Quando você tem filhos pequenos, a forma de enxergar um carro muda completamente. Antes, detalhes como potência, tamanho das rodas ou design chamavam mais atenção. Depois que entram cadeirinhas, carrinho de bebê, mochilas, bolsas e toda a logística que acompanha uma família, outras prioridades passam a fazer muito mais sentido.

Espaço interno, conforto, porta-malas e praticidade começam a pesar mais do que alguns décimos em uma aceleração de zero a 100 km/h.
Foi exatamente com esse olhar que avaliei o Caoa Changan CS75, SUV que chega ao Brasil como o principal modelo da marca chinesa - e que pretende disputar espaço em uma das categorias mais concorridas do mercado.
E bastaram alguns quilômetros ao volante para perceber que a Changan entendeu muito bem o que uma família procura em um carro. O que ficou para discussão foi outro ponto: em um segmento cada vez mais dominado por híbridos e eletrificados, será que um SUV de R$ 200 mil ainda pode abrir mão da eletrificação em qualquer medida?
Com 4,77 metros de comprimento e 2,80 metros de entre-eixos, o CS75 tem dimensões que lembram alguns SUVs de sete lugares.
A diferença é que a Changan optou por usar todo esse espaço para acomodar apenas cinco ocupantes. Na prática, funciona muito bem.
Logo ao entrar no carro, fica evidente que a cabine foi projetada para privilegiar o conforto. A área para as pernas é generoso e a sensação é de que sobra espaço em praticamente todas as posições.
Mas o detalhe que mais me chamou atenção foi o assoalho plano na segunda fileira. Pode parecer uma observação pequena para quem está lendo uma ficha técnica, mas quem tem filhos entende a importância disso.
Em viagens longas, não é raro que um dos pais acabe sentado atrás, entre duas cadeirinhas, para ajudar com mamadeira, brinquedos ou simplesmente para acalmar uma criança durante o trajeto. Já passei por essa situação diversas vezes.

Quando existe aquele túnel central elevado, comum em muitos SUVs, permanecer no banco do meio por muito tempo se torna cansativo e desconfortável. No CS75 isso simplesmente não acontece. O assoalho plano permite uma acomodação muito mais natural e confortável para quem ocupa essa posição.
É um daqueles detalhes que dificilmente aparecem em propagandas, mas que fazem toda diferença no uso real.
Outra sensação que tive durante o contato com o carro é que a Changan não concentrou toda a experiência apenas no motorista. Isso parece óbvio em um SUV familiar, mas nem sempre acontece.
Em muitos modelos, os ocupantes da segunda fileira têm direito a apenas o básico. No CS75, eles recebem atenção quase equivalente à dos passageiros da frente.
Os bancos traseiros, por exemplo, têm aquecimento e ventilação, algo raro mesmo em veículos mais caros. Também há saídas dedicadas do ar-condicionado, entradas USB-C para carregamento de dispositivos e encostos com reclinação de até 32 graus. É um conjunto que faz diferença principalmente em viagens.
Para quem transporta crianças, isso significa mais conforto durante o trajeto. Para quem costuma viajar com pais, avós ou outros adultos, significa menos desgaste depois de algumas horas na estrada.
A impressão é que a marca realmente pensou em todos os ocupantes do veículo, e não apenas em quem está ao volante.

Quem tem filhos sabe que o espaço do porta-malas nunca parece suficiente. Mesmo em deslocamentos curtos, a quantidade de itens transportados costuma ser enorme. No CS75, essa preocupação praticamente desaparece.
São 610 litros de capacidade na configuração padrão, podendo ultrapassar os 700 litros dependendo da posição dos bancos. Com os bancos traseiros rebatidos, a capacidade pode chegar a mais de 1.600 litros.
Durante a avaliação, foi impossível não imaginar o compartimento ocupado por carrinho, malas, bolsas, brinquedos e tudo aquilo que normalmente acompanha uma viagem em família.
Além disso, o SUV tem 21 porta-objetos espalhados pela cabine, algo que também ajuda bastante na organização do dia a dia.
Se o espaço interno impressiona, o nível de conforto não fica atrás.
O banco do passageiro dianteiro usa a chamada tecnologia gravidade zero, inspirada em conceitos aplicados pela NASA. Na prática, o assento vira uma espécie de poltrona. Há apoio para as pernas, ventilação, aquecimento, memória de posição e oito programas de massagem.
Confesso que é um daqueles equipamentos que parecem exagero quando são exibidos na apresentação do carro, mas fazem sentido quando você experimenta. Mesmo sem usar a posição totalmente reclinada, a sensação é de estar viajando em um veículo de categoria superior.
O motorista também recebe tratamento especial. O banco tem 14 ajustes elétricos, ventilação, aquecimento e memória de posição. E esse último item faz muito mais sentido do que parece. Em uma família, dificilmente apenas uma pessoa dirige o carro.
No meu caso, por exemplo, existe uma diferença considerável de altura entre mim e meu marido. Sem memória de posição, toda troca de motorista significa perder alguns minutos ajustando novamente banco, volante e espelhos. Ou seja, um incomodo que o CS75 extingue do seu dia a dia.
O teto solar panorâmico tem mais de um metro quadrado de área e se estende até a segunda fileira. Mas o que me chamou atenção não foi o tamanho. Foi imaginar o que ele representa para quem realmente usa um carro familiar.
Enquanto observava o interior, me peguei pensando em uma viagem para o interior de São Paulo ou para o litoral, com meus filhos observando o céu pela área envidraçada durante o trajeto.
Pode parecer um detalhe, mas são justamente esses pequenos elementos que ajudam a transformar uma viagem comum em uma experiência mais agradável para quem está dentro do carro.
O interior também tem muita tecnologia. As três telas integradas somam 37,2 polegadas e criam uma atmosfera bastante moderna. O painel digital possui 10,3 polegadas, enquanto a central multimídia tem 14,6 polegadas e integração com Android Auto e Apple CarPlay.
Já a terceira tela, posicionada à frente do passageiro, tem 12,3 polegadas e permite acesso a músicas, vídeos, notícias e jogos.
A proposta é interessante, mas existe uma limitação. Durante o teste, descobri que ela funciona apenas com o veículo parado. Ou seja, justamente em uma viagem, quando o passageiro poderia aproveitar melhor o recurso, essa tela fica indisponível.
Ainda assim, o conjunto tecnológico é reforçado por um sistema de som Pioneer com 14 alto-falantes, iluminação ambiente com 256 cores, carregador por indução, console refrigerado e conexão com aplicativo para funções remotas.
A Changan afirma que realizou adaptações específicas para o mercado brasileiro, principalmente na suspensão.
Ainda assim, durante a condução, tive a sensação de que há espaço para refinamentos. O acerto privilegia o conforto, mas algumas irregularidades do piso ainda chegam à cabine mais do que o desejável.
Também percebi movimentações mais evidentes da carroceria em curvas feitas em velocidades um pouco mais elevadas.
A direção segue a mesma proposta. É bem leve, o que facilita manobras urbanas e o uso diário, mas poderia transmitir um pouco mais de precisão para quem gosta de uma condução mais envolvente.
Tudo isso apenas deixa claro que o CS75 foi desenvolvido para priorizar conforto e tranquilidade, não esportividade ou um prazer mais intenso de dirigir.
O conjunto mecânico é formado por um motor 1.5 turbo flex de 180 cv de potência e 29,2 kgfm de torque. A transmissão é automática Aisin, de oito velocidades.
Nas acelerações, o desempenho é satisfatório. Já nas retomadas, principalmente depois de reduzir a velocidade em lombadas ou em situações de trânsito mais lento, senti que o conjunto demora um pouco para entregar toda a força disponível.
Nada preocupante, mas existe um pequeno atraso até que o SUV volte a ganhar velocidade com mais vigor. No modo Sport, essa sensação diminui e as respostas ficam mais rápidas.
Segundo o Inmetro, o CS75 registra 7,2 km/l na cidade e 8,5 km/l na estrada, com etanol. Com gasolina, os números sobem para 10,5 km/l e 12,3 km/l, respectivamente.
Não são números ruins para um SUV desse porte. Mas também não são capazes de impressionar. E quando olhamos para concorrentes como BYD Song Plus e GWM Haval H6, ambos eletrificados e posicionados em faixa semelhante de preço, fica difícil ignorar a diferença.
Além da economia de combustível, a eletrificação traz benefícios como a isenção do rodízio municipal em São Paulo, algo que se tornou cada vez mais relevante para quem usa o carro diariamente.
O pacote de segurança é um dos pontos fortes do modelo. O SUV tem câmera 540 graus, assistente de estacionamento e um pacote ADAS bastante completo. Durante a condução, os sistemas mostraram funcionamento eficiente.
Foi possível perceber claramente a atuação dos assistentes de permanência em faixa e dos alertas relacionados ao trânsito à frente.
São recursos que ajudam a reduzir o cansaço ao volante e aumentam a sensação de segurança, principalmente em viagens longas.
O Caoa Changan CS75 tem garantia de sete anos ou 150 mil quilômetros. Além disso, para manter o CS75 até a quinta revisão, é necessário desembolsar R$ 5.700,48.
Como mãe de dois bebês, consigo enxergar perfeitamente o Caoa Changan CS75 cumprindo o papel de carro da família.
O espaço interno é excelente, o porta-malas acomoda tranquilamente toda a bagagem necessária para viajar com crianças, os ocupantes da segunda fileira recebem atenção rara nessa faixa de preço e o nível de conforto impressiona.
O SUV também entrega muita tecnologia e uma lista de equipamentos que supera diversos concorrentes tradicionais.
O que me faz pensar duas vezes é a ausência da eletrificação.
Em um mercado onde os principais rivais já são mais potentes, têm menor consumo e também benefícios práticos para o dia a dia, esse diferencial acaba fazendo falta.
Ainda assim, se a prioridade for espaço, conforto, tecnologia e bem-estar para toda a família, o CS75 mostra que a Changan entendeu exatamente o que esse consumidor procura.
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