- A Nissan mudou o discurso e quer assumir uma nova identidade no Brasil. A primeira e drástica mudança do novo perfil da marca japonesa foi parar de importar modelos “nobres” como o Murano, a Pathfinder e o X-Trail. A concentração de forças, a partir desse semestre, é valorizar a boa relação custo/benefício de seus modelos. E nova estratégia começa com o lançamento do Tiida sedã 1.8, um compacto que disputa espaço com os sedãs de entrada nas versões topo de linha e com sedãs compactos premium “básicos” – como o caso do Fiat Siena e das versões sedã de Volkswagen Polo e Chevrolet Astra. Na verdade, o modelo chega como uma espécie de “cobaia” da Nissan, que tenta descobrir as preferências do público brasileiro antes de dar sua “maior cartada”, o March – compacto popular que, no ano que vem, será fabricado no México. Justamente na mesma planta de Aguascalientes de onde sai o Tiida sedã. O novo três volumes chega por R$ 44.500 e é movido pelo conhecido propulsor 1.8 16V, que também está no hatch Tiida.
De imediato, o Tiida sedã tem apenas uma única versão, equipada com os “básicos” trio elétrico, direção elétrica, ar-condicionado, alarme perimétrico, computador de bordo e rádio com CD player/MP3 e entrada auxiliar para iPod. Itens de segurança como airbags dianteiros e freios com ABS e EBD ou incrementos como câmbio automático, rodas de liga leve e faróis de neblina não aparecem nem como opcionais. A justificativa para a configuração solitária – e com equipamentos reduzidos – é facilitar – e baratear – a produção na linha. A Nissan também deixa claro que o consumidor que espera mais recheio e insiste na marca deve procurar logo o Sentra, veículo acima do Tiida sedã.
Com 4,47 metros de comprimento, 1,69 m de largura, 1,54 m de altura e 2,60 m de entre-eixos, o três volumes divide a mesma plataforma com Nissan Livina, Renault Logan e Sandero. Em termos estéticos, traz dianteira com a mesma aparência do hatch, com grade frontal riscada três filetes contínuos que ostentam a logomarca da Nissan. O terceiro volume, no entanto, não condiz com o design arrojado da parte dianteira. Traz um visual ultrapassado, que remete a carros dos anos 90, com linhas pouco harmoniosas. Da lanterna, em formato irregular, parte um vinco que corta toda a lateral do veículo até a caixa de rodas. A placa traseira é “emoldurada” por um friso cromado, que tenta emprestar um visual mais requintado ao três volumes.
Alheia às questões visuais, a Nissan sabe que terá de conquistar o consumidor pelo custo/benefício. No primeiro mês cheio de vendas, foram emplacadas no Brasil apenas 229 unidades do modelo, segundo a Fenabrave. Um resultado até razoável, já que a intenção da marca é chegar, no máximo, a 500 unidades mensais.
Ponto a ponto
Desempenho – O motor 1.8 16V flex é mais do que suficiente para os 1.176 kg do Tiida sedã. O propulsor permite ao três volumes da Nissan boas arrancadas, graças à boa relação 9,3 kg/cv. As retomadas são igualmente satisfatórias e feitas com muita segurança. A velocidade máxima alcançada foi de 175 km/h e o zero a 100 km/h foi cumprido em 9,8 segundos. Nota 8.
Estabilidade – Em pista repleta de curvas, o Nissan Tiida sedã demonstrou ser um modelo bem estável. Torce dentro da normalidade de um três volumes e só faz menção de desgarrar a traseira em situações extremas. Nas retas, o sedã até que se mostrou bem firme, mas o mesmo não acontece nas frenagens – que carecem da eficiência de itens como ABS e EBD, que não estão disponíveis nem como opcionais. Nota 7.
Interatividade ¬– A distribuição e posição dos comandos não exige habilidade do motorista para manuseá-las. A visibilidade frontal é boa, mas a coluna traseira atrapalha na hora da manobra – ainda mais com a ausência de sensor de estacionamento. Já o câmbio de seis velocidades tem o curso longo, com boa pegada. Só faz um barulho incomum nas trocas de marchas. Nota 7.
Consumo – O Nissan Tiida sedã 1.8 flex fez média de 7,2 km/l quando abastecido com etanol, em um percurso de 1/3 de estrada e 2/3 de cidade. Um consumo honesto para um motor 1.8 litro, capaz de despejar 126 cv de potência. Nota 7.
Conforto – O Nissan Tiida sedã prima pelo espaço interno. Tem bancos largos e macios, com revestimento que agrada ao toque – assim como o das portas. Há espaço mais do que suficiente para pernas e cabeça dos passageiros, tanto no banco da frente, como no banco traseiro – graças aos 2,60 metros de entre-eixos. É tão espaçoso como o Renault Logan, com quem divide mesma plataforma, e tem mesma medida de entre-eixos. Nota 8.
Tecnologia – A única versão disponível do Tiida sedã vem com itens “básicos” como ar-condicionado, direção elétrica, computador de bordo, vidros elétricos traseiros e dianteiros, travas e retrovisores elétricos, rádio CD player com MP3 e entrada auxiliar para iPod. Peca por não disponibilizar – nem opcionalmente – itens como freios com ABS e EBD e airbags. Nota 7.
Habitabilidade – O Tiida sedã tem um interior espaçoso. Os acessos aos bancos são facilitados pelos 1,54 metro de altura. Como é um veículo grande, o habitáculo fica pouco iluminado por ter um único ponto de luz. Mas, pelo menos, há uma boa quantidade de porta-objetos. Além disso, a mala comporta ótimos 467 litros de bagagem. Nota 7.
Acabamento – Não há nada de muito primoroso no Tiida sedã. Mas o revestimento dos bancos é em veludo, também presente nas portas, bastante suave ao toque. Os plásticos utilizados no painel são agradáveis e têm textura agradável. Só os encaixes das peças não são tão precisos como deveriam. Há também excesso de rebarbas no interior, especialmente das portas. Nota 6.
Design – A aparência não é de fato o que atrai um comprador para o Tiida sedã. O três volumes que deriva da configuração hatch do Tiida foi lançado mundialmente em 2008. Chega ao Brasil dois anos depois e com as mesmas linhas. A parte traseira não condiz com a frente do modelo. Tem visual simplório e antiquado, que não agrada. Nota 5.
Custo/Benefício – O Nissan Tiida sedã tenta ser competitivo ao lado de rivais como Volkswagen Polo sedã, Chevrolet Astra e Fiat Siena, em sua melhor versão. É maior e mais potente, só que peca no design. Consegue ser uma alternativa coerente ao Polo sedã 1.6 que, por R$ 45.720, chega com mesma lista de equipamentos – embora tenha propulsor mais fraco, um 1.6 litro com apenas 101/103 cv. Quando comparado ao Astra, que surge por R$ 50.626, perde por não ter itens presentes de série no modelo da Chevrolet, como airbags duplos frontais e rodas de liga leve de 16 polegadas. Outro rival, a versão topo de linha do Siena, a Essence 1.6 16V, de 115/117 cv, tem trio elétrico, faróis de neblina e computador de bordo por R$ 42.230. O acréscimo de um simples ar-condicionado leva a configuração para orbitantes R$ 46.719. Já a configuração Confortline do Volkswagen Voyage 1.6 16V, de 101/104 cv, é equipada com direção hidráulica, faróis de neblina e travas. Chega por R$ 41.700. Assim como o modelo da Fiat, passa para R$ 45.690 com o ar-condicionado como opcional. O Tiida sedã busca as sobras dos concorrentes. Tem a vantagem por ser um modelo com excelente espaço interno e ter os equipamentos “estritamente necessários”. E ainda tem o status de veículo importado. Nota 7.
Total – O Nissan Tiida sedã 1.8 16V somou 69 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
Apesar de possuir linhas pouco envolventes, o Tiida Nissan esconde gratas surpresas. Uma delas está debaixo do capô. O motor 1.8 16V – o mesmo da configuração hatch – chega a sobrar para a versão três volumes. Nas primeiras aceleradas, é possível sentir o que a unidade de força é capaz de fazer. Graças aos 126 cv de potência do motor – quando abastecido com etanol – o sedã mexicano exibe disposição nas arrancadas e retomadas. O torque de 17,5 kgfm com etanol – liberado totalmente aos 4.800 rpm – mostra-se eficiente para empurrar o sedã da Nissan. A máxima de 175 km/h foi feita com o pedal do acelerador travado no fundo, em quinta marcha. Em 9,8 segundos, os 1.176 kg de carro foram tirados da inércia e alcançaram os 100 km/h. O câmbio de seis velocidades é bem acertado e a sexta marcha acaba funcionando como uma espécie de “overdrive”, que prioriza até o consumo de combustível. Em termos de estabilidade, o Tiida sedã se mostra bem equilibrado. A carroceria torce dentro da normalidade nas curvas e há menção de desgarrar apenas em situações extremas.
O entre-eixos de 2,60 metros prioriza a vida a bordo. Tanto que o espaço é mais do que suficiente para todos os ocupantes, que podem desfrutar do interior sem qualquer aperto – ainda mais no banco traseiro, onde o terceiro ocupante não é espremido pelos outros dois viajantes. O amplo porta-malas permite levar até 467 litros de bagagem. O modelo oferece ainda boa posição de dirigir beneficiada pela regulagens de altura do volante e do banco. Destaque ainda para a direção elétrica, extremante suave. Já o acabamento é simples. Os encaixes são imprecisos, mas os revestimentos dos bancos e das portas aparentam certa qualidade. Mas há vários sinais de rebarbas no acabamento das portas.
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