Chevrolet Tracker x Ford EcoSport 4WD


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- Para deixar os veículos de aventuras urbanas e enveredar-se pelos capazes a passeios fora-de-estrada mais realísticos, Chevrolet Tracker e Ford EcoSport 4WD estão entre as primeiras opções. O Mitsubishi Pajero TR4 também se inclui, mas a marca não cede carros para avaliação. Semelhantes na proposta e no preço, podem agradar a quem busca algo além de perfumaria – ainda que sua disposição à lama seja comedida.

Mas há grandes diferenças entre eles. Uma delas é a idade. Enquanto o EcoSport foi lançado em 2003, o Tracker é o mesmo desde 1997, data da primeira versão. No Brasil já foi comercializado de 2001 a 2004, teve motores a gasolina e a diesel, saiu linha e ano passado retornou com novo motor 2-litros a gasolina de 128 cv. O objetivo foi justamente entrar na briga com o Ford, pois custa R$ 58.990,00, apenas R$ 3.070,00 a menos do que o EcoSport XLT com motor 1,6-litro flex – uma das versões mais vendidas. E pode ser considerado um “verdadeiro fora-de-estrada”, pois tem tração 4x4 com reduzida, enquanto o EcoSport é um 4x2 com tração dianteira.

Outra diferença está no preço. Mas não apenas o de tabela, em que a vantagem é novamente do Tracker. O EcoSport 4WD, escolhido para este comparativo por ser equipado com tração 4x4 é vendido por R$ 66.120,00 R$ 68.280,00 se vier com bancos de couro, ou R$ 7.130,00 a mais. O problema é a manutenção de cada um deles.

O Tracker vem da Argentina, onde é montado pela GM, mas é fabricado pela Suzuki no Japão. Por isso, todas as suas peças são importadas e custam caro. Se após uma aventura radical for necessário substituir um farol quebrado, o proprietário vai desembolsar pelo componente R$ 1.309,00 – ou R$ 2.618,00 pelos dois, sem contar a mão-de-obra. Cada lanterna traseira custa R$ 611,99 e o pára-brisa, salgados R$ 1.828,00. Um pára-choque novo sai por mais de R$ 900,00. Na parte mecânica, a correia dentada custa quase R$ 600,00 e o jogo de velas de ignição sai por R$ 652,08. Pastilhas de freio, R$ 464,00 o jogo. Isso sem falar em componentes mais “sérios”, como caixa de câmbio ou embreagem, cujos preços o atendente da concessionária Carrera Butantã não tinha para passar.

Fabricado em Camaçari, na Bahia, o Ford EcoSport 4WD tem peças bem mais baratas. Jogo de faróis sai por R$ 582,00. O de lanternas traseiras, R$ 262,00. A diferença nos preços do jogo de velas e da correia dentada é gritante: R$ 40,80 e R$ 281,00, na ordem. Pastilhas de freio saem por R$ 176,00 o jogo, o pára-brisa custa R$ 896,00 e os pára-choques, R$ 697,00 o dianteiro e R$ 772,00 o traseiro. De acordo com a concessionária Frei Caneca JK, a caixa de câmbio do 4WD custa R$ 2.500,00 e a conjunto de embreagem, R$ 410,00.

O utilitário esporte Chevrolet tem o seguro mais barato. Em cotação feita na Real Seguros para o veículo 0 km equipado com rastreador, proprietário do sexo masculino, idade entre 35 e 39 anos e que rode até 20 mil km por ano o seguro sai por R$ 4.566,39. Para o mesmo perfil de motorista, o seguro do EcoSport custa R$ 4.956,58. Mas a franquia do Ford é bem mais em conta. Caso seja necessário acionar o seguro, o dono do EcoSport 4WD vai pagar R$ 1.700,00; o do Tracker, R$ 3.834,35, de acordo com a simulação.

De janeiro até a 1ª quinzena de março foram vendidas 958 unidades do Tracker. A Ford não divulga o número exato de vendas do EcoSport 4WD, apenas o porcentual que essa versão representa no total do modelo: 4%. Assim, das 6.947 unidades vendidas do EcoSport de janeiro à 1ª quinzena de março, 278 foram da versão 4WD.

O Chevrolet Tracker tem sob o capô o motor Suzuki de quatro cilindros em linha e 2 litros de cilindrada. Gera potência de 128 cv a 5.900 rpm e torque máximo de 17,7 kgfm em alto regime, 4.300 rpm. Combinando-se as quatro válvulas por cilindro à faixa de rotação do torque máximo, além do peso 1.430 kg tem-se como resultado um carro de retomadas vagarosas. A aceleração de 0 a 100 km/h também não é seu forte: 11,9 segundos, segundo a fábrica. O utilitário esporte de gravata chega à velocidade máxima de 168 km/h, também de acordo com a GM, que aponta números de consumo razoáveis, mas inferiores aos do EcoSport 4WD. São 10,1 km/l na cidade e 11,5 km/l na estrada, que multiplicados pelo tanque com 66 litros de capacidade, dá 759 km de autonomia. Enquanto isso o Ford faz 10,9 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada, mas tem tanque menor: 50 litros, que dá autonomia de 675 km.

Esse melhor consumo na estrada é benefício do motor mais moderno. O EcoSport 4WD é equipado com o mesmo quatro-cilindros Duratec do Focus, que dá potência máxima de 143 cv a 6.000 rpm e 19,7 kgfm de torque máximo a 4.250 rpm. Embora o regime de maior força seja igualmente alto e o motor não disponha de comando de válvulas variável, segundo a Ford 85% desse total estão disponíveis a apenas 1.500 rpm. Com isso, o EcoSport consegue ser mais ágil do que o Tracker em retomadas e aceleração. A fábrica aponta velocidade máxima de 180 km/h limitada e 0 a 100 km/h em 10,7 segundos.

Além do visual, o Tracker também tem acabamento antiquado, mas é bem cuidado e sensivelmente superior ao do EcoSport nesse quesito. Rodando a 120 km/h, o conta-giros marca 3.500 rpm e o pequeno utilitário esporte agrada pelo baixo nível de ruído do motor na cabine. Marca presença, no entanto, o ruído aerodinâmico.

Entre os itens de seu pacote único de equipamentos, estão airbag duplo, sistema antitravamento dos freios ABS, com distribuição das forças de frenagem EBD, ar-condicionado, direção hidráulica e teto solar.

São peculiares e de pouco agrado características do Tracker: o estepe na tampa traseira, que se abre ao “modo japonês”, da esquerda para a direita. Melhor se fosse como a do EcoSport, que se abre em sentido inverso; os vidros elétricos nas quatro portas, mas com função um-toque apenas para o motorista e só na descida.

O câmbio tem engates pouco precisos e duros, que fazem lembrar uma picape. O espaço traseiro é apenas razoável e para dois passageiros, devido ao túnel central alto e ao banco estreito – este se divide em 50/50%. Os pedais estão muito próximos ao banco, comprometendo a posição de digirir e sua direção é mais leve e menos precisa do que a do EcoSport 4WD. Com diâmetro de giro melhor, é capaz de manobrar em espaços mais reduzidos.

O Tracker é equipado com tração 4x4, que pode ser acionada rodando-se a até 90 km/h, e reduzida. Mas por não ter diferencial central, o uso desse recurso fica limitado a situações de real necessidade. E é bom tomar cuidado com a embreagem, subdimensionada em ambos os modelos.

O EcoSport, por ser derivado do Fiesta, tem comportamento dinâmico próximo de um carro, com menor oscilação lateral – a despeito de sua altura, que implica no centro de gravidade mais alto. É agradável de guiar, oscilando menos do que o Tracker, mas seu acabamento é inferior, com muito plástico e peças mal encaixadas.

Rodando a 120 km/h o motor está trabalhando a 3.250 rpm, rotação inferior à aferida no Tracker, mas o ruído na cabine é mais intenso. E o EcoSport maltrata o motorista em percursos longos, devido à falta de apoio para o pé esquerdo e ao banco menos confortável – sem falar no volante, que tem aro grosso demais, o que compromete a empunhadura. O banco traseiro acomoda passageiros com maior conforto, graças à maior largura.

Sua tração 4x4 funciona sob demanda, acionando o eixo traseiro quando é detectada perda de tração nas rodas dianteiras. Isso dispensa maiores conhecimentos do motorista em situações de fora-de-estrada. O acoplamento pode ser travado e a tração dividida em 50/50% entre os eixos, por meio de botão no painel. Esse recurso é prático e fácil de usar, podendo ser acionado até 100 km/h.

A suspensão do EcoSport 4WD tem maior curso do que a do Tracker. É independente nas quatro rodas, tipo McPherson na dianteira e multibraço na traseira. No Tracker, é por eixo rígido na traseira.

O modelo Ford sai de fábrica tão bem equipado quanto o Chevrolet. Traz, além de airbag duplo, ABS/EBD, direção com assistência hidráulica e ar-condicionado também ruidoso, toca-CD com leitor de arquivos MP3 e o acionamento dos vidros elétricos um-toque nas quatro portas.

Exceto se você é um neófito no fora-de-estrada, mas tradicionalista nos hábitos e prefere o Tracker pela maior robustez e o acionamento da tração 4x4 por alavanca, fique com o EcoSport 4WD. Prudência não faz mal a ninguém. Se na volta daquele agradável passeio um farol quebrar, seu bolso vai agradecer.

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    Nissan Sentra 2008

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    Renault Mégane Grand Tour x Toyota Fielder

    Fiat Palio 2008

    Rolls-Royce Phantom
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