Avaliamos o Toyota Etios X 1.3 16V automático

Versão que custa R$ 47.490 surpreende com um conjunto mecânico equilibrado


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(Mogi das Cruzes-SP) O painel de instrumentos agora é todo digital. Os motores ganharam injeção de força e potência. No entanto, sem sombra de dúvidas, a principal novidade do Toyota Etios 2017 é a chegada da transmissão automática de quatro marchas, que é ofertada já a partir da configuração de entrada X 1.3 16V Flex disponível apenas para carroceria hatch. E foi exatamente esta que eu tive a oportunidade de rodar durante o lançamento da linha, realizada em Mogi das Cruzes (SP).

Para tirar um exemplar deste é preciso fazer um cheque de R$ 47.490 em uma das concessionárias Toyota pelo País. Não dá para negar que o valor é, no mínimo, ‘salgado’. No entanto, olhando para a concorrência, a cifra passa a ser interessante, pelo menos. O Chevrolet Onix 1.4 LT automático (câmbio de 6 velocidades) sai por R$ 53.390. Já o Hyundai HB20 Comfort Plus 1.6 automático (também de 6 marchas) parte de R$ 54.595. Como não levo em conta os ‘soluçantes’ automatizados (I-Motion, Dualogic ou Easy-R), tenho que concordar com os executivos da Toyota: o Etios é o carro automático mais barato do Brasil.

E olha que até mesmo o Kia Picanto automático com motor 1.0 é mais caro que o Etios: R$ 49.990...

Nem mesmo botóx

No hotel em que fiquei hospedado – o mesmo em que a seleção da Bélgica se preparou para a Copa do Mundo de 2014 -, o Etios X automático 2017 passa desapercebido. Sem qualquer mudança no visual, ele bem que poderia ser 2016 ou 20152015. A Toyota precisava ter pedido aos seus designers alguma novidade estética simples. Algo do tipo um friso cromado no rodapé das portas. Aliás, não existe nem mesmo uma diferenciação mínima entre as versões manual e automática. Sei lá, uma plaquetinha na tampa do porta-malas escrita ‘Auto’.

Só quando abri a porta e sentei no banco do motorista que tiver a certeza de que se tratava de um Etios sem pedal de embreagem.

Apesar de a coluna de direção ter somente ajuste de altura, rapidamente encontrei a melhor posição para dirigir. O volante tem excelente empunhadura e por ser uma opção de entrada, que não traz sequer um simples rádio AM/FM, acaba por não ter necessidade de ser multifuncional. Ar-condicionado, ao contrário, é de série. Por isso, antes mesmo de colocar o câmbio no ‘D’ (Drive) logo após ligar o ‘made in’ Sorocaba (SP), gelei o habitáculo – lá fora, o termômetro marcava mais de 30°C, em pleno outono paulista.

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On road

Agora sim no ‘D’, saio para o teste de mais de 160 quilômetros. Logo nas primeiras manobras para sair do hotel, a direção elétrica dá as boas-vindas, mostrando o quanto é superior em relação às caixas hidráulicas. Na estrada, com velocidades acima de 100 km/h, a direção ganha um pouco de peso, transmitindo maior sensação de segurança o motorista. Ponto para o excelente trabalho de sintonia fina feito pelos engenheiros da Toyota.

O motor 1.3 16V sempre me agradou. Era um ponto que eu não enxergava necessidade de mudanças neste momento – preferia muito mais alguma novidade estética por fora (...). No entanto, a Toyota analisou de uma outra maneira e trouxe mais tecnologia para o propulsor, que agora passa a ser produzido em Porto Feliz (SP) – como sistema Dual VVTi (abertura e fechamento das válvulas) igual ao dos blocos do Corolla. A taxa de compressão aumento, de acordo com a marca, passando de 12,1:1 para 13,1:1.

Em números, o resultado foi um ganho de 8 cv de potência, passando de 90 cv para 98 cv, e somente 0,3 kgf.m de força, saltando de 12,8 kgf.m para 13,1 kgf.m – quando abastecido com etanol. Na realidade, no feeling da condução, absolutamente nada mudou. Nem mesmo o fato de o torque máximo ser entregue em rotações mais elevadas – 4.000 rpm ante 3.100 giros do motor anterior – revolucionou (volto a dizer) o bom comportamento do motor. A 120 km/h, o ponteiro fica um pouco abaixo da casa das 3.000 rotações. E o nível de ruído interno é baixo (ponto para a Toyota).

E este propulsor é tão equilibrado, que até a transmissão automática surpreendeu positivamente. Na realidade, quando fiquei sabendo que era de apenas quatro marchas, torci o nariz. E depois que fui informado que era a mesma utilizada na geração 2002 do Corolla – aquela do comercial com o Brad Pitt e música New Sensation, do INXS -, joguei nas mãos de Deus todas as minhas expectativas. Lembrei imediatamente do ‘indeciso’ e ‘truculento’ câmbio de BVA de 4 marchas que equipavam os primeiros modelos automáticos da Peugeot e da Citroën.

Adotada principalmente por ser compacta, esta transmissão foi muito bem retrabalhanda, deixando-a em sintonia com o propulsor. Consegue fazer uma boa leitura da demanda imposta pelo motorista a partir do pedal do acelerador. Nas subidas, antes de perder o fôlego, uma marcha é reduzida, jogando a rotação para cima e mantendo o vigor do motor 1.3. Nos trechos urbanos, com trânsito pesado e até um pouco de congestionamento, as marchas passam suavemente, sem trancos desconfortáveis. Já no momento em que cravo o acelerador no assoalho para ganhar velocidade, o motor grita alto e as trocas passam a ser mais perceptivas.

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Olhando

Voltando para o hotel, começo a olhar mais no detalhe o interior do Etios 2017.  Confesso que entrei em um turbilhão de conclusões. Ao mesmo tempo em que parece ser um outro carro – mais moderno e tecnológico – com o novo painel de instrumentos totalmente digital, a qualidade dos materiais deixa a desejar. Além de não terem uma textura agradável ao torque, algumas peças têm rebarbas. O porta-luvas continua caindo no colo do passageiro quando aberto e as saídas de ar centrais seguem em posições, digamos, polêmicas.

A lista de equipamentos de série também não impressiona. Além do ar-condicionado e da direção elétrica, a versão de entrada X tem travas e vidros elétricos (nas 4 portas), ISOFIX (fixação da cadeirinha), encosto de cabeça e cinto-de-segurança de três pontos para o passageiro central do banco traseiro, abertura interna do porta-malas, airbag duplo frontal e freios ABS (antitravamento) com EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem). As rodas são de aço de 14 polegadas (calotas) e nem um radinho básico está disponível – só mesmo a antena...

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Conclusão

Um leitor comentou na matéria de apresentação do Toyota Etios 2017: “Câmbio automático de 4 marchas é evolução?” Para quem tinha só transmissão manual disponível, a resposta é “sim”. É uma importante evolução. Seu funcionamento equilibrado me surpreendeu, pois as expectativas eram as piores possíveis. É, sem sobra de dúvidas, muito superior às automatizadas disponíveis no segmento. O motor 1.3, que já era bom, melhorou. O novo painel de instrumentos – agora digital – modernizou o Toyota por dentro. No entanto, a lista de equipamentos básica poderia ser mais recheada e o preço de R$ 47.490, mais baixo – mesmo a Toyota chamando o Etios X 1.3 16V Flex de o automático mais em conta do Brasil. Sem falar que a grande pisada na bola dos japoneses foi não ter mexido no controverso design.

Quem sabe na próxima geração...

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