- BBB. Ela é a sigla da moda e está na boca do povo. Calma, não irei falar de paredões e confinamentos em uma casa repleta de câmeras. Os três “B” a que me refiro são a tríade favorita dos consumidores: Bom, Bonito e Barato. E, apesar dos dois primeiros bês serem subjetivos, é possível observá-los em um carro que é quase um BBB: o Volkswagen Fox 1,0.
Bom
Primeiro compacto a adotar a arquitetura de “teto alto”, o modelo agradou em cheio o público que curte as alturas. Apesar do comprimento diminuto 3,82 m, menor até do que o Gol, o Fox oferecia mais espaço interno e aquele ponto de vista superior tão desejado pelos motoristas. Mesmo com o interior espartano e com instrumentos de difícil leitura, o modelo caiu nas graças do povo, tendo mais de 1 milhão de unidades vendidas. Para esses consumidores, ele era bom – e ficou melhor.
Beleza interior
Mas foi só seis anos depois, em 2009, que o Fox sanou o problema do painel acanhado e o desenho simples ao extremo. Por fora a carroceria ganhou a nova identidade visual da Volkswagen, dando um jeitão mais agressivo ao Fox – principalmente quando equipado com os faróis de dupla parábola. Por dentro ocorreram mudanças mais profundas, com o interior completamente reformulado e um painel de instrumentos mais elegante e de fácil leitura.
Como nada vem de graça, o Fox também subiu nas tabelas oficiais – a versão mais barata, 1,0 duas portas, não sai por menos de R$ 32.300. Adicione mais duas portas por R$ 940 e você terá um modelo similar ao avaliado pelo WebMotors. Similar porque por dentro a unidade cedida pela Volkswagen é completa, e custaria R$ 45.170 se fosse encomendando a um concessionário.
Bonito
Ok, justiça seja feita. Mesmo sem todos os equipamentos que vão do volante multifuncional às luzes de cortesia no para-sol, o interior do Fox ainda é notadamente superior ao antecessor – e ao de alguns concorrentes. Apesar do império do plástico que domina o segmento abaixo de R$ 50 mil continuar no compacto, os materiais possuem aspereza agradável ao toque e encaixes precisos. Falar que o Fox ficou lindo por dentro pode soar exagerado, mas em comparação com o anterior, não é arriscado falar que o interior ficou mais bonito.
As boas ideias que não vingaram como o porta-CD embutido no painel saíram, mas outras foram melhoradas – incluindo aí o porta-garrafa nas portas. Além desse porta-treco, o Fox 4 portas possui outros 16. O aparente exagero de compartimentos e reentrâncias se mostra útil no dia a dia, seja para jogar a chave de casa e a carteira logo após entrar no carro, seja para se livrar logo do troco e o recibo do pedágio.
O jeito de carrão continua no espaço interno amplo. Graças à esticada na altura 1,54 m, o Fox acomoda bem quatro adultos de estatura superior. Cinco vão apertados, afinal, o Fox ainda é um compacto. O porta-malas está na média do segmento, com 260 litros – podendo chegar a 353 litros com o banco traseiro deslocado para a frente. O recurso, opcional, deixa pouco espaço até para as crianças, mas é mais prático do que rebater todo o banco traseiro.
Sem pressa e sem sede
Legal, o carro mudou por dentro e por fora, mas e na hora de andar? Nesse ponto o Fox manteve a dinâmica do antecessor, com a suspensão bem acertada para a carroceria mais alta e câmbio com ótimos engates. A direção hidráulica de série facilita manobras e balizas sensor de estacionamento é opcional, mas o desempenho apenas modesto do motor 1,0 litro também continuou.
Dirigir o Fox carregado ou por ladeiras não é o martírio encontrado em um Ford Fiesta 1,0, mas fica longe da agilidade de um Chevrolet Celta. O motor VHT de 76 cv com etanol requer atenção ao uso do câmbio de ótimos engates, e humildade por parte do motorista. Na dúvida, mantenha-se na direita e modere no ar-condicionado.
No trânsito urbano, porém, ambiente majoritário na vida de um Fox, o hatch se vira bem para acompanhar modelos com motores mais potentes. Felizmente, o desempenho modesto do motor mostra sua vantagem na hora de abastecer. Medido pelo WebMotors, o consumo urbano médio de 7,4 km/l com etanol evita sustos na hora de parar no posto. Caso seja abastecido com gasolina na mesma situação, o Fox vai fazer 14,8 km/l, segundo a Volkswagen.
BBC
Na ponta do lápis, o Fox é racional sem deixar de lado um design mais marcante do que seu antecessor. Se o motor torna cantadas de pneu possíveis apenas em freadas, o carro mostra seu valor em outras frentes, como acabamento, espaço interno e versatilidade. Para completar o último “B” da tríade favorita dos consumidores, necessitava ao Fox ter um preço pelo menos próximo de seus concorrentes. Por enquanto, o valor superior não impediu ao modelo fechar 2010 na quarta posição no ranking de vendas. Mas com a chegada de novos concorrentes, é questão de tempo – e sobrevivência – para o Fox virar, de vez, um BBB.
Volkswagen Fox 1,0 2011
| Motor | Quatro cilindros em linha, dianteiro, transversal, 8 válvulas, 999 cm³ |
| Potência | 76 cv etanol / 72 cv gasolina a 5.250 rpm |
| Torque | 104 Nm / 10,6 kgfm etanol - 95 Nm / 9,7 kgfm gasolina a 3.850 rpm |
| Câmbio | Manual, com cinco marchas |
| Tração | Dianteira |
| Direção | Por pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica |
| Rodas | Dianteiras e traseiras em aro 15” de aço |
| Pneus | Dianteiros e traseiros 195/55 R15 |
| Comprimento | 3,83 m |
| Altura | 1,54 m |
| Largura | 1,64 m |
| Entre-eixos | 2,46 m |
| Porta-malas | 260 l |
| Peso em ordem de marcha | 1.009 kg |
| Tanque | 50 l |
| Suspensão | Dianteira independente, tipo McPherson; traseira dependente, tipo barra de torção |
| Freios | Disco ventilado na dianteira e tambor na traseira |
| Preço | R$ 32.300 |
