Por cerca de R$ 400 mil, o BYD Atto 8 oferece uma combinação quase única de porte, alcance e equipamentos de série. Uma típica oferta "mais por menos"
Eu e você sabemos que o mercado de automóveis mudou muito nos últimos anos, com carros populares zero-quilômetro que custam mais de R$ 100 mil e automóveis de luxo ultrapassando por ampla margem a barreira dos R$ 400 mil. Por isso mesmo, fico genuinamente feliz quando vejo um automóvel como o BYD Atto 8.
O Atto 8 é um SUV de mais de cinco metros de comprimento e espaço para sete pessoas. Grandalhão, refinado, lotado de equipamentos de série e equipado com um conjunto motriz híbrido plug-in de quase 500 cv de potência. Tudo isso por R$ 399.990. Uma pechincha!
No papel, muita gente vai achar que esse é o carro definitivo. Mas, dependendo do que você espera de um automóvel, esse está longe de ser um carro unânime. Será que é a máquina certa para você?

Chamado de Tang L lá na China, o Atto 8 é um automóvel de projeto recente, lançado no início do primeiro semestre de 2025 lá no país asiático. Aqui e lá, teve a missão de substituir o Tang, SUV que era vendido no Brasil como Tan EV. E que ficou bem distante do sucesso dos outros BYD aqui no mercado brasileiro.
Talvez por isso mesmo a marca chinesa tenha decidido fazer uma correção de rota por aqui: no lugar do conjunto motriz elétrico do Tan EV, a BYD optou por lançar esse Atto 8 por aqui com uma motorização híbrida plug-in. Uma escolha que faz mais sentido no Brasil, onde raramente quem compra um automóvel de sete lugares e mais de cinco metros de comprimento roda somente no perímetro urbano.

Não é só na motorização que esse Atto 8 parece um produto mais acertado para o Brasil que o antigo Tan EV. A cada nova geração de um produto, as fabricantes da China deixam os seus carros cada vez mais bonitos e originais, criando automóveis com uma inconfundível identidade visual que é quase padrão entre as várias marcas do país asiático. Mas que já não parecem mais um penduricalho de referências e estilos.
O Atto 8 é um belo exemplo disso. O visual é mais harmonioso e refinado que o do antigo Tan EV. Por isso mesmo, o SUV híbrido tem mais cara de carro de luxo que de SUV grandalhão. Aliás, bora falar nas medidas. O BYD tem 5,04 metros de comprimento, 2 metros de largura, 1,76 metro de altura e 2,95 metros de entre-eixos. Medidas generosas. Só para você ter uma ideia, o Atto 8 é pouco maior que um Volvo XC90 e pouca coisa menor que um Audi Q7.

Em seu site, a BYD diz que o Atto 8 oferece "luxo de primeira classe com sete assentos". Normalmente, sou o primeiro a criticar esses exageros do pessoal do marketing. Mas não deixa de ser algo compreensível. Afinal, todo mundo está tentando vender seu peixe. Ou melhor, seu carro.
Pelo menos dessa vez os marqueteiros não passaram tão longe da realidade. Grande por fora, o Atto 8 (previsivelmente?) também é muito espaçoso por dentro. Tenho 1,65 metro de altura e eu me sentia no comando de um navio petroleiro sempre que me acomodava no assento do motorista.
Testei também os dois banquinhos do porta-malas e o conforto oferecido por esse BYD é bem razoável lá na classe econômica. Pelo menos para os mais baixinhos. Com todos os assentos ocupados, o espaço para bagagens é de 270 litros. Mas aumenta para ótimos 960 litros com os banquinhos do porta-malas rebatidos.

Mas o ótimo espaço interno não é a única qualidade do Atto 8. Quando o assunto é visual e acabamento interno, a BYD mirou nos modelos europeus e por isso mesmo esse SUV tem uma cabine bem sóbria e minimalista, com apliques de tecido no painel e nas laterais das portas, e plásticos com textura imitando metal no lugar dos plásticos pretos brilhantes.
O próprio layout do painel é mais verticalizado que o esperado em um automóvel chinês, enquanto os botões físicos nas portas e no console central são visualmente bonitos e passam aquela sensação tátil típica dos modelos de marcas premium europeias. Só senti falta mesmo foi dos porta-objetos nas portas com revestimento de carpete para ficar com mais cara de carro de luxo. Até porque os bancos também são extremamente confortáveis.

Juliana, minha esposa, é a avaliadora oficial de conforto e acabamento aqui de casa. Como ela não dirige, acaba fazendo aquela avaliação típica de um passageiro. No caso do Atto 8, ela elogiou muito o conforto do carro. Mas muito mesmo! Inclusive, fez questão de viajar várias vezes no banco traseiro. E eu não faria diferente se estivesse no lugar dela.
Além do espaço de sobra para as pernas, cabeça e ombros, quem viaja na fileira do meio tem conforto de sofá e itens típicos de automóveis de luxo, como o ar-condicionado com controle independente de temperatura - são três zonas no total -, massagem, aquecimento e ventilação.
E, além desses itens acima, a lista de equipamentos do Atto 8 inclui painel digital configurável de 10,25 polegadas, multimídia de 15,6 polegadas com espelhamento sem fio, sistema de som com 21 alto-falantes, head-up display, teto panorâmico, volante aquecido, bancos dianteiros com ajustes elétricos, memória de posição, massagem e climatização e carregador de celular por indução de 50 Watts.
Já o pacote tecnológico e de segurança inclui nove airbags - frontais, laterais dianteiros e traseiros, de cortina e central-dianteiro -, câmera 360 graus, faróis de LED com acendimento automático e controle automático de luz alta. E, ainda, um pacote ADAS completo, com direito a alerta de tráfego cruzado traseiro e dianteiro com frenagem automática e assistente de manutenção em faixa.
O BYD Atto 8 é equipado com um conjunto motriz de três motores: um propulsor 1.5 turbo de quatro cilindros e dois propulsores elétricos de tração. Conjunto com potência combinada de 488 cv e 68,8 kgfm de torque máximo. A tração é integral.
Com uma bateria motriz de 35,6 kWh - que é compatível com carga rápida DC -, o Atto 8 roda até 111 quilômetros no modo elétrico (ciclo PBEV), enquanto o alcance combinado total é de cerca de 900 quilômetros (ciclo NEDC).
Já em desempenho, o SUV da BYD acelera de zero a 100 km/h em 4,9 segundos e atinge 200 km/h de velocidade máxima. Belas marcas para um automóvel de 2,6 toneladas. O sistema de suspensão é do tipo Duplo A (dianteira) e Multilink (traseira), com amortecedores adaptativos. Os freios têm discos ventilados nas quatro rodas.

Se no visual e no conteúdo os chineses da BYD fizeram um belíssimo trabalho, é na rodagem que o Atto 8 é um automóvel menos unânime. E que fique bem claro que não é por ser problemático ou algo assim, mas por uma questão puramente de preferência pessoal.
Além da possibilidade de escolher por mais ou menos assistência no sistema de direção - algo presente também em modelos mais acessíveis da BYD -, o Atto 8 permite optar pelos acertos "Conforto" ou "Sport" para as suspensões.
Me animei, mas para me frustrar logo nos primeiros quilômetros. Optando pelo modo "Sport" na direção e na suspensão, você acaba tendo um automóvel com uma direção com bom peso e uma suspensão um pouco mais rígida que o padrão dos BYD, mas ainda bastante macia.
Já no modo "Conforto", o Atto 8 acaba se tornando uma verdadeira barca. O que não chega a ser exatamente um problema, considerando o foco em conforto desse carro aqui e o padrão lunar do asfalto das ruas brasileiras. Mas um acerto esportivo mais esportivo não seria ruim, principalmente na estrada. Justamente porque não falta motor.
O SUV da BYD embala com muita agilidade, mas não tem um conjunto para ser guiado com rapidez na maior parte do tempo.
O conjunto motriz prioriza a rodagem no modo elétrico, com o propulsor a combustão operando boa parte do tempo como gerador de eletricidade. E assim, o Atto 8 acaba se comportando de maneira parecida com um elétrico com extensor de autonomia. Como o Leapmotor C10 REEV.
Por isso mesmo, em algumas ocasiões o 1.5 turbo parece mais acelerado do que sugere a pressão no acelerador. Aí, o ruído do quatro canecos bebedor de gasolina invade a cabine e você acaba sentindo falta de um isolamento acústico mais eficiente e condizente com a pegada refinada do Atto 8.
No final das contas, o Atto 8 fica mais gostoso de ser guiado com calma, rodando em velocidade constante e aproveitando a potência e torque do conjunto para uma ou outra ultrapassagem. Quando é dirigido dessa maneira, o SUV da BYD vai muito bem, obrigado!
Até mesmo os auxílios de direção inteligentes do pacote ADAS são - um pouco - mais permissivos do que em outros carros da marca. Mesmo assim, os alertas sonoros são uma irritante e constante presença, sempre que o automóvel acha que o motorista está se arriscando demais. O que, inclusive, acontece quase sempre.
O Atto 8 tem aquela crônica falta de botões físicos dos carros chineses, mas é algo que não chega a ser um problema se você já está familiarizado com esses modelos de origem asiática - ou, principalmente, com outros modelos da BYD.
E esse carro ainda tem uma funcionalidade bacana, mas que não é tão comum de se ver por aí: a possibilidade de espelhar o Google Maps da multimídia no quadro de instrumentos, permitindo alternar, por exemplo, para o streaming de música sem perder as orientações do GPS.
O plano de manutenção do Atto 8 prevê revisões a cada 12 meses ou 12 mil quilômetros. Já a garantia do veículo é de seis anos ou 200 mil quilômetros (uso particular) e a da bateria motriz é de oito anos ou 200 mil quilômetros.
Para manter o automóvel até os 60 mil quilômetros, o proprietário terá que desembolsar R$ 7.762. É praticamente o mesmo valor das cinco primeiras manutenções obrigatórias de um Song Plus Premium.
Fiz a simulação do seguro também no Auto Compara: para o perfil de um homem, casado, 39 anos e morador da capital paulista, o valor da cobertura completa oscilou entre R$ 4.822,78 e R$ 12.217,20, com franquia entre R$ 12.341,39 e R$ 25.021.
Já para o perfil de uma mulher, casada, 41 anos e moradora da capital paulista, o valor da cobertura completa oscilou entre R$ 6.343,82 e R$ 17.675,30, com franquia entre R$ 22.409 e R$ 25.574.
Nos dois perfis o cálculo foi feito sem bônus ou possíveis descontos adicionais.
O BYD Atto 8 é uma belíssima opção para quem busca um SUV grande completo, espaçoso, luxuoso e híbrido, mas não está disposto a pagar o preço de um automóvel equivalente de marca premium. Típica oferta "mais por menos" que quase não tem paralelo no mercado brasileiro. O único concorrente direto é o GWM Wey 07 (R$ 429 mil).
Agora, se o desempenho empolgante é mais importante para você do que o conforto na rodagem, então vale a pena explorar outras opções de modelos no mercado. Ainda que, nessa faixa até R$ 400 mil, você tenha que se contentar com os SUVs de entrada de marcas premium.
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BYD - ATTO 8 - 2027 |
1.5 TURBO PHEV AWD AUTOMÁTICO |
R$ 399990 |
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