Chevrolet Cruze e Citroën C4 Lounge elevam o nível

Os dois sedãs não estão entre os times de maior torcida, mas nem por isso jogam feio


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Se fossem times, Chevrolet Cruze e Citroën C4 Lounge estariam embolados no meio da tabela do campeonato. São velhos conhecidos da torcida, o primeiro estreou em setembro de 2011 e o segundo entrou em campo em agosto de 2013. Ambos já tiveram os seus dias de glória e atualmente observam de longe os líderes da categoria, Toyota Corolla e Honda Civic.

 

O modelo da gravata dourada ocupa a quarta posição na categoria de sedãs médios, vendeu 7.971 unidades entre janeiro e agosto deste ano (2015), segundo dados da Fenabrave (Fcaptionação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), enquanto o francês, feito na Argentina, aparece na décima posição, com 3.945 emplacamentos. Se por um lado nenhum dos dois são blockbusters, por outro trazem um bom custo-benefício e têm treinado com afinco para reconquistar a torcida.

Para descobrir qual dos dois levaria a melhor em uma disputa direta, escolhemos as versões topo de linha de ambos para um comparativo. No caso da Chevrolet, o LTZ é oferecido por R$ 84.950, já o C4 Lounge Executive THP sai por R$ 89.490, uma diferença de R$ 4.540.

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Os dois foram retocados para o campeonato de 2015. As mudanças no Cruze foram maiores. O sedã recebeu um facelift, que apresentou um para-choque dianteiro com desenho novo, uma grade em formato mais angulado e com contornos cromados, faróis diurnos de LEDs, além de uma configuração inédita no tecido dos bancos (couro bicolor). No caso do C4 Lounge, o aperfeiçoamento foi na parte mecânica. O motor 1.6L THP passou a ser flex, aliás foi o primeiro propulsor da categoria a contar com um propulsor turbo e bicombustível.

Apesar de nas imagens o porte do Citroën aparecer muito maior, na fita métrica as dimensões dos dois são próximas, apesar da vitória do Lounge. No comprimento, por exemplo, o C4 é apenas dois centímetros maior (4,62 metros contra 4,60 m). Já na altura, são três centímetros a favor do modelo francês. Mesma diferença encontrada no entre-eixos (2,71 metros diante de 2,68 metros do Chevrolet). Quando o assunto é bagageiro, os concorrentes se igualam, ambos trazem 450 litros de capacidade em seus porta-malas.

Na cabine, o Citroën transmite uma sensação melhor de espaço. O para-brisa amplo em conjunto com o teto solar (não presente no Cruze) ajuda a reforçar esta percepção. Os bancos dianteiros são bem aconchegantes, com abas pronunciadas nas laterais e de fácil regulagem. Já os assentos traseiros são levemente inclinados para trás, favorecendo o conforto. Quatro adultos com mais de 1,80 metro de altura cada, não terão problemas em viajar no C4 Lounge.

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O interior do Cruze é mais acanhado. A concepção de dual cockpit, em que os ambientes do motorista e carona aparentam estar separados, deixa o ambiente mais esportivo que o rival, mas piora a sensação de amplitude. A ergonomia do Chevrolet é boa, mas a cabine poderia ter menos plásticos.

Quando o assunto é conteúdo, os dois mostram que têm repertório vasto. O Cruze vai a campo com seis airbags (duplo na dianteira, laterais e de cortina), controle de tração e estabilidade, faróis de neblina, sensor de estacionamento traseiro, sistema de fixação de cadeiras para criança ISOFIX, assistente de frenagem de urgência, rodas de alumínio aro 17, volante multifuncional, piloto automático, ar-condicionado eletrônico, botão para partida sem chave, câmera de ré, computador de bordo, direção elétrica, abertura do veículo por aproximação, sensor de chuva e sistema multimídia de sete polegadas sensível ao toque com GPS.

No quesito peças do time, o Citroën entrega os equipamentos do concorrente e mais um pouco. Conta, por exemplo, com sensor de estacionamento também na dianteira, teto solar elétrico, ar-condicionado bizone e monitoramento lateral de pontos cegos dos retrovisores externos. Vale lembrar que além de mais equipamentos, o C4 Longe também cobra mais na conta final.

Jeitão eclético e personalidade forte

O Chevrolet Cruze teve seu projeto desenvolvido na Coreia do Sul, recebeu motor feito na Hungria, plataforma criada na Alemanha, para ser produzido em São Caetano do Sul. Ou seja, é um cidadão do mundo. O desenvolvimento do C4 Lounge também foi eclético, o sedã foi concebido na França, estreou na China e hoje é feito na Argentina.

Apesar de os times serem descendentes de linhagens multiculturais distintas, ambos carregam personalidades fortes e bem pontuadas. O Citroën é talvez o francês mais alemão já fabricado. Aliás, a comparação não é à toa. O conjunto mecânico motor e câmbio foram desenvolvidos em conjunto com a BMW e são de um refinamento exemplar.

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O propulsor 1.6L THP turbo flex rende 173 cavalos de potência máxima a 6.000 rpm quando abastecido com etanol e 166 cv, também a 6.000 rpm, com gasolina. Os números de desempenho fornecidos pelo fabricante são animadores: 214 km/h de velocidade máxima e uma aceleração de 0 a 100 km/h feita em apenas 8,9 segundos. A caixa de câmbio é automática de seis velocidades (Confort Auto 6) com possibilidade de trocas manuais na alavanca (nada de borboletas atrás do volante). O melhor do propulsor é que os 24,5 kgf.m de torque máximo (etanol) são entregues logo, a apenas 1.400 rpm.

Apesar dos valores empolgarem para uma volta rápida na pista, o forte da vida a bordo do C4 Lounge é mesmo o conforto. A suspensão está na medida certa entre a rigidez e a suavidade. As rodas aro 17 polegadas (225/45) auxiliam na estabilidade. Além disso, o Citroën tem fino trato com a bola, rola macio na estrada e ainda evita o desperdício de combustível - no teste na estrada superou com facilidade os 12 km/l (com gasolina).  A única falta vai para o ruído que invade a cabine quando o conjunto é exigido.

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O Cruze é mais modesto em termos de desempenho, mas não chega a desagradar. O propulsor Ecotec 1.8L 16v flex entrega 144 cavalos de potência com etanol e 140 cv com gasolina. No torque máximo, o Chevrolet também fica atrás do rival, são 18,9 kgf.m a 3.800 rpm com etanol e 17,8 kgf.m com gasolina. A transmissão é automática de seis velocidades, com possibilidade de trocas manuais na alavanca.

No quesito estabilidade, o Cruze cumpre com objetivo a tarefa, sem surpreender. A suspensão trabalha entre o conforto e a rigidez e transmite segurança para os ocupantes. O câmbio, por sua vez, foi reprogramado entre as atualizações deste ano com a missão de melhor o consumo, uma das reclamações mais frequentes dos donos, com isso as trocas de marcha, que eram um pouco ásperas, foram suavizadas. A marca afirma ainda que o consumo melhorou em cerca de 2%.

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Os dois sedãs têm bons argumentos para atrair torcedores. Em um confronto direto o Citroën C4 Lounge leva a melhor por conta do conjunto mecânico superior e um amplo e confortável espaço interno. O preço mais alto é justificável pela maior lista de equipamentos.

O Cruze pretende equilibrar a partida em breve com a apresentação da linha 2016. Entre as novidades estará o serviço OnStar, que oferecerá uma série de serviços ao motorista, que incluirá uma inédita central de atendimento a disposição do condutor. Porém, para virar completamente o jogo só mesmo com a segunda geração do sedã, que já foi apresentada no exterior e deverá chegar ao país até 2017.

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