E esse fator de atração aumentou ainda mais com o pacote de equipamentos reforçado na linha 2026. Mas será que o BYD King é o carro certo para você? Confira nas próximas linhas.
Teste: BYD King 2026
O que mudou no BYD King 2026?
O BYD King estreou no Brasil em julho de 2024, com a ousada proposta de ser um dos plug-in mais acessíveis do nosso mercado e, de quebra, enfrentar o best-seller Toyota Corolla. Que, até então, era o único sedã médio com opção de motorização híbrida na faixa abaixo de R$ 200 mil.E depois de um ano e meio de mercado, é possível dizer que o King se saiu bem em sua missão. Ainda está muito longe de superar as vendas totais do concorrente da Toyota, mas o sedã da BYD já vende quase o dobro que as versões híbridas do três volumes da marca japonesa. Foram 12.410 unidades emplacadas em 2025.
E para manter o bom impulso do King, a BYD fez algumas mudanças pontuais - mas impactantes - na linha 2026. A mais importante delas foi justamente a adoção do pacote ADAS na versão GS, que ganhou controlador adaptativo de velocidade, monitor de pontos cegos, alerta de colisão frontal com frenagem automática de emergência e assistente de permanência em faixa.
Mas rolaram também algumas mudanças estéticas, como essa opção de cor azul do carro das fotos - chamada pomposamente de Inkstone Blue pela BYD -, e novas rodas de 17 polegadas.
Rodas polêmicas, já que teve muita gente que achou o visual das novas peças muito retrô e destoante do estilo geral do modelo. Mas eu curti mais o desenho dessas rodas que o das anteriores.
Espaço de sobra
Sem mudanças na carroceria - que tem 4,78 metros de comprimento, 1,50 metro de altura, 1,84 metro de largura e 2,72 metros de entre-eixos -, o BYD King ainda é aquele mesmo carro grandalhão de sempre: muito espaço para as pernas - principalmente no assento traseiro - embora a combinação de teto baixo e assentos elevados possam ser um incômodo para os ocupantes de maior estatura.Mas isso não foi um problema para mim, do alto dos meus 1,65 m de altura. A posição de guiar do King, aliás, é curiosa. Joguei o assento lá embaixo, rente ao assoalho, e as minhas pernas ficaram numa posição mais esticada, típica dos carros mais esportivos. Ainda assim, tive a impressão de ver o trânsito de cima.
Mas não posso reclamar de ergonomia nesse sedã da BYD. A coluna de direção tem regulagem de altura e profundidade e há um bom equilíbrio entre comandos físicos e na tela. E por falar em telas, o King é fiel à sua origem. Tem um quadro de instrumentos de 8,8 polegadas e uma multimídia - ainda giratória, é claro - de 12,8 polegadas.
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Mas, comparando com outros chineses das levas mais recentes, diria que o layout das telas do King - e, vale dizer, dos outros BYD - é mais funcional do que bonito.
Principalmente para quem já é familiarizado aos modelos da marca, é bem fácil localizar as principais funcionalidades e configurações, e o quadro de instrumentos exibe as informações com clareza. Mas as duas telas poderiam ter resolução mais alta.
O acabamento interno merece aplausos. Materiais macios ao toque em várias superfícies são combinados com a montagem precisa dos plásticos e firulas como iluminação por LEDs decorativos e com tonalidade personalizável.
Já o porta-malas tem capacidade para 450 litros. No papel, um volume que fica na média do segmento. Na prática, o fato de ser um bagageiro estreito, profundo e com boca pequena dificulta na hora de colocar ou retirar bagagens maiores.
BYD King GS 2026: equipamentos de série
O BYD King GS tem bancos de couro com ajustes elétricos nos assentos dianteiros, painel digital de 8,8 polegadas, multimídia com tela de 12,8 polegadas, iluminação interna decorativa, chave presencial, carregador de celular por indução e ar-condicionado automático de duas zonas e saídas para o banco traseiro.Já a relação de itens tecnológicos e de segurança, além do pacote ADAS, tem faróis de LED com acionamento automático, câmera 360°, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, seis airbags, monitor de pressão dos pneus e controlador automático de velocidade.
Por outro lado, o teto solar ainda não chegou ao "pacote Brasil". Algo que não chega a ser um pênalti, já que os seus dois concorrentes diretos na mesma faixa de preço - o Nissan Sentra Advance e o Toyota Corolla XEi - também não têm esse equipamento.
Mecânica
O conjunto mecânico do BYD King GS 2026 é o mesmo da linha 2025. Motor 1.5 a gasolina de aspiração natural e injeção multiponto, combinado com um propulsor elétrico de tração que é alimentado por uma bateria de 18,3 kWh.O que mudou foi a calibração do propulsor a combustão, que por conta das normas de emissões Proconve L8 perdeu potência - caiu de 110 cv para 98 cv - e torque - de 13,8 kgfm para 12,5 kgfm.
Mas a potência combinada do conjunto motriz não foi alterada. Ainda são 235 cv de potência na versão GS e o sedã acelera de zero a 100 km/h em 7,3 segundos e chega a 185 km/h de velocidade máxima. Por outro lado, a autonomia 100% elétrica caiu de 80 quilômetros para 62 quilômetros no ciclo de medição do Programa brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro.
Zerando a bateria
Na prática, porém, essa variação de calibração não é notada. O BYD King ainda agrada bastante pelas respostas ágeis e pelo silêncio na rodagem. Principalmente com a bateria motriz carregada, já que o propulsor a combustão praticamente só entra em ação quando se pisa mais fundo no acelerador.Mas será que a coisa muda com a bateria do motor elétrico descarregada? Pois eu resolvi fazer esse teste com o BYD King 2026.
Vale dizer que a bateria motriz não chega a zerar, mas com cerca de 20% de carga o modo 100% elétrico fica indisponível e o carro passa a ativar o propulsor a combustão com frequência bem maior, passando a se comportar como um híbrido autocarregável.
Você ainda continua tendo respostas empolgantes de um carro a combustão com auxílio elétrico, mas passa a ouvir o propulsor a gasolina em funcionamento por períodos mais longos. Nada que incomode. Mas longe do silêncio quase absoluto da rodagem no modo elétrico.
E com o motor elétrico entrando menos em ação, o consumo também aumenta. Enquanto a bateria motriz estava totalmente carregada, cheguei a registrar um consumo de gasolina de até 28,6 km/l. No uso misto, modo híbrido e sem pé leve no acelerador.
Mas quando encerrei o teste, depois de rodar uns bons quilômetros com a bateria descarregada, a média já havia caído para 20 km/l. Ou seja: o BYD King ainda é muito econômico sem poder rodar no modo 100% elétrico. Mas é mais eficiente se você deixar a bateria do motor elétrico sempre carregada.
E por falar em recarga, é possível usar o motor a gasolina - configurando o veículo para o modo "Save" - ou usando uma tomada doméstica ou carregador Wallbox. Sim, ainda não é possível usar um carregador rápido no King.
Como é rodar com o BYD King 2026?
Apesar de todas as mudanças da linha 2026, o King ainda tem aquele rodar extremamente macio que marca o modelo desde o seu lançamento. Com direção leve mesmo na calibragem mais firme, enfrenta pistas ruins com muito conforto e silêncio.Aliás, a suspensão é tão macia que é possível raspar a parte inferior do para-choque até mesmo ao descer de uma lombada. E contribui para isso o fato de o King ser um automóvel baixo, com apenas 12 cm de vão livre para o solo.
Custo de rodagem
O BYD King 2026 tem um custo de aquisição baixo para um automóvel com as suas características. Mas, para explorar plenamente a economia do modelo, é preciso rodar bastante. A explicação para isso está justamente no fato de que boa parte da economia de um híbrido plug-in está no custo bem mais baixo por quilômetro rodado.O plano de manutenção do BYD King prevê revisões a cada 12.000 quilômetros ou 12 meses. Para fazer as cinco primeiras revisões, o custo é R$ 6.424. Uma conta alta para quem costuma fazer revisões por tempo. Praticamente o dobro do preço das cinco revisões do Corolla (R$ 3.700), cujo plano de manutenção prevê paradas a cada 10.000 quilômetros ou 12 meses.
A garantia do BYD King é de seis anos sem limite de quilometragem. Mas só para o uso particular. No uso comercial, a garantia passa a ser de dois anos ou 100.000 quilômetros rodados.
E o seguro? Fiz a simulação no Auto Compara e o preço mais baixo para a proteção completa ficou em R$ 2.347,10. Valor parecido com o do Nissan Sentra Advance (R$ 2.338,69) e um pouco mais caro que o do Toyota Corolla XEi (R$ 2.044,29). Valores sem bônus ou possíveis descontos adicionais.
Vale a pena comprar um BYD King 2026?
Que carro você pode comprar por R$ 175.990 no mercado automotivo brasileiro com o mesmo nível de equipamentos e a proposta estradeira desse BYD King?Diferentemente dos SUVs compactos, o BYD King 2026 ainda tem um conjunto motriz híbrido plug-in e dimensões típicas de um SUV médio "dos grandes", que resultam em amplo espaço interno para passageiros e uma bela área para bagagens - embora de acesso não tão bom.
Em outras palavras: o King pode ser ser uma opção até mais interessante do que um SUV compacto se a ideia for comprar um carro espaçoso e confortável para cair na estrada. E que ainda vai bem longe. Veja também
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