Audi A3 Sport: dose de adrenalina

Hatch médio oferece alta esportividade na faixa inicial de preços entre as marcas premium


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– O Audi A3 não é mais aquele. No final dos anos 90, quando era produzido no Paraná, o hatch vendia em torno de mil unidades mensais e era “popular” nas garagens da classe média-alta. Hoje é bem mais exclusivo. E feroz. O modelo vem da Alemanha e seu preço começa em R$ 110 mil. Sob o capô, ruge um motor 2.0 TFSi de 200 cv de potência e 28,5 kgfm de torque – nada mal para um carro de pouco mais de 1.300 kg. O câmbio também é nascido para uma condução esportiva: é automatizado com seis velocidades e dupla embreagem. O A3 “nervosinho”, que faz por merecer o sobrenome Sport, cumpre o zero a 100 km/h em exatos 7 segundos e atinge a máxima de 238 km/h.

O outro lado dessa equação é simples: o preço dobra e a esportividade vai às nuvens, mas as vendas ficam lá em baixo. A média em 2011 tem sido de 83 unidades mensais. São números razoáveis para o segmento. O único rival à altura seria o Série 1 da BMW, que começa em valores mais baixos. A versão 118 parte de R$ 100.510, mas é bem menos potente, com apenas 137 cv. E nem por isso vendas são muitos maiores. A média em 2011 tem sido de 93 unidades/mês. Se a esportividade pode ser considerada um dos bons valores de um modelo premium, o A3 Sport tem um custo/benefício dos melhores. Ainda mais porque é um carro bem completinho e bem acabado.

A vocação esportiva do Audi A3 não se restringe ao fato de ter a excelente relação peso/potência de 6,7 kg/cv. As linhas do modelo são equilibradas e transmitem a ideia de velocidade, mesmo sem apresentarem grande ousadia. O A3 exibe na dianteira os traços básicos que dão a personalidade da marca. Lá estão a grade trapezoidal, que ostenta o logo das quatro argolas, e faróis os retilíneos com uma fileira de leds diurnos que contorna a parte interna e superior do conjunto ótico. Dois vincos paralelos bem marcados surgem da base do capo e emolduram a grade, que tem contorno cromado. A lateral é marcada por um vinco que parte dos faróis e corta o modelo acima da altura das maçanetas. Na traseira, as “veteranas” lanternas horizontais com contornos irregulares se prolongam até as laterais e completam o visual. A esportividade ainda é realçada pelas rodas de liga leve aro 17.

O Audi A3 Sport ainda vem equipado com um conjunto de suspensão compatível com a proposta de esportividade do modelo. Na dianteira, a suspensão McPherson com subchassis em alumínio garante mais leveza, esportividade e conforto. Na traseira, a suspensão tem quatro braços – fourlink – e regulagem de rodas independente. A vocação esportiva ainda é realçada pelo controle de largada, recurso originário dos carros de Fórmula 1 capaz de garantir o máximo aproveitamento de potência na hora das arrancadas.

O hatchback da marca alemã também é dotado de uma lista de itens de segurança interessante. Além de controle de estabilidade e de tração, o modelo oferece freios com ABS e EBD e airbags frontais e laterais dianteiros e apoios de cabeça ativos na frente. No conforto estão os previsíveis ar-condicionado automático, direção hidráulica, trio elétrico, computador de bordo, rádio/CD/MP3, teto solar elétrico, entre outros. O único opcional disponível é a pintura metálica/perolizada, por R$ 1.901.

Instantâneas
# O Audi A3 será o primeiro modelo da marca totalmente elétrico, batizado de e-tron. O hatch “ecológico” está programado para ser lançado até 2013 equipado com um motor elétrico de cerca de 130 cv.
# A Audi mostrou no Salão de Genebra, em março, uma inédita versão sedã do A3. Hoje, a gama do modelo é composta pelas variantes hatch – três e cinco portas – e conversível.
# No Brasil, o hatch médio foi produzido entre 1999 e 2006 na planta da Volkswagen-Audi em São José dos Pinhais, no Paraná, sobre a mesma plataforma do Golf.
# A Audi comercializa no Brasil modelos das linhas A1, A3, A4, A5, A6, A8, o cupê TT, os utilitários esportivos Q5 e Q7 e o superesportivo R8.
# O Audi A3 está em sua segunda geração, que foi lançada no Salão de Genebra de 2003. A primeira estreou em 1996, na Europa, e marcou a volta da marca na fabricação de carros pequenos desde o fim do Audi 50, em 1978.

Ponto a ponto
Desempenho – O motor 2.0 TFSI de 200 cv é, definitivamente, o maior cartão de visitas do Audi A3 Sport. Basta acelerar, mesmo de leve, para obter respostas vigorosas. Com a transmissão S tronic – câmbio mecânico automatizado com mudança sequencial, seis velocidades e dupla embreagem –, o conjunto fica próximo da perfeição. As trocas são inacreditavelmente rápidas e precisas, sem delays ou “soluços”. O zero a 100 km/h é feito em ótimos 7 segundos – uma performance invejável. As retomadas são beneficiadas pelo torque máximo de 28,5 kgfm inteiramente à disposição entre os 1.800 aos 5 mil giros. Ou seja: o motor está cheio em todas as faixas de utilização, seja em um trânsito urbano mais lento, seja na condução mais agressiva. Nota 10.

Estabilidade – O Audi A3 Sport anda sempre “colado” ao chão e é dinamicamente exemplar. As dimensões enxutas, a suspensão bem acertada e a excelente rigidez torcional resultam em um modelo de grande equilíbrio. A bagagem eletrônica traz dispositivos de segurança como o ESP, controle de tração e ABS, que dificilmente são chamados à ativa. A direção é precisa, mas sofre a ação do torque nas rodas dianteiras. A qualquer velocidade, a sensação é de controle absoluto sobre o carro, pois não há sinais de flutuação. Nas freadas e acelerações bruscas, a suspensão bem evoluída impede mergulhos e empinos acentuados. Nota 9.

Interatividade – O volante esportivo do A3 é direto, tem boa pegada e oferece ajustes de altura e de profundidade, o que ajuda na dirigibilidade e antecipa ao motorista a vocação esportiva do modelo. Os comandos estão todos ao alcance das mãos e é fácil encontrar a melhor posição de dirigir. Apenas o comando que regula a altura do banco do motorista é mal posicionado e de difícil acesso. No mais, a visibilidade dianteira é vasta, enquanto as laterais e traseiras são prejudicadas pelas colunas largas. Apesar da proposta esportiva ser cumprida à risca, sente-se falta de um sistema de entretenimento com tela de LCD e navegador para um carro que custa R$ 110 mil. Nota 8.

Consumo – As aferições do computador de bordo apontaram uma razoável média de 7,8 km/l em um percurso 2/3 na cidade e 1/3 na estrada. Nota 7.

Conforto – O Audi A3 Sport privilegia a esportividade e abre mão do conforto em alguns quesitos. Um exemplo é a suspensão rígida, que garante uma tocada esportiva interessante para o hatch, mas acaba por transmitir as irregularidades do asfalto ao habitáculo. Fora isso, o modelo oferece bom espaço para pernas e cabeças apenas nos bancos dianteiros. Os bancos dianteiros são envolventes. Já o assento traseiro é capaz de incomodar seus ocupantes em viagens longas. Além de faltar espaço, os assentos são afundados. Nota 7.

Tecnologia – Apesar da geração atual do Audi A3 ser de 2003, ele tem evoluído de lá para cá. Caso do motor 2.0 TFSI, utilizado em diversos modelos do Grupo Volkswagen, entre eles, Audi TT e os Volkswagen Passat, Tiguan e Jetta. O conjunto ainda traz a excelente transmissão S-tronic. Isso sem falar dos obrigatórios ABS, controle de estabilidade e de tração, airbags frontais e laterais, apoios de cabeça ativos na frente e até controle de largada. Nota 9.

Habitabilidade – Os acessos aos bancos dianteiros do A3 são amplos. Entretanto chegar ao assento traseiro requer certo contorcionismo. O espaço disponível é muito limitado e nessa hora fica comprovada a vocação não-familiar do carro. No mais, há boa oferta de porta-objetos e a iluminação interna é eficiente. O porta-malas de 370 litros está na média do segmento de médios. Nota 7.

Acabamento – Como todo Audi, o A3 apresenta um cuidado extremo com as peças e revestimentos internos. Apesar do foco na esportividade, o hatch não abre mão do conforto. Basta olhar e tocar os revestimentos para se perceber a alta qualidade dos materiais. Revestimentos dos painéis e bancos são agradáveis ao toque e aos olhos. Além disso os fechamentos e encaixes são precisos e não há sinal de rebarbas. Nota 8.

Design – Mesmo sem grande ousadia visual, o Audi A3 tem linhas belas e equilibradas. A dianteira, que segue a identidade de visual da marca, traz conjunto ótico anguloso com feixos de leds diurnos. Na traseira, as lanternas horizontais geram um perfil sóbrio e esportivo. Nota 7.

Custo/Benefício – O Audi A3 2.0 TFSI S-Tronic parte de R$ 110 mil para conquistar o consumidor interessado em esportividade, desempenho, segurança e conforto. É um carro caro, mas que traz um conjunto mecânico invejável: motor turbo com injeção direta e transmissão de seis velocidades com dupla embreagem. Não se encontra no mercado brasileiro modelos que rivalizem frontalmente com ele. De forma indireta, briga com BMW 118, Volvo C30 T5 e até com Mini Cooper S. Na relação preço/esportividade, supera todos eles. Nota 8.

Total – O Audi A3 Sport 2.0 TFSI somou 80 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir: emoção à flor da pele
Um primeiro olhar para o Audi A3 pode gerar alguma desconfiança de que aquele “carrinho” não consiga transmitir toda a esportividade que sugere seu sobrenome “Sport”. No entanto sob o capô do hatchback alemão está seu grande trunfo: o motor turbo com injeção direta e 200 cv. Essa unidade de força responde instantaneamente às investidas no acelerador e literalmente joga o corpo do motorista contra o encosto. As mudanças incrivelmente ágeis da excelente transmissão S tronic de seis velocidades e dupla embreagem ajudam o carro a sair da inércia e chegar aos 100 km/h em bons 7 segundos, o que evidencia um comportamento “nervoso” e dá uma mostra de toda a diversão que pode oferecer o pequeno carro da marca das quatro argolas.

As retomadas também são eficientes. O torque máximo de 28,5 kgfm está inteiramente à disposição dos 1.800 aos 5 mil giros, o que mantém o motor sempre cheio para as acelerações. Com disposição de sobra, o acelera facilmente. A suspensão rígida também privilegia uma condução esportiva. No entanto esta opção por desempenho prejudica um pouco o conforto dos passageiros, já que as irregularidades do asfalto são transmitidas ao habitáculo.

A esportividade do carro é tanta que a Audi resolveu dar ao modelo um recurso comum aos superesportivos: o controle de largada. Para acioná-lo é necessário um ritual: carro parado, alavanca no modo “S”, ASR e ESP desligados e hodômetro zerado. Nessa hora, com o pedal do freio acionado, o A3 eleva seu giro para 3 mil rpm e fica na espera do motorista soltar o freio e acelerar para garantir uma arrancada vigorosa. Vale ressaltar que a partir dos 125 km/h todos os dispositivos de segurança entram em ação automaticamente.

No mais, não há trajeto que intimide o A3 Sport. Nas retas seu desempenho é vigoroso e a comunicação entre rodas e volante se mostra sempre eficiente. Nas curvas em alta velocidade o hatch revela uma dinâmica exemplar. A carroceria torce pouquíssimo. No interior do A3 é fácil se perceber que se está em um modelo premium. Não pelo excesso de luxo – este, definitivamente, não é o forte do modelo –, mas pela alta qualidade dos materiais e pelos revestimentos agradáveis ao toque e aos olhos.

Os bancos esportivos do hatch “abraçam” os ocupantes, que ainda contam com boa oferta de espaço nos bancos dianteiros. Já quem viaja atrás vai um pouco mais desconfortável. Mas o pior mesmo para um terceiro passageiro é o acesso ao banco posterior. A inclinação com recuo dos bancos dianteiros são insuficientes e o acesso fica um pouco complicado. Nesse momento fica evidente que o A3 Sport não é, nem deve ser, o “carro da família”. O consumidor interessado em levar mais de duas pessoas com frequência deve optar pela versão Sportback, que por R$ 4 mil a mais oferece quatro portas, 8 cm a mais no comprimento e não abre mão do desempenho, já que conta com o mesmo conjunto mecânico.

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