Chevrolet S10 Z71 (5)

Chevrolet S10 Z71 e uma expedição pelo Pantanal

Rodamos mais de 600 km com a nova versão da picape e provamos de tudo: de suas capacidades a uma leitoa paraguaia


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Desembarco no Aeroporto de Campo Grande (MS) na manhã da última sexta (12). Depois de quase 2h de voo - que se tornaram uma só, pois na capital sul-mato-grossense o fuso é 1h menor que o de São Paulo -, saio do ar-condicionado do pavilhão para encarar o sol de 38ºC até unidades para jornalistas que a GM reservou das recém-apresentadas S10 Z71 2022 - nova versão intermediária da picape.

Recebemos um briefing sobre o test-drive, definimos o local da primeira parada e o que surpreende é a distância: rodaríamos, durante três dias, mais de 600 km. Uma verdadeira expedição, com direito a muita rodagem, comida - entre peixes pantaneiros, churrasco e até uma deliciosa leitoa paraguaia - e encontros com animais selvagens daqueles que só vemos na TV. Vem comigo para essa aventura.

Chevrolet S10 Z71 custa R$ 260.490

A primeira coisa que você deve ter se perguntado a respeito da versão Z71 é a origem do sobrenome. Curiosamente, nada mais é do que o código interno do "pacote" que define essa configuração, seja em relação aos itens ou mesmo à motorização utilizada. Trata-se de um costume da General Motors, afinal existem outros carros com sobrenomes parecidos, como os Corvette Z06 e ZR1 e o Camaro ZL1.

Z71 também será a versão da GM para enfrentar modelos com roupagem aventureira no segmento de picapes médias, como as atuais Ford Ranger Storm e Nissan Frontier Attack. Esteticamente, ela tem adesivos alusivos ao sobrenome e vem com santantônio, capota marítima e outros detalhes personalizados, assim como os pneus Michelin feitos exclusivamente para a nova configuração.

Externamente, a picape tem alargadores nos para-lamas e também estribos laterais. A grade frontal e as rodas de 18 polegadas são as mesmas da versão High Country (que custa R$ 280.390), só que são pintadas de preto e calçadas pelos pneus lameiros já mencionados.

Chevrolet S10 Z71
Chevrolet S10 Z71 deu aula de off-road, conforto e tecnologia durante a expedição no Pantanal
Crédito: André Deliberato/WM1
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Bora começar a trip!

O ajuste do banco não é elétrico - esse item só aparece a partir da versão LTZ -, mas as alavancas são fáceis de se controlar. Coloco o ar-condicionado no talo do frio, arrumo os retrovisores, afivelo o cinto de segurança e parto em direção à cidade de Corumbá, quase na fronteira com a Bolívia. Primeira parada: restaurante La Garcia, no distrito de Piraputanga, em Aquidauana.

Costela de pacu, moqueca de pintado, pastelzinho feito dessa mesma moqueca e iscas de tambaqui e outros peixes da região são o convite para três dias de experiências gastronômicas riquíssimas. Saímos em direção a Miranda e cruzamos a serra que "divide" a região de planalto onde fica Campo Grande das planícies onde fica localizado o Pantanal. Nesse trecho, vi várias famílias de capivaras.

Peixes Pantaneiros
Peixes pantaneiros fizeram parte do menu no primeiro dia: pacu e pintado
Crédito: André Deliberato/WM1
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Seca

De julho a novembro o Pantanal vive época de seca. Os rios estão baixos, os pântanos estão secos e muitos animais silvestres acabam morrendo no cruzamento de rodovias por terem que sair de seu habitat em busca de comida. De pequenos marsupiais a cobras, antas, capivaras e até diferentes tipos de pássaros, o mais chocante foi ver um boi morto em um acostamento na perna seguinte.

Depois de quase 2h chegamos ao centro de Miranda. Até aqui, depois de pouco mais de 200 km, a S10 havia gasto apenas 1/4 do tanque - o que dá uma estimativa arredondada de 800 km. Segundo os dados oficiais do Inmetro, com 76 litros de capacidade no tanque e consumo de 8,3 km/l na cidade e 10,6 km/l na estrada, o número de autonomia da picape é de 661 km e 844 km, respectivamente.

A motorização da Chevrolet S10 Z71 é composta pelo conhecido motor 2.8 turbodiesel de quatro cilindros, que tem 200 cv e 51 kgf.m de torque, combinado a um câmbio automático de seis marchas e, como esperado para uma picape de proposta off-road, tração 4x4 com marcha reduzida e acionamento eletrônico.

Viagem às Margens Do Rio Miranda
Rio Miranda é um dos rios que atravessam o Pantanal e encantam pela beleza e harmonia
Crédito: André Deliberato/WM1
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Mais uma longa etapa de 130 quilômetros e chegamos ao nosso destino, um hotel relativamente próximo à cidade de Corumbá chamado Pantanal Jungle Lodge, nas margens do rio Miranda. Na primeira noite, fomos agraciados com um belo jantar composto novamente por peixes pantaneiros - além de vários ruídos estranhos de vários tipos animais selvagens durante a noite.

No quarto, cada jornalista convidado foi presentado com um tipo de surpresa. No meu, uma aranha que fugiu por um vão da parede de madeira do banheiro - motivo pelo qual eu dormi as duas noites com a porta fechada (e trancada) com uma toalha no chão. Teve gente que encontrou pequenas pererecas, rãs maiores e até morcego.

2º dia

No dia seguinte acordamos e provamos o tradicional prato pantaneiro dos trabalhadores da região, conhecido como "quebra-torto" - arroz carreteiro com ovo frito, mandioca e farofa acompanhado de leite com açúcar queimado, café, caldo de cana ou algum suco de fruta. A próxima parada era uma fazenda a alguns quilômetros, com trechos de off-road para provar as capacidades da picape.

A S10 encara situações de areia e lama com facilidade, como já era de se esperar. Por estarmos em época de seca, não chegamos a enfrentar o barro, mas sim areia fofa. No percurso encontramos alguns tuiuiús, jacarés e gaviões de todos os tipos, incluindo até alguns casais de araras-azuis.

Não há diferença mecânica entre as versões da picape com esse motor 2.8, mas de acordo com a GM a calibração da turbina da Z71 é diferente das outras configurações, se equiparando justamente ao da High Country. O câmbio, apesar de antigo, casa muito bem com a proposta. Murchamos um pouco os pneus para que a picape pudesse encarar os desafios com facilidade. E foi assim que aconteceu.

Garça faz graça aos visitantes em passeio de barco no rio Miranda. Tem jacaré na foto, mas não dá para ver
Crédito: André Deliberato/WM1
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No retorno ao hotel, almoço. Foi o momento em que conheci a leitoa paraguaia, outro prato típico da região. A cocção do porco deve ter sido tão lenta que a carne parecia uma gelatina, de tão mole, e quase se fundia com a gordura. Por cima, queijo e tomate, como se a leitoa fosse uma massa de pizza. Não precisava nem dos outros acompanhamentos, porque aquilo estava incrível.

Mais tarde, após um período de entrevistas e gravações, nos preparamos para um safári de barco, que ia até o encontro do rio Miranda com o rio Vermelho, também a alguns quilômetros de distância. Na ida, ainda com a luz do dia, vimos alguns bugios, mais famílias de capivaras nadando e cruzando o rio, garças, tucanos, araras, gaviões e novamente tuiuiús.

Anoiteceu. Na volta, vimos uma infinidade de jacarés nas encostas do rio, dos dois lados. Um monte. Eles certamente já estavam ali na ida, mas camuflados a ponto de não conseguirmos enxergar. Como já havíamos passado pelo crepúsculo, os olhos vermelhos de cada um deles (eram realmente muitos, diria até que centenas) refletiam na luz do barco. A busca para ver onça foi longa, mas não rolou.

Na noite de sábado a GM nos ofereceu um churrasco feito em fogo de chão - a equipe contratada havia começado a montar o esquema desde antes de sairmos pela manhã, lá pelas 7h30. Depois de muita costela, picanha, bifes de ancho e outros pedaços do contrafilé picados e mergulhados em uma abóbora japonesa, fomos dormir de barriga cheia. De novo com portas fechadas e atentos.

Churrasco com fogo de chão começou a ser feito às 7h30 para ficar pronto... para a janta
Crédito: André Deliberato/WM1
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3º dia, o retorno

Dia de voltar para Campo Grande. Eram praticamente 350 km de distância, o que totaliza quase 700 km a bordo da nova versão da picape se contarmos a ida e a volta. Ela não tem carregador de celular por indução ou roteador de internet, como a versão High Country e outros modelos da Chevrolet, mas compensa com espelhamento de Apple CarPlay e Android Auto via cabo pela central multimídia.

A Chevrolet S10 Z71 vem com a central multimídia MyLink em uma tela tátil colorida de 8 polegadas. Entre outros equipamentos de série estão seis airbags, controles de estabilidade e tração, sistema de controle de velocidade em descida, bancos de couro, ar-condicionado, capota marítima, rack de teto, o santantônio que já mencionamos, faróis com máscara escurecida, faróis de neblina e câmera de ré.

Um casal de araras azuis e um carcará, ao fundo, me receberam assim que acordei, no domingo
Crédito: André Deliberato/WM1
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Na volta, não cruzamos a região que passamos na vinda, pela cidade de Aquidauana, e viemos direto pela BR-262 de onde saímos para Campo Grande - foram só duas paradas, uma para que pudéssemos usar o banheiro e tomar uma água e outra para almoçar. Na chegada ao aeroporto, a constatação foi de que a S10 poderia ir e voltar com menos de um tanque. Foram quase 700 km.

A GM estima que a Z71 irá representar 10% das vendas da S10, que não é um volume tão grande quando levamos em consideração o que a picape tem vendido este ano - média de 3 mil unidades por mês se dividirmos as pouco mais de 29.700 unidades por dez meses (de janeiro a outubro, segundo a Fenabrave). Desse modo, serão cerca de 300 unidades da Z71 mensalmente.

Resumo da história: a Chevrolet S10 Z71 é mais uma opção interessante para quem busca uma picape com muita capacidade off-road e roupagem aventureira com estilo diferenciado, assim como a Ranger Storm e Frontier Attack. Ela custa mais caro, é verdade (a picape da Ford sai por R$ 235.890, enquanto a da Nissan custa R$ 233.290), mas vale lembrar que seu preço já é o da linha 2022.

Fica o agradecimento deste escriba e do WM1 à GM pelo convite para essa expedição incrível, que continua nos próximos dias com jornalistas de outras regiões do Brasil e influenciadores. Podem apostar que nenhum deles vai esquecer das risadas, das experiências gastronômicas maravilhosas e certamente da leitoa paraguaia.

Chevrolet S10 Z71 No Pantanal Traseira

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