O teste com o Chevrolet TrailBlazer estava no mesmo patamar do desafio que o Brasil iria enfrentar no jogo contra os atuais campeões mundiais de futebol, a fúria espanhola, pela final da Copa das Confcaptionações. Afinal era preciso rodar mais de 1.000 quilômetros, o que incluia uma ida e volta entre São Paulo e Rio de Janeiro, com seis pessoas a bordo (mais malas) em menos de 48 horas. Trabalho para amantes do futebol (e dos carros, é claro).
Para encarar a prova escalamos o time completo do Trailblazer, a versão topo LTZ 2,8L CTDI turbodiesel, que chegou no mercado por R$ 175.450 e agora é oferecida por R$ 159.450. O desempenho nas vendas fez o preço cair (assim como a seleção brasileira, que já foi a primeira do ranking e hoje está na 22ª posição). Já a sua principal rival, a Toyota SW4 joga de salto alto. A versão equivalente (SRV de sete lugares) sai por R$ 182.820. Uma diferença R$ 23.370.
Começa o jogo, ou melhor, o teste. A primeira prova foi percorrer as marginais Pinheiros e Tietê, em São Paulo, no fim da tarde de sexta-feira. Haja resistência. Trânsito parado e motoristas irritados. O TrailBlazer não se sai bem neste cenário de jogo truncado. A largura avantajada (são 2,13 metros com os espelhos) deixa os outros motoristas inquietos, principalmente os motoqueiros, que muitas vezes não encontram espaço no meio da faixa para avançar. Não há o que fazer.
A situação não melhora muito quando chegamos à Rodovia Presidente Dutra. Protestantes bloqueiam a estrada em mais um gesto de força do povo. Bom momento para avaliar o GPS que equipa o modelo. Porém, o mapa, apesar de completo, não é páreo para a agilidade do programa Waze (um GPS para celular que altera o rumo de acordo com a movimentação do trânsito). Para fugir da enrascada quase usamos o 4X4 para transpor uma calçada. Seria uma tarefa fácil, já que bastava girar um botão no console central.
A baixa velocidade (média de 15 km/h) elevou o consumo do motor 2,8L de 180 cavalos de potência. A média no trecho ficou em 6,6 km/l. O anda e para aliado ao peso avantajado do SUV (2.157 kg) prejudicaram a média.
Curvas da Serra das Laranjeiras
O jogo, pelo menos para o TraiBlazer, começou amarrado, truncado e cheio de faltas. Como deveria ser o Brasil X Espanha. Mas, apesar do desgaste inicial, a equipe estava unida. Afinal estávamos a caminho de assistir a seleção brasileira jogar uma final de campeonato no estádio do Maracanã. A última vez que isso aconteceu foi há 63 anos. Tá certo que o fim foi trágico (perdemos para o Uruguai).
Assim como os times de futebol, o conjunto de suspensão, pneus e amortecedores de um automóvel, deve ter entrosamento para não comprometer a estabilidade da equipe. O TrailBlazer optou por privilegiar o conforto. O conjunto filtra bem os buracos e desníveis da pista, mas cobra o preço nas curvas. A carroceria inclina demais e com o carro carregado é preciso atenção. A tração traseira aliada aos controles de estabilidade ajudam as correções, mas não se pode abusar. As curvas fechadas da Serra das Laranjeiras, já no estado do Rio de Janeiro, confirmaram o teste eficaz.
Sol e praia
Depois de seis horas a bordo do Trailblazer e um rápido descanso, hora de aproveitar o cartão postal da cidade. A praia. O TrailBlazer (como se vê na foto) não pode entrar no mar, mas conseguiu um bom lugar para ver o movimento ao custo de R$ 5, pagos para o flanelinha.
O primeiro tempo de jogo deixou o TrailBlazer esgotado. Necessária uma parada estratégica no posto de combustível para recarregar as energias. O tanque comporta até 76 litros de diesel. Para enchê-lo é preciso ter a carteira forrada de notas.
Foram precisos R$ 176 para colocar 70,5 litros de diesel BS-10 (R$ 2,49/ litro). A média, que começou ruim, melhor com o trecho da estrada e fechou em 9,1 km/l.
O banho merecido (R$ 20) revelou uma curiosidade do TrailBlazer. A sua altura, também avantajada (1,84 m) foi um desafio para o rapaz encarregado de lavar o SUV. Foi preciso subir em um banco improvisado para dar conta da tarefa. No fim, ele emendou: “como é grande”.
Realmente, as dimensões do TrailBlazer são generosas. São quase cinco metros no comprimento (4,87 m) e um entre-eixos de 2,84 metros. Como comparação, a Hilux SW4 tem 4,70 metros no comprimento e 2,75 de entre-eixos.
Hora de assistir ao jogo no Maraca
Domingão começa com a galera empolgada apesar do tempo nublado. O TrailBlazer de banho tomado e tanque abastecido estava pronto para o segundo tempo.
Colocar seis dentro do SUV, mais malas e algumas compras não foi tarefa fácil. O porta-malas, na configuração com a terceira fileira de bancos sendo usada fica apenas com 205 litros de porta-malas (menos que um Fiat Uno, por exemplo).
A solução foi abaixar um dos lados para colocar o restante das bagagens. Quem sofreu com isso foi a Tati (Gaúcha), que com seus 1,65 m de altura foi a que melhor se adequou a função.
Com três dos seis integrantes do grupo com mais de 1,80 m de altura rodar com o TrailBlazer não foi uma das tarefas mais confortáveis. Apesar do banco forrado em couro e das saídas independentes do ar-condicionado no teto, faltou espaço para as pernas de todos.
A suspensão mais mole também fez os ocupantes jogarem mais do que o necessário nas curvas. O que cansa em um trajeto mais longo, como foi a nossa jornada.
Final histórico
Brasil campeão. A seleção montada pelo técnico Luiz Felipe Scolari surpreendeu e venceu (com certa tranquilidade) a poderosa Espanha. Porém, a Copa do Mundo será um desafio muito maior e ainda é preciso saber se a seleção estará pronta.
Com o TrailBlazer a sensação é a mesma. O SUV da Chevrolet foi capaz de vencer o teste. Conseguiu rodar os 1.105 quilômetros sem nenhum problema mecânico ou surpresa desagradável. Mas ainda é cedo para saber se será um modelo vencedor nas vendas.
O preço melhorou, mas ainda é salgado frente a tamanha concorrência. Já a suspensão macia demais pode não agradar a uma torcida mais exigente. Vamos ver.
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