegundos, quando necessário. E a coisa funciona mesmo. Pode apostar!

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O Levante não seguiu a tendência da direção eletro-hidráulica, optando pelo sistema hidráulico mesmo, mas que paga dividendos, principalmente na primeira parte do giro. Ele também encara com desdém as estradas de superfície traumáticas, mantendo toda a carroceria admiravelmente plana e praticamente sem nenhum lance lateral de cabeça que atormenta os SUVs como o Mercedes-Benz GLE.

 Potência e torque 

 Velocidade máxima 

 0 a 100 km/h 

 275 cv e 61,6 kgf.m 

 230 km/h

 6,9 segundos 

Pode não ser o que se espera de uma Maserati em linha reta, ou se pareça com uma, mas com certeza o desempenho é original. Há situações em que se pode sentir o peso, como, por exemplo, em uma rápida mudança de direção, mas na maioria das vezes ele, com prazer, chicoteia por entre as curvas, rápida ou lentamente. Ele é incrivelmente estável ao ser levado ao limite, e disposto a mudar de direção a uma velocidade que é pouco convincente com todo este tamanho. O nível de aderência é extremamente alto, ficando fácil de controlar mesmo para lá do abuso.

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Quando a traseira começa a sair, um ligeiro subesterço é o suficiente para corrigir. Claro que a eletrônica ajuda com o sistema de vetorização de torque, que atua nos freios da roda interna da curva para trazer o grandalhão de volta à rota. Sua agilidade por estradas sinuosas em montanhas é, francamente, muito além do que seria necessário nesta categoria.

É igualmente confortável se a intensidade de condução for no modelo lazer. A viagem é silenciosa e confortável, com pouco ruído de estrada e de vento mesmo a 140 km/h. As péssimas condições das estradas ampliam para além da realidade o que seria pouco ruído da suspensão e da estrada gerados pelos carros. O Levante se movimenta com elegância, elasticidade silenciosa e um ar sereno na cabine colabora de maneira extraordinária com o sucesso da suspensão em manter a carroceria plana e estável, independente das condições da estrada.

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Ele custa, mas, de qualquer forma, nenhum dos seus concorrentes está acima do valor de entrada de 150 mil dólares australianos (aproximadamente R$ 385 mil) do Levante. O peso do Levante australiano está estimado em 2.205 kg sem os passageiros e sem combustível, isento de qualquer opcional, e considerando apenas cinco assentos.

O motor diesel VM é digno e suave, mas não é o mais sofisticado deste porte no momento; não em um mundo com motores BMW tri-turbo de injeção direta a diesel de seis cilindros que rodam por aí. Embora você não deva considerar que ele seja o maior, mais rápido ou o mais econômico SUV diesel de maior porte, ele é rápido o suficiente para a maioria dos desempenhos, atingindo 100 km/h em 6.9 segundos e 230 km/h de velocidade máxima.

A Maserati fez um excelente trabalho ao manter o motor silencioso e suave para que ele dispare progressivamente e facilmente em um zumbido quase inaudível. Na sua configuração padrão, o motor é controlado e sereno, e foi muito bem isolado da cabine.

O pico de torque alcança 2.000 rpm e crava em torno do mesmo nível por mais 600 rotações, enquanto a pico de potência chega a 4.000 rpm. Ele é flexível na maior parte do tempo e, quando não, a transmissão automática ZF de oito velocidades arrasta as engrenagens até que a agulha do conta-giros caia novamente em suas zonas mais vigorosas.

O problema é que a Maserati evita os ideais alemães de amplificar o som do motor através dos alto-falantes do carro, mas o isolamento acústico do Levante é tão impressionante que nem todo o som amplificado do escapamento retorna para a cabine, mesmo que você o queira.

Ele executa dois diferentes modos esportivos, através de botões acionados uma ou duas vezes. A segunda versão do Sport comprime tudo para cima, mas a primeira delas mantém a suspensão a ar e o controle de suspensão ativa em suas configurações mais leves, mas coloca apenas o propulsor na configuração Sport que inclui abertura do bypass flap para o escape dos gases através de uma câmara de amplificação.

O problema é que a Maserati evita os ideais alemães de amplificar o som do motor através dos alto-falantes do carro, mas o isolamento acústico do Levante é tão impressionante que nem todo o som amplificado do escapamento retorna para a cabine, mesmo que você o queira. No modo Sport, o som do motor nada tem a ver com um diesel. Também em nada lembra um motor a gasolina. Lembra mais uma lancha no mar, com um ronco suave e profundo que na verdade é carinhoso e doce para os ouvidos.

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É especialmente bom nas reduções de marchas, ao usar os paddles shifts esculturais de alumínio fixados na coluna de direção. No modo Sport, cada detalhe é muito bem aplicado aos seus próprios dispositivos, mas a sensação das borboletas é viciante e quase sensual. Não por acaso, com a Maserati emprega-se semelhante poder através do design fascinante da cabine.

A parte superior do painel de instrumentos apresenta duas asas curvadas revestidas em couro e costuradas com precisão. E os assentos mostram beleza e conforto, mesmo quando a poderosa máquina está sendo arremessada em torno de montanhas italianas. Há uma tela multimídia central de 8,4 polegadas, controlada por um sistema selecionador two-tier localizado no centro do console, além de uma tela menor entre o conta-giros e o velocímetro. Também acoplados estão os sistemas de telefonia Android e Apple.

Os pacotes de itens de série e opcionais seguirão as exigências específicas de cada mercado em que o Levante for comercializado. O Maserati pode oferecer assentos elétricos completos, câmera de ré, pneus e rodas de 19 polegadas e um mix que inclina mais para o luxo do que para o esportivo. O que não está padronizado é o acabamento da guarnição central em seda Zegna, que é uma seda tão fortemente tratada para longa duração que, pelo menos enquanto nova, tem a aparência de algodão. Mas acredite, é seda.

O Levante faz com que a maior parte de sua enorme distância entre eixos (3 metros) entregue generosa dianteira e espaço traseiro para as pernas excelente, além de muita comodidade para os ombros e pés nos igualmente bem moldados bancos traseiros.

Mesmo que tardiamente, a Maserati é colocada na moderna era dos sistemas de assistência eletrônica onde se insere controle de condução por radar, alarme de saída de faixa, assistência de ponto cego, alertas de tráfego reverso e freios autônomos. Conta ainda com um botão acionado pelos pés ou para atingir os 580 litros padrão, capacidade do porta-malas piso plano.

A Maserati defende sua utilidade off-road, que testamos em uma modesta via não pavimentada por onde muito seria perfeitamente viável passar com um veículo comum, não fossem algumas subidas e descidas, oportunidade em que o controle de descida foi colocado à prova. No entanto, seus opcionais Pirelli P Zeros de 20 polegadas não foram feitos com o deserto de Tanami em mente.  É um off-road silencioso e confortável, mesmo sendo difícil imaginar que mais de 0,0001% de todo o Levante, que a Maserati planeja produzir, acabará enfrentando nada mais difícil do que um parque de estacionamento lamacento.

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O Levante geralmente roda com 207 milímetros de altura, mas sobe 25 milímetros na primeira fase do modo off-road (trabalho mais duro) e em torno de 40 milímetros em baixa velocidade. Também é possível cair em 20 milímetros no modo 'aero 1' para velocidades superiores a 90 km/h e em torno de 35 milímetros em velocidades mais altas. Cai ainda cerca de 45 milímetros para maior facilidade de acesso e saída dos passageiros, e entrada e retirada de bagagens no porta-malas.

Tornar tudo mais fácil parece ser ideia fixa para o Levante. Ele esbanja suas 2,2 toneladas pelas passagens de montanhas tortuosas, passa com um desempenho inspirador esperado de algo com metade do seu peso. Ele retorna para as rodovias para uma conversa calma e devora paisagens interrompidas com pouco mais de interferência do que alguns solavancos da suspensão.

Com alguns sistemas mais modernos de assistência ao condutor que, embora não traduzam toda tecnologia de ponta, colocam a Maserati entre os de alta credibilidade da categoria.

É grande, capaz de enormes proezas de desempenho, é confortável no seu interior, inconfundível por fora, e tem um maravilhoso senso de tranquilidade sobre isso. O Levante é um SUV apropriado, com adequado conforto e uma cabine muito bem pensada. Apresenta todos os pontos modernos de comando de uma legítima Maserati, mas faltam velocidade em linha reta e aquele ruído Maserati.

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