A lista de equipamentos é um dos pontos em que a XR tenta se diferenciar. O modelo oferece de série direção hidráulica, ajustes de altura do volante e do banco do motorista, protetor de cárter, lanterna de neblina, avisos sonoros de luzes acesas e de chave na ignição, follow me home, para-sóis com espelhos, tomada 12V, relógio digital, entre outros. Na parte de funcionalidade, tampa da caçamba removível e com chave, ganchos para amarração de carga na caçamba, degraus nas laterais da caçamba, bagageiro no teto, pneus de uso misto. No visual, os toques de requinte ficam por conta do para-choque dianteiro na cor da carroceria, faróis com máscara negra, detalhes em alumínio na manopla do câmbio e nas molduras do quadro de instrumentos e faróis de neblina.
Com esta configuração, a XR se posiciona bem para brigar com outros modelos intermediários das concorrentes. Com um recheio similar, a nova Chevrolet Montana LS 1.4 é a única mais barata, já que sai a R$ 34.880, exatos R$ 470 a menos que a Hoggar. Já as demais rivais são mais caras: a Fiat Strada Trekking 1.4 começa em R$ 36.890 e a Volkswagen Saveiro Tropper 1.6 parte dos R$ 37.890. Essa "vantagem" se mantém conforme se inclui equipamentos na pick-up da Peugeot. Como opcional, ela pode receber airbags frontais, ar-concidionado, vidros e travas elétricos, telecomando na chave e travamento automático das portas. Completo, como o modelo avaliado, chega a R$ 40.350.
A Hoggar HR leva desvantagem na motorização. O modelo usa o motor 1.4 flex, com 80/82 cv a 5.250 rpm e torque máximo de 12,8 kgfm com qualquer um dos combustíveis a 3.250 giros. A nova Montana oferece propulsor 1.4 de 97/102 cv, a Strada 1.4 tem 85/86 cv e a Saveiro 1.6 gera 101/104 cv. A favor, a pick-up da Peugeot oferece maior capacidade volumétrica na caçamba: 1.151 litros, contra 1.100 dos modelos da GM e da Fiat, e 924 litros no caso da Saveiro. Mas volta a perder em carga máxima: 660 kg, contra 740 kg da Montana, 705 kg da Strada e 715 kg da pick-up da Volks.
Ponto a ponto
Desempenho – Para um veículo comercial, com 1.135 kg de peso, o motor 1.4 de 82 cv – com etanol – é apenas satisfatório. Responde bem ao pedal do acelerador, mas as acelerações são parcimoniosas, com um zero a 100 km/h em 13,1 segundos. As retomadas também não entusiasmam, mas, pelo menos, boa parte do torque está liberada aos 3 mil giros. A Peugeot promete máxima de 160 km/h. Nota 7.
Estabilidade – A pick-up da Peugeot é até equilibrada para um veículo leve e com caçamba vazia. A carroceria torce dentro da normalidade nas curvas e em velocidades razoáveis não faz qualquer menção de desgarrar. Nas retas, a comunicação entre rodas e volante só fica um pouco vacilante a partir dos 130 km/h. Nas freadas bruscas, o modelo também mergulha dentro do previsível, mas o modelo tende a desviar a trajetória nessas situações. Um ABS cairia bem. Nota 7.
Interatividade – A Hoggar segue a lógica dos carros franceses, com alguns pecados ergonômicos. O comando dos vidros elétricos é pouco intuitivo e fica quase embaixo da alavanca do freio de estacionamento. A coluna de direção, apesar de ter ajuste de altura, não oferece uma boa pegada e seu aro superior cobre parte do quadro de instrumentos. A visibilidade é boa, tanto lateral quanto dianteira e através dos retrovisores. O câmbio tem curso curto e engates relativamente macios, mas pouco precisos. Nota 6.
Consumo – O modelo testado fez a razoável média de 7,8 km/l com uso 2/3 na cidade. Nota 7.
Tecnologia – A Hoggar é um projeto novo, de 2010, mas usa plataforma alongada do 206, que data de 1998. Ou seja, tem 12 anos de vida. A suspensão é bem acertada, mas a versão XR não oferece muito em termos de equipamentos de conforto e de segurança. Airbag duplo, por exemplo, só como opcional. ABS, nem assim. Nota 6.
Conforto – O modelo oferece o espaço normal de uma pick-up compacta. A área para cabeças e pernas é a justa. A suspensão absorve bem as irregularidades do piso e o isolamento acústico se mostra eficiente até 100 km/h. Nota 7.
Habitabilidade – A Hoggar tem práticos porta-objetos nas laterais, mas, fora estes, os porta-trecos no habitáculo são poucos. Os porta-copos na tampa interna do porta-luvas são pouco práticos, já que só podem ser utilizados com o veículo parado. Pelo menos, o espaço atrás dos bancos é interessante e acomoda pequenos volumes, bolsas médias e mochilas. A caçamba é a maior do segmento, com capacidade para 1.151 litros. Os acessos são normais para uma pick-up pequena, mas pessoas com mais de 1,75 m tem de fazer certos contorcionismos para entrar. Nota 7.
Acabamento – A Peugeot usa materiais interessantes para um “carro de trabalho”, como plásticos mais suaves. Os encaixes e fechamentos se mostram precisos e há pouquíssimos sinais de rebarbas. Nota 7. Design – É, depois da nova Montana, a pick-up mais moderna do mercado. Chama a atenção pelos faróis angulosos e pela frente com o estilo “bocão” da marca. Um desenho arrojado, que foge da obviedade do segmento. Nota 8.
Custo/benefício – A XR é a versão intermediária e por R$ 35.350 oferece apenas o básico. Com ar, duo elétrico, travamento e keyless chega a R$ 39.350. Completa ainda com airbag, vai a R$ 40.350. Briga com as outras configurações intermediárias de Montana, Saveiro e Strada, oferece mais volume na caçamba, mas menos potência no motor. Nota 7. Total – A Peugeot Hoggar XR 1.4 somou 69 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
A Hoggar XR se sai bem em sua função de servir tanto à labuta como ao lazer. O modelo oferece um desempenho honesto para a cidade, um bom consumo de 7,8 km/l com etanol em uso 2/3 urbano e uma dirigibilidade razoável. Dentro da cabine, peca mesmo pela ergonomia falha, com alguns botões pouco intuitivos e mal posicionados. Os acessos também são complicados, devido à baixa altura do modelo.
Ao virar a chave, o motor de 82 cv – com etanol – oferece uma performance apenas adequada. As primeiras relações um pouco longas comprometem um pouco as acelerações. A retomada é mais interessante, graças ao motor, que enche bem já aos 3 mil giros e garante um bom desempenho do modelo em subidas e situações de ultrapassagens.
Na estabilidade, a Hoggar se mostra bem acertada. Nas curvas acentuadas e em velocidades médias, o modelo não faz menção de jogar a traseira. Nas retas planas, só depois dos 130 km/h o modelo passa a dar sinais de flutuação e exige correções a todo instante por parte do motorista. Deixa a desejar mesmo nas frenagens bruscas, justamente pela ausência de ABS. Apesar de mergulhar dentro da normalidade nessas situações, a Hoggar tende a sair da trajetória.
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