Bravo T-Jet agrada, mas falta mais bravura

Trem de força e interior são destaques, mas não transformam o carro em referência


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Quando a roda de amigos apaixonados por carro começa a falar de modelos esportivos, logo vem à mente o conjunto motor e câmbio do veículo. E nesse aspecto o Fiat Bravo T-Jet tende a passar ileso a críticas. O casamento do propulsor 1.4 com o câmbio manual de seis marchas foi ajustado na medida certa e, portanto, o carro já andou mais da metade do caminho rumo ao sucesso, certo?

Errado. A linha 2016 chegou ao hatch médio, mas as rugas das baixas vendas continuam. Até maio, a gama completa do Bravo emplacou 1.390 unidades, déficit de 4.744 vendas em relação ao líder Ford Focus. Mas esses números refletem a inferioridade do modelo perante à concorrência em termos práticos? Vejamos:

Como dito, o trem de força da versão T-Jet cumpre o seu papel de entregar diversão ao motorista (afirmação que não pode ser cravada em relação ao motor 1.8 utilizada nas outras versões, principalmente, por conta do câmbio automatizado Dualogic). O bloco 1.4 é mais potente do que o tão badalado Volkswagen Golf. São 152 cv (a 5.500 giros) contra 140 cv.

O torque de 23 kgf.m a 4.500 rpm também possui números satisfatórios e é gerenciado de maneira primorosa pelo câmbio manual de seis velocidades. Escalonar as marchas é uma tarefa deliciosa, ainda mais pelo soar viciante do turbocompressor. Quiçá um dia ele ganhará mais espaço na gama da Fiat...

As esticadas seriam mais saborosas, porém, se a suspensão tivesse tocada mais esportiva. Nem mesmo o botão OverBooster deixa o Bravo ainda mais bravo. O sistema de amortecimento independente na frente e de torção de seção aberta atrás é moderno, entretanto, mais ajustado ao conforto.

Conta ainda o fato de o modelo ser um tanto pesado. São 1.435 quilos que ajudam a explicar a preferência de muitos clientes pelo Punto, que também possui motor T-Jet e é 172 kg mais leve. Este simples fato explicam mais uma bola nas costas do Bravo: ele cumpre o 0 a 100 km/h em 8,7 segundos, isto é, quatro décimos a mais em relação ao hatch menor. Parece bobagem, mas não para quem deseja esportividade e vê o Punto ser R$ 12.970 mais em conta em relação ao Bravo, que tem tabela de R$ 79.980.

O ponto alto do hatch médio e que o difere da concorrência (inclusive interna) é o acabamento interno. A experiência dentro do carro garante um ótimo ambiente para viajar. A escolha dos materiais e a disposição deles beira ao impecável. Apenas alguns layout poderiam ser revistos, como o volante de desenho muito robusto e grandalhão, além da central multimídia com tela de 5 polegadas, que apesar de intuitiva, tem design muito parecido ao utilizado no Uno.

O sistema contem rádio, GPS, leitura e envio de SMS, bluetooth, USB, câmera de ré, além gerenciamento por meio de comando de voz.

Além de agradável aos olhos, o interior totalmente preto entrega bastante conforto. Além de banco de couro com ajustes de altura para o motorista, os demais passageiros viagem com bom espaço para as pernas. Quem vai atrás aproveita bem o entre-eixos de 2,60 metros da carroceria de 4,37 m de comprimento.

A boa experiência interna, porém, não se reflete lá fora. O Bravo não é um carro que chama atenção, embora a linha 2016 tenha melhorado os apectos de design do veículo. Na frente, um friso cromado contorna as formas do para-choque, que tem novos faróis de neblina. O formato estreito dos faróis combinado à grade curta e retangular parece ter buscado inspiração no Jaguar F-Type.

Mas o bem maior do facelift ficou atrás. As lanternas possuem controno em acabamento preto, enquanto o para-choque ganhou saídas de ar de bom gosto. Há ausência de mimos populares na categoria, como LEDs de uso diurno. No caso, a Fiar prefere usar adesivos laterais de gosto duvidoso.

O pacote de itens de série é satisfatório. Há trio elétrico, ar-condicionado de duas zonas e saída traseira, assistência de partida em rampa, piloto automático, controle de estabilidade, freio a disco nas quatro rodas, teto solar, volante multifuncional com acabamento em couro, sensor de estacionamento, rodas de aro 17” pretas com acabamento diamantado, entre outros. Em termos de segurança, a crítica vai aos airbags. Há apenas as duas bolsas dianteiras obrigatórias. É preciso ter mais atenção neste quesito.

Portanto, o Bravo não possui em seu corpo a inferioridade que demonstra nos números de mercado perante a concorrência. No entanto, o modelo não traz nada que o faça diferente, nada que o faça ser lembrado. Falta mais bravura.

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