Andamos no Lobini H1, o safety car da GT3

Esportivo nacional, que custa R$ 170 mil, mostra sua vocação para as pistas no circuito de Interlagos


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- Dirigir em um autódromo é sempre algo inesquecível, mesmo para os mais acostumados a um ambiente assim. Seja com que carro for. Evidentemente, a experiência fica muito mais próxima da vivida por pilotos quando o carro anda forte. Foi essa a chance que tivemos na última sexta-feira, no Autódromo de Interlagos, com um Lobini H1.

Para quem ainda não foi apresentado a este automóvel, mas gosta de corridas, ele é o safety car da Brasil GT3 Championship, competição que reúne alguns dos automóveis de produção em série mais fantásticos do mundo, como Lamborghini Gallardo, Porsche 911 GT3, Dodge Viper e Ferrari F430. Para acompanhar uma trupe deste quilate, o carro tem de andar muito.

Comparado com estes monstros, o H1 é até modesto. Seu motor tem “apenas” 180 cv e é o mesmo que era usado na versão mais nervosa do Golf GTI. Também é o mesmo que, no Audi S3, chegava a 220 cv. Essa potência também é possível no H1 com uma mera reprogramação do módulo de gerenciamento do motor, ou, como dizem os preparadores, com a “chipagem”. Mas, original de fábrica, ele vem com os 180 cv.

Pode parecer pouco, mas leve em conta que o H1 tem lugar apenas para o motorista e um acompanhante, pesa meros 1.030 kg e tem 1,18 m de altura, o que o torna apto a acelerar com vontade em qualquer situação. Sobra motor para o esportivo brasileiro, cujo projeto nasceu em 1999. O primeiro, entretanto, foi entregue apenas em 2005. Hoje há, no Brasil, cerca de 30 Lobini H1 em circulação.

Este não é nosso primeiro contato com o carro, já avaliado pelo WebMotors em 2005, mas nunca havíamos tido a oportunidade de estar atrás de seu volante em um autódromo, especialmente de um tão querido dos brasileiros, o mesmo onde, todo ano, vem sendo realizado o GP Brasil de Fórmula 1.

Para este rápido test-drive, infelizmente limitado a duas voltas, teríamos de aproveitar o intervalo entre os treinos da GT3, no finzinho da tarde da sexta-feira passada. O vento, frio, cortava a área dos boxes, possivelmente um pouco mais forte depois que os Lamborghini, Ferrari e Porsche cruzavam a pista. O céu, como no outono, estava limpo, convidando a dirigir sem capota.

O Lobini que o WebMotors dirigiria era o vermelho. Aliás, que as outras cores disponíveis nos perdoem, mas um esportivo tem de ser vermelho. Vivo como o da Lobini, então, é melhor ainda.

Para dirigir o esportivo, temos de vestir balaclava, colocar capacete e assinar um termo de responsabilidade. Afinal, falta de juízo ao volante tem resultados infelizmente muito conhecidos.

Quando chega nossa vez, o carro passa no teste de acesso com louvor. Apesar de bem baixo, as portas-tesoura garantem bom acesso ao interior do H1. Basta um toque em um botão abaixo do recorte lateral da porta que ela se eleva.

Dentro do carro nos espera um piloto da empresa. É ele que vai nos dar as dicas sobre como dirigir em Interlagos. O H1 já está ligado, mas tem um botão para dar a partida, exatamente como nos melhores esportivos do mundo.

Dentro do carro, o que chama a atenção é o acabamento e os instrumentos do painel. São os mesmos usados no Golf, o que dá ao Lobini um aspecto familiar, mas abaixo do que se espera de um carro de R$ 170 mil. Melhor seria se ele tivesse instrumentos próprios ou mais personalizados.

Achar a melhor posição de dirigir é fácil, mesmo quando se tem mais de 1,80 m. O banco recua além do necessário e o volante é regulável em altura e profundidade. Pena é os pedais serem muito juntos, culpa do entreeixos curto do carro, de meros 2,40 m. Isso, em compensação, o torna mais arisco em curvas e, portanto, é parte intencional do projeto.

Entramos na pista saindo dos boxes. O “S” do Senna está logo ao lado e, dentro de alguns minutos, teremos a chance de cruzá-lo pela primeira vez. Caímos já na reta oposta e aceleramos, com parcimônia. O Lobini é um carro de reações instantâneas. Se você pisar, ele dá o coice na mesma hora.

De quarta, reduzimos para a terceira. É hora de enfrentar a curva antes da subida do lago. Caímos para a direita e contornamos o “cotovelo”. Apesar da velocidade, o pneu do Lobini não canta, apenas mantém o carro grudadinho no chão.

Mergulho, Pinheirinho, Bico de Pato e Junção. O H1 continua firme no chão e acelerando com vontade mesmo em marchas mais altas. Há torque em praticamente todas as faixas de rotação e o carro responde perfeitamente, com uma direção rápida e precisa.

Reta dos Boxes. O piloto da Lobini convida a afundar o pé no acelerador. Ordem prontamente atendida. O carro acelera sem hesitações e a sensação de velocidade é diferente da que se tem nas ruas, com mais pontos de referência. Estamos a 150 km/h, mas parece muito menos.

O que nos dá uma noção mais real de velocidade é o zumbido do vento, que praticamente não invade a cabine, e o ronco do motor, grave, mas contido, como é o ronco de todo carro que não precisa provar que anda bem. E como anda. O H1 chega aos 100 km/h em menos de 6 s e à máxima de 240 km/h, segundo a Lobini.

Chegando perto do “S” do Senna, freamos forte e engatamos a terceira marcha de novo. O carro continua firme em sua trajetória, a que escolhemos para ele. Ele certamente é capaz de escorregar, de sair de traseira e cantar pneus, como um cliente da Lobini que andou pouco antes do WebMotors provou. Não é o que queremos.

O trajeto é refeito com um pouco mais de conhecimento da pista e um pouco a mais de ousadia, mas só o suficiente para ver que um carro destes, numa pista assim, tem de ser apreciado por muito mais do que duas voltas. Talvez pudéssemos ousar mais, mas o carro tem cara de mulher brava, que não tolera atrevimentos. Assim, preferimos o namoro à moda antiga. Quanto mais tempo levar, melhor será.

A diferença desta segunda e última volta é que, em vez de continuarmos em direção ao S, temos de entrar nos boxes e entregar o H1 para o próximo motorista, que nos aguarda ansioso. Também estávamos e voltaríamos a estar se houvesse mais uma chance de andar no esportivo. Não há, pelo menos não em Interlagos.

O H1 parece não querer que o abandonemos. A porta se abre, mas o banco ainda aconchega, o cinto, já solto, ainda segura. Custa levantar do banco e sair, mas é necessário. Deixa estar. Marcamos um novo encontro para breve. Aguarde que o contamos para você!

Gustavo Henrique Ruffo dirigiu o H1 a convite da Lobini


FICHA TÉCNICA – Lobini H1





















MOTORQuatro tempos, quatro cilindros em linha, transversal traseiro entreeixos, cinco válvulas por cilindro, turbinado, refrigeração a água, 1.781 cm³
POTÊNCIA180 cv a 5.500 rpm
TORQUE24 kgm a 1.950 rpm
CÂMBIOManual de cinco velocidades
TRAÇÃO Traseira
DIREÇÃO Hidráulica, por pinhão e cremalheira
RODAS Dianteiras e traseiras em aro 17”, de liga-leve
PNEUS Dianteiros 205/45 R17 e traseiros 225/45 R17
COMPRIMENTO3,72 m
ALTURA1,18 m
LARGURA1,80 m
ENTREEIXOS2,40 m
PORTA-MALASNão informado
PESO em ordem de marcha1.030 kg
TANQUE58 l
SUSPENSÃO Independente nas quatro rodas, com braços triangulares
FREIOSA disco nas quatro rodas, com sistema de ventilação forçada
CORESBranca, prata, verde, amarela, vermelha, azul clara, azul escura e preta
PREÇOSR$ 170 mil


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